O título escolhido por Agostinho Gonçalves para o seu livro não deixa margem para duvidas e a história, bem verídica, bem poderia ser o mote para o guião de um filme com uma história da vida real.


Para se conhecer O Homem e a Sua Obra, a leitura do livro que escreveu a contar a sua vida desde a infância até aos dias de hoje, é imprescindível. Agostinho Gonçalves iniciou o seu percurso profissional ainda criança pois a vida assim obrigou.
Oriundo de uma família que vivia do seu trabalho, numa época muito difícil, fez com que o empresário tivesse de cedo se agarrar ao trabalho. Depois de várias atividades profissionais Agostinho Gonçalves compra a sua “quota de 20 por cento da firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda.” tornando-se assim sócio de uma empresa de produtos alimentares. Porém, corria o ano de 1988 quando as relações entre os sócios, e sobretudo com o gerente principal – Diamantino Branco -, se deterioram e Agostinho Gonçalves concretiza a vontade de sair da Sociedade.

Diamantino Branco que, “apesar de ter transmitido a sua quota de sócio maioritário na firma aos seus dois filhos no ano de 1986, continuou nos anos seguintes como gerente principal dessa Sociedade, mantendo sempre todos os poderes para sozinho vincular e decidir em nome da mesma, e constituindo-se como o principal foco do mau ambiente instalado”.
“No ano de 1989 interpus uma acção para Inquérito Judicial à Prestação de Contas da firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda., relativas ao ano de 1988 (Proc. n.° 196/89 do Tribunal Judicial da Comarca de Santo Tirso). Em 31 de Março de 1994, decorridos mais de cinco anos desde a Assembleia-Geral de 6 de Dezembro de 1988, que ditou o fim da minha colaboração nesta firma, numa fase em que no mercado já era voz corrente que a firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda. se encontrava numa situação económico-financeira muito difícil, e atendendo a que as inúmeras manobras para me afastar da Sociedade ‘a custo zero’ não surtiram efeitos, por sucessivas decisões do tribunal, num golpe teatral dos sócios maioritários, e do gerente principal da referida Sociedade, apresentaram participação criminal contra mim, assim como contra Luís Gabriel Marques Gomes Pinheiro, Maria Cândida Costa e Silva e Ana Paula da Silva Azevedo, outrora funcionários da aludida Sociedade”, contou Agostinho Gonçalves

E mais esclareceu que o momento e o objeto desta participação criminal não deixa de ser contraproducente a vários níveis. Desde logo, pelo facto de ter sido o próprio Agostinho Gonçalves a mover no início de Janeiro de 1989 uma ação contra a firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda. no Tribunal Judicial da Comarca de Santo Tirso, à qual foi atribuído o n.º 1/89, com o objetivo de anular a deliberação da Assembleia Geral de 06 de Dezembro de 1988, deliberação essa que visava precisamente a exclusão de Agostinho Gonçalves da gerência daquela Sociedade. E esta foi apenas a 1ª ação de um total de 11 ações judiciais que Agostinho Gonçalves moveu, entre os anos de 1989 e 1993, contra as sucessivas deliberações sociais que aquela Sociedade tomou após a sua saída, sempre com o objetivo como afirma de “acautelar a verdade contabilística e os meus próprios interesses”.

Com retórica, Agostinho Gonçalves coloca a questão, se ele tivesse feito algo de errado enquanto foi sócio-gerente da firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda. porque é que o próprio iria de imediato e por sucessivas vezes interpor ações em Tribunal para que precisamente a verdade dos factos fosse preservada?
Mas foi em 31 de Março de 1994 que Agostinho Gonçalves foi surpreendido com uma queixa-crime. “Mais de cinco anos passados após a minha saída, a firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda. veio então com esta queixa-crime, baseada numa conveniente seleção de levantamentos e/ou depósitos de cheques por mim efetuados, assim como de vales de caixa da Sociedade, alegadamente por mim mandatados. Tudo isto foi cuidadosamente preparado. Não apresentaram em tribunal os registos que constavam da contabilidade e dos livros da firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda. relativos aos destinos de tais importâncias”


Em 19 de Outubro de 1995 dá-se o 1.º arquivamento do processo. Insatisfeitos com todas as explicações prestadas por Agostinho Gonçalves e com o despacho de arquivamento do Ministério Público, os mesmos autores pediram a reabertura do Processo-crime em 21 de Novembro do mesmo ano. Agostinho Gonçalves afirma que “fiz questão de voltar a explicar tudo ponto por ponto, juntando sempre documentos de prova, para que a nova Delegada do Ministério Público não ficasse com qualquer dúvida”. E a 2ª ordem de arquivamento do processo repete-se em 25 de Outubro de 1996, num despacho com uma extensão de 50 páginas. Não obstante, adianta Agostinho Gonçalves, “em 4 de Dezembro de 1996 é apresentado recurso deste (2.º) despacho de arquivamento para o Tribunal Judicial de Santo Tirso, com tal Tribunal a decidir pelo arquivamento definitivo do processo no ano 2000, sem pronunciar sequer os arguidos pela prática do crime imputado no requerimento de abertura de instrução”.

