Grupo de guidoenses está a percorrer a freguesia para recolher assinaturas contra a Reforma Administrativa.

 

“Contra a fusão da freguesia de Guidões com outras”. Este pensamento uniu um “grupo de amigos”, que está a recolher assinaturas, porta a porta, para evitar uma Reforma Administrativa que “não é solução” para os males do País. No sábado, 22 de outubro, primeiro dia em que os guidoenses começaram a percorrer a freguesia, “só uma pessoa é que não assinou” o documento, facto que faz o grupo acreditar que a população está unida na luta contra as demandas do Livro Verde anunciado pelo Governo. “Se nós nascemos em Guidões, para que é que vamos agora juntar-nos a outras freguesias?”, questionava Pedro Pereira, enquanto segurava os vários papéis já assinados. “Isso não vai trazer benefício nenhum e eles (Governo) estão a inventar que vão ter menos despesas com a fusão das freguesias”, continuava indignado e cheio de vontade de continuar a palmilhar a freguesia a pé em busca de mais apoiantes.

Já Atanagildo Lobo defende que “não há democraticidade” na Reforma Administrativa e que “o povo não foi chamado a pronunciar-se sobre esta matéria”. Por isso, desafia: “Façam um referendo para saber se os portugueses estão de acordo. Aí é que mostram ter coragem”.

Estes guidoenses têm noção que o abaixo-assinado, de forma isolada, “não vai conseguir nada”, mas a “esperança” é a de que haja uma “movimentação nacional”. “Acreditamos que em muitas outras freguesias se levantarão muitos abaixo-assinados como este, assim como manifestações e assembleias populares para dizer não a esta imposição e para que a democracia seja reposta”, frisou Atanagildo Lobo.

Mostrando que a primeira assinatura do documento é a de Bernardino Maia, presidente da Junta de Freguesia que suspendeu o mandato há dois meses, Atanagildo Lobo acrescentou que não se pode apagar o passado e as conquistas do povo: “O poder local, democrático e da forma como está delineado na Constituição, tem cumprido, desde o 25 de Abril, com todos os seus desígnios. Foi graças a este poder que se conseguiu a eletricidade para as povoações, as escolas, melhores acessibilidades”.

 

Este grupo acredita que a Reforma Administrativa traz uma poupança “irrisória” aos cofres do Estado e que “existem outras soluções”.

A meta de assinaturas pretendida passa por “todas as pessoas de Guidões”. Percorrer toda a freguesia até ao Natal é o propósito destes guidoenses que não temem o “muito trabalho que ainda falta”. “Trata-se de conseguirmos manter a nossa freguesia com as suas tradições, o seu povo, com as suas limitações, com as suas deficiências, mas também com a sua alegria e as suas tradições no mapa de Portugal e no mapa do concelho”, concluiu.

Santiago discute Reforma Administrativa

O executivo de Santiago de Bougado também está preocupado com as mudanças que podem acontecer com a possível “fusão” da freguesia, por isso convocou uma discussão pública para segunda-feira, 31 de outubro, às 21 horas. O presidente António Azevedo quer ouvir a população.

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