Há uns anos, foram editados alguns livros de auto ajuda, que coincidiu com o período em que estive divorciado. Não foi a leitura de nenhum desses livros que me ajudou a divorciar, mas um deles, quiçá o mais famoso, que comprei e depois de ler verifiquei que foi um engano, serviu de óptima prenda para uma amiga desesperada…eu despachei o livro e ela ficou impressionada, pensando que sou uma pessoa sensível à natureza feminina!

Este livro chama-se “O Segredo”, com muitas páginas que se resumem ao seguinte: Não é preciso agir, apenas pensar convictamente e insistentemente no que se quer. Essa vontade é transmitida ao universo e em troca recebemos a concretização do desejo! Neste ritual há uma regra de ouro: nunca pensar no “não” nos nossos desejos!
Discordo completamente!

Neste período, encontrava-me amiúde, no café, com dois bons amigos, que para não serem identificados vou tratá-los com os nomes alterados, são o Tóó e o ZéTóó. Tínhamos conversas animadas e entusiastas. Quem olhasse para nós, pela pinta, pensava, “Estão a falar de miúdas!”…em 98% dos casos tinham razão! E nos 2% que sobravam, quando entrava uma miúda gira, havia pareceres!

Basicamente as conversas pareciam um jogo de futebol português, muito pontapé na bola e pouco tempo útil de jogo! Mas o pouco que havia entusiasmava-nos e era o que fazia os nossos encontros diferentes!
Eu, o Tóó e o ZéTóó, éramos (e somos), pessoas de agir, mas na altura estávamos em estados de maturação e consciência diferentes. O Tóó e o ZéTóó, tinham uma primeirinha muito boa, mas a custo metiam a segunda, quanto a mim, talvez pelo divórcio recente, ia metendo as mudanças até me “enfaixar”!

Numa dessas conversas falávamos na influência do meio e dos outros em nós mesmos, mas com segurança afirmávamos que tínhamos de ser o agente principal das nossa vidas! Rapidamente chegámos à conclusão que desde a existência da civilização, muita gente falou e escreveu sobre isto…mas não sabíamos o que lhe chamaram!

Numa mesa de café nasceu o “ALTERALISMO”!

Eu, o Tóó e o ZéTóó, criámos algo que sempre existiu, mas não tinha nome…ou se tinha, desconhecíamos!

Após essa descoberta, no aniversário do Tóó, num restaurante do Porto, com cerca de trinta convidados, o aniversariante, sem aviso prévio, chama-me para declarar ao mundo o “ALTERALISMO”! Tóó olhava para mim como o homem de ação, o “James Bond” do “ALTERALISMO”!

O “ALTERALISMO” tal como “O Segredo”, poderia ser editado em livro com 200 páginas, mas também se resume a meia dúzia de ideias, expostas nessa noite memorável…para o aniversariante (começou a namorar)!
Expliquei que não nascemos etiquetados com a história da nossa vida.

Temos de ser o motor dela mesma e assumir o papel principal, avançar e arriscar as portas entreabertas e vencer o medo do caminho estreito!

Mesmo quando o que queremos está para além de uma parede de betão e nos “esborrachamos”, voltamos para trás, tristes, mas quem sabe se não ficaram fendas e a parede de betão um dia vem abaixo!

Toda a gente me ouvia com atenção tal que, enquanto discursava, já pensava em criar uma seita e pedir o dízimo! Nessa noite arranjámos alguns seguidores na esperança de que também eles nos ajudassem a entender isso do “ALTERALISMO”!

Entre esta criação (que já existia!) e o “Segredo”, ou sou ALTERALISTA! 

António Machado, poeta sevilhano, nascido no séc. XIX, escreveu, “Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar!”. Eu, o Tóó e o ZéTóó, criámos o que já existia, o “ALTERALISMO”!