O dia do nascimento de Nossa Senhora (ou natividade de Maria) tem um significado especial para a Santa Casa da Misericórdia da Trofa, pois marca também a data de fundação da instituição, que este ano assinalou o 15.º aniversário. As celebrações foram feitas, na segunda-feira, com uma cerimónia religiosa e solene, que juntou a irmandade e mereceu a visita do bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos.

Depois de uma receção calorosa por parte dos utentes do lar, com direito a música personalizada, o responsável pela diocese presidiu à Eucaristia que contou com a presença do vigário da vara Trofa/Vila do Conde, Luciano Lagoa, do pároco Bruno Ferreira, dos padres Xavier Dias, Gaspar e Alberto Vieira e do diácono permanente João Alves.

Na parte final da celebração, foram entronizados 11 novos irmãos. Trata-se de personalidades conhecidas da sociedade trofense, envolvidos em diversas áreas, como negócios, ação social e educação. “Perante Dom António Francisco, Bispo do Porto, Carlos Silva, Domingos Carneiro, Filipe Azevedo, José Magalhães Moreira, Maria Emília Cardoso, Maria Helena Fontes, Pedro Sousa, Pedro Silva, Pedro Carneiro, Ricardo Carneiro, Rui Alves, Filipe Manuel Machado e Jorge Alberto Casais, assumiram o compromisso de “praticar as obras de misericórdia, ajudando e aceitando desempenhar, com empenho e dedicação, os trabalhos solicitados” para “servir quem precisar”.

Seguida da Eucaristia, decorreu uma sessão solene, na qual foram condecoradas outras personalidades e empresas, pela “ajuda” concedida à Santa Casa, colmatando “as necessidades”, que não são comparticipadas pelo Estado e permitem “responder a muitas situações problemáticas do concelho”, explicou o provedor Amadeu Pinheiro. Receberam a medalha de reconhecimento – grau ouro – Maria Júlia Padrão, Manuel Pontes, Daniel Figueiredo, Henrique Soares, Filipe Vila Nova, Agostinho Gonçalves e a Farmácia Trofense. A empresa Ferespe e o grupo Proef foram agraciados com o crachá – grau ouro. Os fundadores das duas entidades, Jorge Casais e Eurico Ferreira, respetivamente, também mereceram um retrato, que está exposto na instituição.

Já o galardão mais alto da Misericórdia, o colar – grau ouro-, foi entregue à família “Carriço”, pela doação da Associação de Solidariedade Social Imaculada Conceição, em 2002, onde atualmente está sediada a instituição.

Alfredo Gomes “Carriço”, filho, recebeu a condecoração e não conteve a emoção. Em entrevista à TrofaTv e ao NT, admitiu que “a condecoração é um sinal de reconhecimento” do que a família tem feito em prol da instituição, mas “não é o mais importante”. “O mais importante é o que temos cá dentro”, salientou, antes de descrever o sentimento decorrente da dádiva. “Quando mais damos, mais recebemos. Nós temos que ter a consciência de que não damos nada do que é nosso. Ainda ficamos com uma parte. Tenhamos a consciência e o prazer de, quando olharmos para trás, ter obra feita e prazer de participar nessa obra. As condecorações, são sinais de que estamos vivos, mas temos que continuar a trabalhar, a ser os mesmos e a merecer o crédito que a sociedade nos dá”, asseverou.

Alfredo Gomes afirma que o pai, com o mesmo nome, tinha o lar da Imaculada Conceição “a expensas da família” e “sem qualquer subsídio da Segurança Social”. “O meu pai punha lá os mais pobres. Hoje, o meu pai vê esta instituição com satisfação e entusiasmo, como quando vemos os filhos crescer, tornando-se adultos e um exemplo para a sociedade”, descreveu.

Dom António Francisco dos Santos elogiou “o trabalho imenso” desenvolvido pela Santa Casa trofense que “acompanha o ritmo e o dinamismo do concelho” e faz parte do rol de instituições que se “enraízam na vivência das obras de misericórdia do Evangelho”. “Que de melhor podemos dar ao mundo, à Humanidade, que não esta forma tão bela de realizar as obras de Misericórdia, estando atentos aos mais frágeis, aos mais pobres e aos que mais sofrem”, afirmou o bispo do Porto, que destacou ainda a “criatividade de respostas” dada no âmbito de ação social, indo “ao encontro das novas formas de pobreza”.

Começando do zero, a Santa Casa da Misericórdia da Trofa completa 15 anos de obstáculos ultrapassados e com um património considerável. Mesmo assim, Amadeu Pinheiro salienta que “as dificuldades continuam” e exigem “muito trabalho”, até porque, recentemente, foi construído um novo lar, com capacidade para 60 utentes, orçado em dois milhões de euros, com comparticipação do POPH (Programa Operacional Potencial Humano) e encargo de 900 mil euros para a instituição. É premente, por isso, “muito esforço para responder às solicitações das pessoas que, todos os dias, nos batem à porta”, concluiu.

 

Números da atividade da Santa Casa da Misericórdia da Trofa

80 refeições diárias a pessoas carenciadas
110 seniores acolhidos em lar
150 seniores apoiados em serviço de apoio domiciliário
110 crianças em creche e jardim de infância
215 famílias acompanhadas no âmbito do Rendimento Social de Inserção e Ação Social
159 famílias, num total de 357 pessoas, acompanhadas com géneros alimentares
24 famílias acompanhadas na horta solidária
1855 artigos, entre vestuário, calçado, têxteis-lar, material escolar e brinquedos, distribuídos pelas famílias carenciadas, em 2013
2.400.000 de euros custou o novo lar, num projeto financiado pelo Programa Operacional Potencial Humano e no qual a Misericórdia teve de pedir um financiamento bancário de 900 mil euros