O ano de 2005 não foi propriamente um ano fácil para os portugueses. Persistem os sinais de estagnação económica e a tão ansiada retoma económica está a tardar.

A crise económica que se abateu sobre o mundo, com especial incidência sobre a Europa, onde se situam os nossos principais parceiros económicos, reflecte-se com grande intensidade em Portugal.

A nossa estagnação económica (já não falamos de recessão) tem muito a ver com o tipo de indústria existente no nosso país. As nossas indústrias são, em boa medida, concorrentes com os países de mão de obra barata e só com um grande desequilíbrio de produtividade, ou uma boa diferença na qualidade dos produtos fabricados, nos permitirão ser competitivos relativamente aos baixos custos de mão de obra dos países onde as pessoas são exploradas de modo inadmissível.

A globalização, ou o liberalismo inconsequente, que interessa aos maiores grupos económicos à escala mundial, nunca pode trazer nada de bom. Historicamente, o liberalismo já provocou prejuízos suficientes aos países mais pobres e às famílias, razões suficientes para que fosse rejeitado, o que virá a acontecer a prazo.

Não consigo vislumbrar que governos da área do socialismo democrático e da social democracia continuem a encontrar motivos para se deixarem deslumbrar por teorias económicas que já deram historicamente provas de provocarem grandes desequilíbrios e grandes injustiças.

Mas, voltando a Portugal e aos portugueses, é meu entendimento que a nossa crise económica foi substancialmente agravada num passado ainda recente e é necessário, mais do culpar os governos anteriores, encontrar soluções que nos permitam encarar o futuro com mais optimismo.

Na minha modesta opinião, o Primeiro-Ministro encarou os problemas de frente. É decidido, condição essencial para se governar um país, e começou a tomar medidas.

Algumas das medidas tomadas não agradam a muitos. Eu próprio, militante do Partido do governo, tenho reservas em relação a algumas medidas, mas não podemos ignorara que é um governo corajoso, capaz de mexer com interesses instalados, e quantas vezes não justificados, e corrigir injustiças de anos.

O governo não se tem limitado a impor sacrifícios aos mesmos de sempre. Temos de reconhecer que o actual governo atingiu algumas classes menos vulneráveis às crises económicas e obrigou-as a dar o seu contributo para a solução dos défices orçamentais.

Problemas, como a sustentabilidade da Segurança Social, atingiram uma gravidade tal que não deixou espaço para que o governo estudasse muito tempo o assunto. Pelo contrário, teve que actuar rapidamente, sob peba de o sistema falir em pouco tempo.

Sempre critiquei que o combate ao défice se fizesse com cortes cegos. Entendi sempre que há investimentos que permitem, para além do desenvolvimento necessário e urgente, uma animação económica que permite criar riqueza e combater o flagelo dramático e injusto do malfadado desemprego.

É por estas razões que aplaudo as recentes decisões do governo de investis na rede ferroviária e nas infra-estruturas aeroportuárias. Vai promover emprego e o desenvolvimento económico tão necessários a um país que quer sair da crise.

Estou moderadamente optimista para 2006, tanto mais que os investidores que gerem as expectativas estão a demonstrar optimismo moderado, como pode observar-se pelas moderadas subidas dos títulos e dos índices da Bolsa de Valores.

 

 

P.S. – O Natal está à porta. Quero desejar a todos, proprietária, Directora e colaboradores d’ O Notícias da Trofa, a todos os leitores e aos meus conterrâneos, uma quadra festiva muito feliz e que o novo ano permita a realização dos sonhos de todos e de cada um.

 

 

 

Afonso Paixão