jose moreira da silva 

Depois de ter esmiuçado a hecatombe, chegou a vez de efectuar o rescaldo das eleições autárquicas, na Trofa para melhor compreender a postura dos vencedores na hora dos festejos e dos vencidos em tempo de assumirem a derrota. Um excelente exercício para o aprofundamento do Trofísmo que deve impregnar o nosso futuro!

Os vencedores, Joana Lima e o PS, festejaram condignamente a vitória; com alegria e com civismo. O respeito pelos vencidos esteve bem patente na hora dos festejos. Sem críticas desnecessárias e sem ataques pessoais. Viu-se uma festa da vitória com toda a dignidade. Tanto, ou mais importante, do que saber perder é saber ganhar. Estavam lá os Generais e os Capitães, mas também estavam os Sargentos e os Soldados. Estavam lá todos!

Porque o Poder não é, nem deve ser, eterno, é bom que um dia, quando a festa for dos outros, na hora da despedida, haja civilidade e todos estejam com todos e não só a líder com o seu Povo. A ver vamos como se irão comportar, nesse dia, os Generais, os Capitães e os Sargentos. Os Soldados lá estarão. Isso será certo!

Os vencedores das eleições autárquicas na Trofa, souberam ganhar. Também por isso estão de parabéns!

Quanto aos vencidos, Bernardino Vasconcelos e o PPD/PSD, na hora do adeus, para além da tristeza estampada no rosto dos presentes, estava o líder sozinho com a voz embargada. Ao seu discurso, para ser considerado digno, faltou humildade e também faltou aquilo que é óbvio numa situação destas: saudar os vencedores. Como companhia, na hora de assumir a derrota, teve, simplesmente a sua equipa do executivo camarário, a sua família e algum Povo. O Povo estava lá: marcou a sua presença, como quase sempre o faz, em qualquer circunstância!

Quando, naquela noite triste para os vencidos, Bernardino Vasconcelos assumiu a sua derrota e a do PPD/PSD, já não estavam presentes os Generais, os Capitães e os Sargentos. Já deveriam estar bem longe, talvez a meditarem como construir uma ponte que os leve até outro barco que é como quem diz: os leve de novo para dentro do novo Poder. Alguns Sargentos, já apareceram a escrever, em jornais da nossa praça, com palavrinhas mansas e cheias de doçura, a tentarem fazer a tal ponte. Há uma semana atrás diziam cobras e lagartos de quem agora venceu. Hoje, dizem maravilhas de quem sempre atacaram ferozmente. Eles são mesmo assim: mudam-se em função dos ventos. É a atractividade do poder!

A CDU na Trofa não conseguiu um resultado que fizesse eleger alguém para a Assembleia Municipal. Seria interessante verificar o tipo de oposição que Paulo Queirós iria exercer neste contexto de novo executivo camarário. Ao assumir os resultados, que foram maus, não houve dignidade ao assumir a derrota. Pelo contrário, até se mostraram satisfeitos por terem reeleito um elemento numa Assembleia de Freguesia!?! Os comunistas são assim: nunca perdem!

Quanto ao CDS-PP, na hora de assumir a derrota, lá estavam os Generais, os Capitães e os Sargentos. Faltou o mais importante: os Soldados. O Povo não marcou presença. Estava por outras paragens. No discurso da derrota foi dito que se tivesse havido coligação, a Trofa seria de direita. Isso só é verdade na soma matemática. Na contagem de votos não é a mesma coisa, porque uma coligação não é a soma matemática dos partidos coligados. Muitos eleitores de um partido não votam na coligação porque não gostam do outro partido e vice-versa. Uma coligação é quase sempre uma “soma que subtrai”. Sempre assim foi e ninguém, com alguma capacidade política, pode afirmar o contrário!

A Trofa precisa de um Poder e de Oposições muito fortes e credíveis. Todos são importantes. Para bem da Trofa!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt