A ADAPTA promoveu um colóquio sobre a gestão de resíduos sólidos urbanos na região do Vale do Ave, e que tinha como objectivo aprofundar a reflexão em torno desta problemática perspectivando cenários futuros e estratégias de intervenção. A iniciativa teve lugar no Salão Nobre da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, no passado dia 5 de Julho.

  Que tecnologias de tratamento de resíduos são as mais eficazes, para onde são direccionados os RSU´s do Vale do Ave ou qual a situação actual dos Aterros Sanitários, foram algumas das questões discutidas no colóquio organizado pela ADAPTA – Associação para a Defesa do Ambiente e do Património da Região da Trofa, cujo tema era "Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU's) no Vale do Ave".

Considerando o colóquio "muito importante", em declarações ao NT, o presidente da ADAPTA, Manuel Silva, referiu que esta  iniciativa permitiu "sentir de perto as preocupações e também documentar melhor para tomar posição sobre algumas questões que é necessário resolver sobre esta temática".

No colóquio, Isabel Guimarães, técnica da CCDR-Norte, expôs alguns problemas que o norte do país atravessa em relação à deposição de resíduos. "As lixeiras desapareceram, felizmente, já que eram um dos podres do país. Como melhor estratégia optou-se pela construção de aterros e o Vale do Ave foi pioneiro dessa nova medida, como afirmou a técnica. Contudo agora esta região está a pagar por ter começado cedo demais, porque as tecnologias e as soluções que foram encontradas estão esgotadas neste momento, ou seja, os aterros estão cheios e não há dinheiro para mais. Acabou-se o financiamento público para incineradoras também e quem quiser construir estes equipamentos terá que os pagar. Se continuarmos assim no futuro podemos ter a certeza que iremos pagar muito mais pelo lixo", alertou Manuel Silva.

Contudo várias entidades estudam a hipótese de reabrir o aterro de Ervosa, para tentar escoar milhares de toneladas de lixo, que não têm destino. Manuel Silva referiu que esta reabertura "obriga a que sejam feitos estudos claros e que dêem a garantia que as coisas do ponto de vista técnico e ambiental serão cuidados", acrescentando o perigo que isto implica, pois "este aterro foi feito para determinada quantidade de resíduos e neste momento está esgotado. Vão colocar mais lixo na estrutura que já existe. Exigimos, por isso, que haja um estudo de impacte ambiental e que a AMAVE tenha esse tipo de abertura com a ADAPTA". Ainda sobre este assunto, Manuel Silva referiu que, "se a AMAVE quer que a ADAPTA seja parceira neste processo, tem que ser mais transparente e perceber que nós não aceitaremos uma solução que não tenha em sede de estudo de impacte ambiental garantidas as condições de que o aterro a funcionar durante mais dois anos irá funcionar no respeito mínimo das normas ambientais. Queremos ainda que isto seja submetido a debate público, pois os cidadãos têm o direito e o dever de acompanhar", sublinhou.

O presidente considera que, agora, a única política viável é "reduzir ao máximo, produzir menos, separar o possível para reciclagem e fazer a compostagem de orgânicos". Redução e valorização, para o presidente, são as palavras-chave do futuro: "é muito importante que, o que não seja reciclado vá para uma unidade de valorização energética", garantindo que "em Portugal estamos muito aquém em matéria de reciclagem" e é premente que "as próprias associações de municípios se juntem, para encontrar as melhores soluções. É necessário apostar muito na sensibilização das pessoas e também é importante que os poderes públicos dêem sinais de contenção de despesas, por exemplo, com empresas desta área" concluiu o presidente.