Treze jornadas depois de ter entrado, Jó Andrade abandonou o comando da equipa do Bougadense, por razões que, segundo o técnico se prendem com "a falta de dignidade da direcção e de alguns jogadores da velha guarda do clube". A Direcção acusa o treinador de "provocar mau ambiente no balneario e de não conseguir resultados".

 A entrevista que deu ao jornal " O Distrital", em que se queixou da atitude dos jogadores no jogo com o Perosinho, na opinião de Jo Andrade, foi o "transbordar do copo" para a direcção que pensa "na minha saída desde que entrei", sublinhou.

Apesar de se "comprometer" que ficaria no clube até final da época, Jo Andrade frisou que encontrou muitas "contrariedades": "quando entrei encontrei uma equipa completamente desmotivada e indisciplinada em termos tácticos e traduzia em modelo de jogo que não existia. Os jogadores estavam habituados a ter só três treinos por  semana, no máximo, pelo que não reagiram bem ao meu sistema de treino", referiu. Mesmo assim o técnico conseguiu "implementar o modelo de trabalho pretendido durante o mês, o que se traduziu num bom resultado, ou seja, em três vitórias consecutivas e na subida na tabela classificativa". Com mais tranquilidade no campeonato, a "a direcção exigiu que voltasse a dar a retoma aos tais dois a três treinos semanais como inicialmente. A realidade e o reflexo disso tivemos logo de imediato. Começou a haver descompressão, começaram os adversários a precisarem de pontos e nós começamos a entrar em défice".

Mas para Jo Andrade as contrariedades não ficam por aqui. Também a contenção financeira constituiu um factor que dificultou o trabalho do treinador, "pois o número de jogadores que entraram não foi suficiente para suprir as saídas de outros atletas". No entanto esta medida da direcção liderada por José Olgário "nunca foi contestada" por Jó Andrade, que teve que integrar alguns juniores, que nunca tinham jogado na equipa principal.

Foram limitações que o técnico afirma "se ter ido reajustando em tempo record", até que com a manutenção já assegurada "resolveram chamar-me, porque haviam três ou quatro jogadores que estavam muito zangados comigo pela tal situação da entrevista depois do jogo com o Perosinho, e que até ameaçaram não jogar se eu continuasse", frisou.

Com uma saída controversa, o presidente José Olgário anunciou a alguns órgãos de comunicação social que a razão da ausência de Jó Andrade se explicava pelo facto dele ter pedido dispensa para concluir um curso de treinador tutelado pela UEFA, ao qual Jó Andrade desmentiu: "é engraçado que esse curso realizou-se entre Fevereiro e princípios de Abril, pelo que não faz qualquer sentido dar uma justificação dessas. Ainda assim a direcção utilizou essa justificação à minha revelia". Uma atitude de "falta de carácter": "o presidente para além de mentir a mim, mentiu a toda a gente. Devia ter vergonha naquilo que afirmou". A situação, na opinião de Andrade agrava-se pelo facto de Olgário ter anunciado poucos dias depois a saída definitiva do treinador. "Não era capaz de ir para a comunicação social dizer uma coisa, para umas horas depois dizer outra", acusou.

Apesar da saída Jó Andrade afirma-se "com a cabeça erguida": "o trabalho que fiz foi em tempo record, consegui com que a direcção poupasse muito dinheiro com a contenção financeira, consegui promover jovens e acima de tudo há uma coisa que nunca me irei esquecer que é a maneira nobre que me sinto quando a maioria dos atletas me ligam para me agradecer do que fiz por eles".

 

Direcção do Bougadense desmente acusações

 

José Olgário, presidente da Direcção do Atlético Clube Bougadense, diz-se surpreendido pela forma como Jó Andrade está a conduzir este processo de saída do AC Bougadense que, é tudo menos pacifico. Em entrevista ao NT, Olgário afirmou que a "saída do técnico era inevitável já que estava a provocar mau ambiente no balneário e a não conseguir bons resultados para assegurar a manutenção", assegurou o presidente.

Segundo o presidente a entrevista que o treinador deu a um jornal foi o culminar de uma serie de atitudes de Jó Andrade que terão provocado alguma azia a "mais de metade da equipa que chegou mesmo a ameaçar deixar de jogar no Bougadense caso a situação se mantivesse", garantiu Olgário.

Os jogadores, segundo o presidente ter-se-ão queixado da "falta de perfil" de Jó Andrade e do alegado desentendimento com alguns jogadores, assegurou o presidente.

"Apoiada nestas queixas a Direcção decidiu sugerir ao treinador que deixa-se durante um mês o comando da equipa para ver se os ânimos acalmavam e para assim ter mais tempo para o curso que ele esteve a frequentar e para o qual havia pedido dispensa de fazer os treinos de sexta-feira", adiantou ainda o presidente.

O presidente refuta as afirmações de Jó Andrade dizendo que "os cortes orçamentais começaram ainda antes deste treinador chegar já que a saída do treinador Veloso e do seu adjunto foi apenas o inicio de algumas saídas. Assim são falsas as palavras de Jó Andrade quando diz que conseguiu poupar muito dinheiro à direcção", assegurou.

Apesar dos acontecimentos dos últimos dias, o presidente do AC Bougadense diz apenas que "pretende que a tranquilidade regresse ao Parque de Jogos da Ribeira para que o Bougadense posso garantir a manutenção e possa prosseguir com os projectos que tem para desenvolver, nomeadamente no que diz respeito à implantação do relvado sintético", concluiu o responsável do Bougadense.