Maria Cândida Fernandes e o filho Adriano Maia, de Cedões, Santiago de Bougado, foram duas das oito pessoas colhidas por um carro que terminava a prova no Rally Sprint de Guimarães, no domingo.

Cinco dias depois, ainda se tenta encontrar explicações para o desfecho trágico do Rally Sprint de Guimarães, na rampa da Penha. Já depois da meta, o quarto carro a participar na prova, conduzido por Hélder Macedo, entrou em despiste e colheu oito pessoas. Duas delas, residentes em Cedões, Santiago de Bougado. Maria Cândida Fernandes, de 48 anos, e Adriano Maia, de oito, esposa e filho do piloto Joaquim Maia, acompanhavam-no para assistir à prova, quando o pior aconteceu.

O Renault Clio desgovernado passou a centímetros de Joaquim, mas Maria Cândida e o pequeno Adriano, aficionado pelo automobilismo, não tiveram a mesma sorte e acabaram traídos pelo destino, junto ao santuário da Lapinha.

Tudo aconteceu quando a família se dirigia para uma zona do percurso para assistir à prova, depois dos pedidos insistentes de Adriano, uma vez que Joaquim Maia desistiu de participar por não ter o carro em condições para competir.

O funeral realizou-se na terça-feira e juntou várias centenas de pessoas, na Igreja Nova de S. Martinho de Bougado. As missas de sétimo dia decorrem pelas 19 horas de sábado em S. Martinho, outra realiza-se pelas 12 horas de domingo, em Santiago de Bougado e uma outra na igreja do Muro na terça-feira, às 19 horas.

Das oito pessoas atingidas, resultou mais uma vítima mortal, Bruno Lopes, de 13 anos, residente em Abação, Guimarães. Foram ainda socorridos dois feridos graves, uma mulher de 19 anos e um homem de 40, e outros dois feridos ligeiros. Hélder Macedo, de 32 anos, e o navegador Marco Mota, de 21 anos, ficaram em estado de choque e foram, igualmente, transportados para o hospital.

A violência do embate e os gritos de pânico impressionaram o público no local e a intervenção imediata de uma enfermeira que assistia ao Rally terá sido muito importante para manter a calma entre a assistência.

Houve elementos do público que lamentaram a demora dos meios de socorro, no entanto, Joaquim Oliveira, segundo-comandante dos Bombeiros de Guimarães assegurou que a assistência foi rápida e que “para quem espera, parece sempre muito tempo”.

O rali, que estava a começar, foi, de imediato, suspenso. O Governo e a Câmara Municipal de Guimarães enviaram as condolências às famílias, o Ministério Público abriu um inquérito para apurar as causas do acidente e a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting criou uma comissão de inquérito para “apurar responsabilidades”.

Já o diretor do Rally assegurou à comunicação social que na zona do acidente “estava tudo bem sinalizado e a segurança assegurada”.

A Guarda Nacional Republicana tomou conta da ocorrência e esteve no local a recolher vestígios do acidente.

Depois do sinistro foram mobilizadas oito ambulâncias – cinco dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, duas dos Bombeiros de Vizela, uma dos Bombeiros de Fafe -, três Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação e um Helicóptero do INEM, que também enviou uma equipa de apoio psicológico.

O Rally Sprint de Guimarães, clube inscrito na Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, é a sexta e última prova do Troféu Inter-Municípios do Norte e a quarta organizada pelo Motor Clube de Guimarães (MCG).