O Parque Nossa Senhora das Dores foi o local escolhido para o colóquio da ADAPTA que abordou o tema “Ambiente Urbano e Ambiente Rural”. José Carlos Marques, convidado e vice-presidente da Campo Aberto – Associação de Defesa do Ambiente, afirmou que a mentalidade urbana moderna está “pouco ciente” do facto de que tudo o que vem da cidade é do exterior.

 Perceber a ligação existente entre o ambiente urbano e o ambiente rural serviu de mote ao colóquio organizado pela ADAPTA, que aproveitou a agradável noite da passada sexta-feira, Dia Mundial do Ambiente, para alertar as pessoas para a importância destes dois elementos.

O lugar escolhido não podia ter sido mais que o “pulmão” da cidade, o Parque Nossa Senhora das Dores, que está próximo das duas realidades abordadas no colóquio.

“A Trofa é constituída por duas freguesias que têm essas duas características (ambiente urbano e rural) e portanto considero que o tema é muito interessante”, afirmou Cândido Novais, presidente da associação.

José Carlos Marques, vice-presidente da Campo Aberto – Associação de Defesa do Ambiente, foi o convidado para abordar o tema e, em declarações ao NT, afirmou que “hoje em dia muitos de nós vivemos numa mistura entre a dimensão rural e a dimensão urbana, pois existem elementos de uma e de outra, o que é muito curioso. É uma forma de ligar o passado ao presente e talvez futuro”.

O responsável salientou o facto de “muito do que a cidade recebe vem do que é rural” e que “a mentalidade urbana moderna está pouco ciente e pouco alerta para esse facto”. Torna-se premente, na opinião de José Carlos Marques, questionar “até que ponto as cidades podem ser autónomas, se recebem tudo aquilo que consomem do exterior?”.

“Os meios urbanos são geralmente orgulhosos das suas prerrogativas e apresentam o melhor da civilização e não há dúvida as cidades têm muita coisa fascinante, mas, na verdade, nada disso existiria se não houvesse a natureza florestal, oceânica, das pescas, das minas”, explicou.

Sobre os principais problemas que os ambientes urbano e rural atravessam neste momento, José Carlos Marques afirmou que a realidade urbana “tende a afundar as características das zonas rurais”. Mas, segundo o responsável, “há também um fenómeno de interiorização por parte das pessoas que não são da cidade de um certo sentimento de inferioridade”. Os meios de comunicação social são, para José Carlos Marques também um instrumento que “provoca a imitação do que é apresentado, com uma presença opressiva e intensa do ambiente urbano”.

“Considero que para haver alguma vitalidade nas zonas urbanas em Portugal seria necessário trabalhar muito na mentalidade. Na nossa televisão existe um programa, o Telerural, que é uma coisa degradante, aquilo é o supremo sinal do rebaixamento da dignidade do mundo urbano”, frisou.

 

ADAPTA regista maior adesão às iniciativas ambientais

 

A ADAPTA desenvolve diversas actividades durante o ano no sentido de incentivar à defesa do ambiente e do património, tendo como um dos expoentes da sua actuação, as caminhadas em cada estação do ano a cada freguesia do concelho para dar a conhecer aos trofenses a realidade do concelho, ao mesmo tempo que incentiva a prática de exercício físico e o convívio.

“O objectivo é dar uma aula na Natureza, com caminhadas essencialmente florestais para que as pessoas estejam em contacto com todo o tipo de espécies animais ou vegetais. Vamos incutindo nos caminheiros normas de conduta e de comportamento”, afirmou Cândido Novais.

Segundo o presidente da ADAPTA “tem havido uma melhoria” na consciencialização das pessoas quanto aos assuntos ambientais, o que se reflectiu na adesão às iniciativas da associação.

“Na caminhada que fizemos em Alvarelhos,a Rota das Capelas, tivemos 65 caminheiros, e na Rota dos Fontanários, em Guidões, estávamos à espera de um número similar, mas tivemos a surpresa de aparecerem 160 pessoas”, frisou.

Quanto à actuação da ADAPTA em assuntos ambientais que afectam o concelho, nomeadamente os cheiros que resultam da actividade da empresa Savinor, em S. Romão do Coronado, Cândido Novais referiu que esta incide sobre “denúncias a todos os órgãos institucionais, inclusive cartas enviadas para a Assembleia da República, e sessões de esclarecimento com a população”.

Quanto a respostas vêm da direcção da empresa que, segundo o presidente da ADAPTA “tem encetado tentativas para melhorar a situação”, facto que agrada à associação. “Não há tantas queixas e isso é uma boa resposta por parte da direcção da Savinor”.