“Foi uma época de aprendizagem que serve para o futuro”

Agostinho Lima fez um balanço da época, em entrevista ao NT, e falou das dificuldades que atravessou durante a época e da relação com os adeptos. Quanto à continuidade no comando técnico do Bougadense, o treinador afirmou que ainda é “tabu”.

 Depois de ter conseguido subir os juniores à 1ª Divisão Distrital e ter assegurado a manutenção da equipa sénior na recta final da época passada na Divisão de Honra, Agostinho Lima não conseguiu repetir o objectivo e o Bougadense foi uma das quatro equipas que desceram à 1ª Divisão distrital.

Para Agostinho Lima “era mais fácil” sair depois de ter conseguido duas metas importantes para o clube, mas o carácter “ambicioso” do treinador fê-lo abraçar, pela primeira vez, o cargo de treinador principal de uma equipa sénior.

Em entrevista ao NT, Agostinho Lima afirmou que optou por dar continuidade ao trabalho, mesmo sabendo que o grau de dificuldade era “muito grande, devido às obras estruturais que o clube tinha feito no recinto, que obrigou a despesas elevadas e à consequente redução do orçamento para metade”

“Aceitámos todos os riscos que pudessem ocorrer e lutamos até à última jornada, só que não foi possível derivado à inexperiência de alguns jogadores”, afirmou.

Para este desfecho muito contribuiu uma primeira volta pouco produtiva, na qual a equipa apenas conseguiu dez pontos. A equipa preparada para a temporada foi feita com base num “orçamento reduzido, em que não era possível recrutar jogadores mais experientes que são os que ganham mais”.

“Com a contenção de despesas optámos por uma base de jogadores formados nos escalões do Trofense e do Bougadense e aceitámos correr riscos, porque sabemos que não é fácil jovens, que disputam escalões inferiores, ombrearem com equipas que têm jogadores experientes que, com o final da carreira, descem da 2ª ou 3ª divisões nacionais”, acrescentou.

Durante toda a temporada as dificuldades, segundo o técnico, foram “sempre muitas”, devido à inexperiência dos jogadores que tiveram que jogar com outros que contam “com quase dez anos de Divisão Honra”. Mesmo assim, o técnico louvou a atitude dos jovens que “lutaram e correram muito”.

A época quase se salvava com uma segunda volta bem mais pontuada. O Bougadense conseguiu mais do dobro dos pontos (24) que conseguiu na primeira volta, fruto da reestruturação que a equipa sofreu. “Alguns jogadores foram embora porque não aceitaram a proposta de trabalharem apenas para a convocatória, devido à contenção de despesas do clube, e então tivemos que fazer uns reajustes e acabaram por me dar jogadores que eu tinha pedido inicialmente e conseguimos uma segunda volta muito boa, mas não foi suficiente, porque as outras equipas lutaram com outras armas, porque alguns nos últimos dez jogos ganharam oito, o que em circunstâncias não acontecia”, explicou.

 

Adeptos são livres de criticar”

A relação com os adeptos, ao longo da temporada, não foi sempre pacífica, mas as manifestações, umas vezes positivas e outras negativas, são apenas um espelho do que acontece em todo o lado, considerou Agostinho Lima, que afirmou que “se um treinador ganha é um herói, mas se perde não vale nada”.

A postura do técnico foi sempre a mesma, nunca se manifestando contra as reacções dos espectadores. “Eu não tive problema nenhum com os adeptos, porque eles são livres de criticar. No meu local de trabalho apenas me limito a ouvir e se eu andei toda a época a pedir aos meus jogadores para serem correctos e disciplinados, como treinador não podia faltar ao respeito a ninguém. Tenho consciência de que demos tudo e se não demos mais foi porque não tivemos pudemos”, referiu.

Apesar da descida, o balanço feito por Agostinho Lima e o seu adjunto Pedro Ribeiro “é positivo”, pois foi “uma época de aprendizagem que serve para o futuro”. O treinador reconheceu que devido à inexperiência da equipa técnica e jogadores “cometeu-se um erro aqui ou ali”, mas isso “faz parte e até os grandes campeões erram”.

Agostinho Lima afirmou que está “optimista”, porque assume-se convicto de ter feito “um trabalho digno”. “Não é por acaso que há jogadores que querem trabalhar connosco na próxima época e não é por acaso que a direcção nunca nos dispensou, porque sabia o trabalho que estava a ser feito”, frisou.

 

Continuidade ainda é “tabu”

O futuro ainda é uma incógnita para Agostinho Lima que afirmou que a sua continuidade no comando técnico do Bougadense mantém-se um “tabu”. Sobre o assunto, o treinador apenas afirmou que sentiu “orgulho de trabalhar com eles, jogadores muito dignos e profissionais que foram muito honrados, mesmo com algumas dificuldades no que respeita a ordenados em atraso que houve a certa altura da época, mesmo assim nunca pediram nada, apenas que os ajudassem em termos de apoio, porque o dinheiro era secundário”.

 

Neste futebol distrital há muita coisa que joga por fora”

 

Pedro Ribeiro acompanhou Agostinho Lima na entrevista que o treinador fez ao NT e nunca se pronunciou até este terminar. Depois de alguma hesitação, o adjunto de Lima não resistiu em fazer um balanço da época e apelar “para que o futebol seja mais justo”. “Neste futebol distrital há muita coisa a jogar por fora e se não for justo as pessoas afastam-se. Temos que ter a ideia de que no futebol existem três resultados, a derrota, o empate e a vitória, e as três equipas que entram no campo têm que sair do campo de cabeça erguida e com dignidade”, afirmou.

O técnico-adjunto referiu que “toda a gente erra”, referindo-se a jogadores, treinadores e direcção, mas “falta as pessoas irem para o futebol com espírito desportista, porque não passa disso, de um jogo”.

Pedro Ribeiro afirmou que o Bougadense podia ter saído do campeonato com 41 pontos, mais um que os clubes que ficaram acima da linha de água somaram, não fosse algumas decisões da arbitragem. “Nesta segunda volta tivemos um Rio Tinto-Bougadense, em que aos 93 minutos o Rio Tinto fez o golo do empate na sequência de uma falta nítida, ficaram dois pontos para trás. Em casa com o Ataense, ganhámos 4-2 (dois golos anulados), mas o resultado foi um empate de 2-2, mais dois pontos que tiraram ao Bougadense. Depois o jogo com o Perosinho em que estávamos a ganhar por 1-0, o árbitro deu quatro minutos de desconto e o Perosinho marcou o golo do empate aos 98. No último jogo em casa estávamos a perder por 2-1 e há um ‘penalty’ nítido a nosso favor. Com isto tudo fazíamos sete pontos, ou seja 41 no total”, explicou. Por tudo isto, Pedro Ribeiro afirma que a equipa e a direcção “saem de cabeça erguida, independentemente de descer de divisão”.