O livro de três centenas de páginas apresenta documentos que fizeram parte deste processo, e alguns deles foram “por engano entregues ao perito de Agostinho Gonçalves e foi dessa forma que se conseguiu defender em Tribunal.”
Conforme já referido, no ano de 1989, o próprio Agostinho Gonçalves interpôs uma ação para Inquérito Judicial à Prestação das Contas da firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda. relativas ao ano de 1988 (Processo n.º 196/89) e “foi no âmbito deste processo que o Tribunal constituiu uma Comissão composta por 3 peritos: Sério Lourenço em representação da firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda., um perito em minha representação e, ainda, um outro perito nomeado pelo Tribunal. Quando essa Comissão se reuniu pela primeira vez nas instalações da firma, para iniciar a peritagem à contabilidade, Sério Lourenço surpreendeu os outros peritos, afirmando que não dispunha de documentos que possibilitassem a prossecução dos trabalhos a que a Comissão se destinava”. Mas, “nesta mesma reunião, Sério Lourenço abordou o perito que me representava e entregou-lhe um dossier com papéis manuscritos pelo próprio, dizendo-lhe ‘o seu cliente tem de explicar uma série de saídas de dinheiro’ ”.


Como o próprio Agostinho Gonçalves afirma, “foi Deus que me ajudou. Numa análise mais cuidadosa desses papéis, comecei a encontrar apontamentos escritos pelo punho do próprio perito da firma – Sério Lourenço – a indicar o destino dessas importâncias. Nesse momento percebi que o perito, decididamente sem querer, tinha entregado ao meu perito um dossier diferente daquele que tinha real intenção de entregar, para obtenção de explicações (não existem crimes perfeitos). Suspirei e agradeci a Deus o que estava a ver com os meus olhos, porque sem esta ajuda inesperada e inestimável eu estaria perdido!”. O perito Sério Lourenço tinha acabado de lhe entregar a contabilidade real da firma, com as verdadeiras respostas para os “destinos das importâncias”, que totalizavam cerca de 51 mil contos, e que de acordo com a queixa-crime teriam sido apropriadas por Agostinho Gonçalves em proveito próprio. “Curiosamente, este foi o mesmo montante que o gerente principal tinha combinado comigo antes da minha saída da Sociedade, montante que nunca me chegou a ser pago. Se, por ventura, o preço combinado fosse maior, não estranharia que o montante da queixa-crime também fosse superior”.
Agostinho Gonçalves classifica esta fase como a “fase mais difícil da minha vida, devido aos obstáculos que tive de ultrapassar” pois apesar do esforço que despendeu na realização de projetos como a SANER “ainda me sobrou força e coragem suficientes para lutar contra injustas acusações, movidas por gente sem caráter, capaz de tudo, que tentou denegrir a minha imagem e destruir o meu bom nome”. E remata expressando que “Deus é grande e eu sou um homem de fé. Sou um homem de sorte. Felizmente, após 12 anos de luta em Tribunal, a justiça reconheceu a maldade de tais acusações e deu como provado o sentido da razão e da verdade que me assistiam”.
Agostinho Gonçalves decidiu que ao fim desses 12 anos de luta judicial era hora de parar. Porquê?
“Eu estava cansado de andar em tribunais! Até ao início deste processo, eu não tinha qualquer experiência em tribunal. Por isso, decidi desistir dos tribunais e dedicar-me totalmente aos meus negócios. Naquele momento, no ano 2000, eu não poderia ter a certeza do resultado da decisão que estava a tomar. Hoje não tenho dúvidas. Foi a melhor opção que fiz!”
Agostinho Gonçalves não tem dúvidas de que “se, obsessivamente, tivesse optado por prosseguir em tribunal contra quem engendrou tão maliciosa queixa, atendendo à velocidade a que por vezes a Justiça funciona, provavelmente ainda hoje por lá andaria. Por outro lado, o tempo entretanto decorrido, desde o meu afastamento da firma Branco, Regueiras & C.ª, Lda. até à conclusão de todos aqueles processos judiciais, fez com que essa firma passasse de uma situação económico-financeira estável para um processo de falência, no ano de 1998, acumulando um passivo superior a 500 mil contos. Assim, é para mim evidente que, no termo de toda esta luta sem precedentes, eu só tinha um caminho a seguir: dedicar-me a 100% aos negócios.”

Com o sentimento de “missão cumprida” no que respeita ao esclarecimento da verdade sobre a sua saída da firma Branco, Regueiras & C.ª Lda., mas também com o intuito de dar a conhecer a restante história da sua vida e o percurso trilhado pelas suas empresas até à atualidade, o empresário decidiu lançar esta obra e disponibilizá-la gratuitamente a quem estiver interessado. O leitor poderá ficar a conhecer toda a “trama” do “filme da vida real deste empresário da Trofa”, assim como os mais de 30 anos de vida do projeto empresarial da SANER e as dificuldades, vicissitudes e sucessos do empresário Agostinho Gonçalves, através da solicitação de um exemplar diretamente na SANER, ou através da consulta dos vários exemplares que o empresário decidiu oferecer às bibliotecas municipais e escolares do concelho da Trofa, assim como às associações e outros espaços públicos e privados do território1

1 Município da Trofa, União das Freguesias de Bougado (S. Martinho e Santiago), Bibliotecas da Escola Secundária da Trofa e da EB 2/3 Prof. Napoleão Sousa Marques, B.V. da Trofa, AEBA, APPACDM, ASAS, ASCOR, Assoc. Muro de Abrigo, Lar Padre Joaquim Ribeiro, Centro Social e Paroquial de S. Mamede do Coronado, Núcleos da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa e do C.N.E., Misericórdia da Trofa, Galerias Araújos, Carpisegur, Sapataria da Capela (Fernando Ferreira).