A Assembleia de Freguesia S. Martinho de Bougado ficou marcada pelas interrogações da oposição e populares sobre a situação do cemitério. E enquanto o presidente expunha a actividade da Junta no sector da educação, a eleita do CDS, Maria Emília Cardoso acusava o executivo de "políticas eleitoralistas".

   A questão da lotação do cemitério foi um dos assuntos mais badalados da Assembleia de Freguesia de S. Martinho de Bougado, na qual membros da oposição e habitantes acusaram o executivo de ser "passivo" e não cumprir aquela que era a "bandeira" do presidente quando foi eleito nas autárquicas de 2005.

Filipe Azevedo, membro do Partido Social Democrata, foi o primeiro a questionar o edil sobre os esforços que a Junta tem desenvolvido no sentido de resolver o problema, enquanto que Manuel Sequeira, no período da intervenção do público, acusou José Sá de dirigir uma Junta "amorfa com zero ideias e zero projectos", e que em "três anos não fez nada pela sua bandeira do alargamento do cemitério, o que é preocupante".

Acusando José Sá de "andar a dormir três anos sobre esta questão", Jorge Campos mostrou a sua preocupação de como a Junta de Freguesia conseguirá fazer obras de alargamento num ano, "quando ainda tem que solicitar um parecer à CCDR-Norte, um estudo sanitário e um estudo geológico".

"Não há pessoa mais preocupada do que eu", afirmou José Sá que não deixou de anunciar uma possível resolução que passa por, "inicialmente, alargar o actual cemitério e depois construir um novo". O edil afirmou que na semana passada esteve reunido com o presidente da Câmara para começar a renovação da iluminação "que deverá estar concluída dentro de 60 dias".

O presidente aproveitou também para garantir que "era promessa minha resolver todas as obras para a freguesia só têm razão para me acusar no fim do meu mandato. Até lá ninguém se deve preocupar".

"Desanimadora" foi o adjectivo utilizado por Maria Emília Cardoso, do CDS, para caracterizar a actividade do executivo na freguesia. José Sá deu relevo à realização de melhoramentos do parque infantil da EB 1 da Esprela e da visita dos alunos do 4º ano ao Parque das Nações e Assembleia da República, mas a representante do CDS entendeu a iniciativa como uma política eleitoralista de uma Junta que "anda a passos de tartaruga". Para Maria Emília Cardoso, a Junta devia preocupar-se em dotar as escolas de equipamentos como um computador, aquecedores e quadros electrónicos.

O apoio, segundo o presidente da Junta, "é o necessário", assegurando a satisfação das professoras no final do ano lectivo. "Apoiamos com as obras, mas os equipamentos não temos que ser nós a dar", afirmou o edil que referiu ainda que "as situações para resolver são muitas, mas entendo que o que fazemos não é pouco", exemplificando com a questão dos Paços do Concelho: "Quando alguém queria furtar os terrenos do Parque da Nossa Senhoras das Dores conseguimos resolver a situação e garantir a defesa do património".

No ponto da apresentação da actividade da Junta foi também foi enunciado o apoio às associações de S. Martinho de Bougado e algumas obras em ruas da freguesia, como o alargamento da rua Ramalho Ortigão e a colocação de um tapete na rua Campos Moutinho.

À cerca das obras realizadas, o social democrata Manuel Pontes sublinhou a "grande incapacidade (da Junta) para cumprir o protocolo (de delegação de competências)" assinado com a Camara, ao que o presidente respondeu que "sendo apenas essa verba que consta no protocolo atribuída para esses fins (conservação e limpeza de vias) é difícil arranjar forças para fazer todas as obras que temos realizado, com uma Câmara que não nos deu o subsídio ao contrário do que fez no mandato de Manuel Pontes".

Às habitações degradadas na freguesia, apresentadas por Maria Emília Cardoso, o edil respondeu que a sua resolução "compete à autarquia", assim como todas as questões ligadas ao urbanismo.

José Luís Moreira, tesoureiro da Junta, interveio para esclarecer a eleita do CDS sobre o estudo da utilidade do autocarro para a feira semanal: "Já lhe foi dito que o estudo vai ser feito ao longo do tempo, mas se quer saber gastamos 142 euros por semana de aluguer".

Carlos Azevedo aproveitou o final da Assembleia para mostrar a sua posição discordante com a construção dos Paços do Concelho no Parque Nossa Senhora das Dores. Luís Pinheiro também sublinhou que "em S. Martinho são as pessoas que mandam" e que "ninguém vai construir lá. Não esteja preocupado com isso presidente. Antes pense em apresentar junto da Câmara Municipal aquilo que são os projecto da Junta" concluiu.

Cátia Veloso