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Grupo Paroquial Jovens Unidos levou a palco, no Muro, a peça de teatro “A Promessa”. Encenador e presidente da direcção afirmam que esta é a melhor peça interpretada pelo grupo.

Faltavam cerca de 15 minutos para o início da peça e o elenco ainda não estava completo. Enquanto os responsáveis davam entrevista ao NT, o actor que faltava chegava e interrompia para justificar o atraso: “Venho directo de Guimarães. Desculpem, vou-me vestir”. É este o espelho do amadorismo do GP de Jovens Unidos que levou a palco a peça “A Promessa”, no salão paroquial do Muro.

Mas, desengane-se quem pensa que a peça foi feita “em cima do joelho”. Interpretações de encher o olho, que fizeram rir e chegaram mesmo a emocionar, presentearam quem ignorou a chuva e deslocou-se à freguesia murense para ver a peça de Bernardo Santareno, encenada por Fernando Duarte.

Um drama vivido numa vila de pescadores que destaca os valores como o amor, a castidade e a fidelidade, o que a reporta para a actualidade, apesar de ter sido escrita há cerca de meio século.

O encenador, que também foi um dos principais actores da peça, reconhece que este não é o registo favorito dos outros intérpretes, maioritariamente jovens. “Eles gostam mais de comédia, mas no fim lá me deram razão”, afirma.

Exigente e nunca satisfeito, Fernando Duarte, natural de S. Mamede do Coronado mas a viver na outra freguesia da vila, alimenta a paixão pelo teatro há vários anos. “Dá gosto fazer dramas assim”, confessa com alguma inquietação de quem está prestes a entrar em palco.

Esta actuação tem um significado especial. Servirá para sinalizar o 30º aniversário do pároco Manuel Domingues à frente de S. Mamede do Coronado e do Muro. Na primeira fila, o pároco foi um dos que assistiu a uma peça bem representada e que dá uma nova voz à cultura no concelho da Trofa.

As inúmeras limitações de recursos físicos que suportem peças de teatro entristecem Fernando Duarte, mas não o fazem esmorecer na hora de dar tudo de si. “Só em S. Mamede, no Muro e em Alvarelhos que conseguimos fazer uma peça de teatro com esta dimensão”, explica.

Mas como “quem não tem cão, caça com gato”, o GP Jovens Unidos pretende levar a peça de teatro a concelhos vizinhos até ao final do ano. A cereja no topo do bolo seria a possibilidade de actuarem no Fórum da Maia. “Vamos tentar ir lá na nossa última actuação, para estarmos a 100 por cento”, conta Fernando Duarte que gostaria de levar consigo o apoio da autarquia. “Com o apoio da Câmara, existe logo outro tratamento e outra atenção”, sustenta.

Preparada desde Abril de 2008, esta peça marca uma evolução do grupo: “É uma peça que envolve muito trabalho em relação às outras, porque vai mesmo ao pormenor em termos de cenário e em termos das personagens”, explica Vítor Correia, presidente do GP Jovens Unidos.

Apesar do amadorismo, os personagens tiveram uma performance exemplar e digna de emocionar a plateia. Prova de que dentro do amadorismo o profissionalismo pode existir.

Esta peça de teatro contou com o apoio do Grupo de Jovens Sem Fronteiras, do Muro, que esteve encarregado pela organização.

Cerca de 15 actores tiveram a responsabilidade de levar a palco uma das melhores peças protagonizadas pelo GP Jovens Unidos.

Um grupo de jovens que virou associação

Ao contrário da maioria das associações do concelho, o GP Jovens Unidos evoluiu de um grupo de jovens vocacionado para a vertente cultural, social e recreativa, para uma associação que integrou o desporto.

Actualmente, a associação tem uma actividade que se divide: “trabalhamos de forma independente entre o que é cultural e o que é desportivo”.

Para além do teatro, a colectividade faz, ocasionalmente, outras actividades, como o concurso de carnaval, noites de poesia, concursos de karaoke e colabora ainda com a paróquia, nas missas, nas procissões e são responsáveis de uma Via Sacra ao vivo.

A associação tem ainda um jornal bimensal que, depois de um período em que não foi impresso, voltou a ser reactivado e, “com algum esforço” da direcção, está a tentar dar passos firmes.

No desporto, o GP Jovens Unidos conta com uma equipa feminina que disputa a 2ª Divisão da Associação de Futebol do Porto, outra amadora que joga no concelhio da Trofa e uma equipa de veteranos masculinos que também milita no campeonato trofense.

Cerca de 80 pessoas tentam levar a associação a bom porto, rumo ao “bem-estar da comunidade e para entreter os mais e menos jovens”.