"Os agricultores devem ter uma atitude pró-activa, orientando a sua produção no sentido das necessidades do mercado." A afirmação foi proferida pelo engenheiro agrónomo e ex-secretário de Estado da Agricultura Carlos Duarte, durante o seminário dedicado ao tema "Uma Estratégia para as grandes fileiras da Agricultura da Região do Entre Douro-e-Minho", que decorreu no Centro de Estudos Camilianos, em Seide S. Miguel, Vila Nova de Famalicão, e contou com a intervenção de diversos especialistas do sector agrícola.

Perante mais de centena e meia de agricultores da região, foram apresentadas as estratégias para a produção e comercialização do kiwi, flores de corte, vinho verde, leite e horticultura – consideradas as grandes fileiras da agricultura do Entre Douro e Minho. O seminário foi organizado pela empresa Espaço Visual, com o apoio da Câmara Municipal de Famalicão.

O organizador do seminário, José Martino, disse que "o negócio do kiwi está adaptado ao Entre Douro e Minho", sublinhando que a tecnologia permite produzir 30 toneladas por hectare, o que supera a produtividade nacional, de  11 toneladas/hectare. "Trata-se uma cultura rentável que gera cinco a sete mil euros por hectare", sublinhou, frisando que, a mais valia desta fileira de negócio está na produção.

José Martino preside à Associação Portuguesa de Kiwicultores e gere a empresa Espaço Visual, entidades que, em  cooperação com a Câmara de Famalicão, realizou o seminário denominado "Uma Estratégia para as grandes fileiras da Agricultura da Região do Entre Douro-e-Minho".

O empresário salientou que, do debate, surgiram ideias que podem ser incorporadas nos Planos Estratégicos de Fileira Regionais que a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte está a elaborar – no âmbito da discussão pública sobre o Plano de Desenvolvimento Regional, que decorre na próxima semana. Afirmou que a Associação dos Floricultores de Portugal, criada em Janeiro de 2007, "já elaborou um Plano Estratégico para a Sub-Fileira da Flor de Corte para tornar mais eficazes as ajudas financeiras do Plano do PDR".

"A floricultura é rentável, mas necessita de objectivos regionais para 2013 que passam pela diminuição drástica das explorações inferiores a um hectare", sustentou. Disse que "é fundamental tornar 50 por cento das explorações – em número e em área – tecnologicamente especializadas", propondo que "os investimentos em novos projectos só sejam elegíveis com o mínimo de um hectare por cultura, e com controlo ambiental".
Considera que "a comercialização deve passar por estruturas grossistas cujos planos de negócio sejam financiados pelo PDR e as empresas tenham a participação do capital de risco". "O consumo em Portugal da flor de corte nacional pode crescer 50 por cento e o valor das exportações tem condições para duplicar", afirmou.

Sobre o vinho verde, acentuou que se impõem, a melhoria de rentabilidade em todos os elos da fileira: produção, vinificação e comercialização. Sublinhou que, com este objectivo, foi recentemente criada a "Viniverde" uma sociedade comercial cujos sócios são 10 adegas cooperativas da Região dos Vinhos Verdes. Os participantes – acrescentou – defenderam, ainda, que o PDR deve contemplar ajudas ao investimento à adaptação das instalações das explorações bovinas de forma a que cumpram a legislação. Constataram, também, que a horticultura tem condições naturais, de mercado interno e externo, para se desenvolver na região: "Há oportunidade, pela produção existente em Famalicão e no chamado Baixo Minho, para se lançar uma central hortícola promovida pela Frutivinhos, a cooperativa agrícola de Famalicão" , afirmam a concluir.

Na sessão de abertura do seminário, o Director Regional Adjunto de Agricultura e Pescas do Norte, António Ramalho, salientou "as potencialidades da região na produção das novas fileiras propostas". Para este responsável, "é importante que o agricultores sejam ambiciosos, procurem novos caminhos e apostem em produtos realmente competitivos comercialmente", como é o caso do kiwi, flores de corte, vinho verde, leite e horticultura. António Ramalho referiu ainda que o objectivo é "até 2013, ano limite do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), tornar a agricultura mais produtiva e mais competitiva, com maiores cotas de mercado e um rendimento económico mais elevado". Neste âmbito, o responsável salientou a importância das ajudas financeiras do Plano de Desenvolvimento Rural, que agora é gerido a nível regional.

O vereador das Feiras e Mercados da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Ricardo Mendes, que também marcou presença no seminário, destacou "a juventude e o dinamismo dos agricultores do município na promoção de uma agricultura de mercado, competitiva e estratégica".

Moderado pelo director adjunto do jornal "Público", Manuel Carvalho, o seminário ficou ainda marcado pela apresentação do negócio do Kiwi, a cargo do sócio gerente da empresa Kiwi Greensun, Vítor Araújo, e da apresentação do Plano Estratégico para a Flor de Corte, um negócio em expansão e com grandes potencialidades na região, pelo Presidente da Direcção da Associação dos Floricultores de Portugal.

VINIVERDE GERE VINHO VERDE DA REGIÃO

Ao engenheiro agrónomo e ex-secretário de Estado da Agricultura, Carlos Duarte coube a apresentação das perspectivas para as fileiras do vinho verde e do leite. No âmbito do vinho verde, Carlos Duarte avançou com a novidade da criação de uma sociedade comercial, a Viniverde, que agrega dez cooperativas produtoras de vinho verde e que faz a gestão da produção do vinho desde a vindima à comercialização. Esta entidade que já elegeu uma Comissão Instaladora pretende "apoiar os produtores de vinho na gestão da marca com vista ao seu crescimento e penetração no mercado interno e à internacionalização", salientou o responsável.

Carlos Duarte adiantou que "a região do Entre Douro-e-Minho tem 33 mil hectares de vinhas, pertencentes a 31 mil produtores, que produzem cerca de 100 milhões de litros de vinho, por ano". "É um património da região, que devemos aproveitar e saber orientar para o mercado", acrescentou.

O ex-secretário de Estado da Agricultura considerou ainda que "é imprescindível para a região o aproveitamento do novo Quadro Comunitário para a manutenção de fileiras de outros produtos agrícolas ou agro-pecuários, como o leite, horticultura e floricultura", adiantando que "a agricultura e a agro-indústria representam mil milhões de euros anuais de receita no Minho".

No que diz respeito à produção de leite, o responsável salientou que "os produtores da região do Minho têm mostrado ao país que é possível produzir muito e com muita qualidade".