Foi junto da família, que Blandina Paiva celebrou o seu centésimo aniversário. Uma noite que ficou marcada pelas histórias “do antigamente”.

Nasceu no ano da República e lembra-se de passar muita fome na 1ª Guerra Mundial. Natural de Alvarelhos, Blandina Paiva celebrou 100 anos no dia 21 de dezembro, quarta-feira, num restaurante da Trofa. Cerca de 37 pessoas, entre filhos, netos, bisnetos e tetranetos, estiveram presentes para comemorar “de uma forma especial” este aniversário. “Estamos satisfeitos e muito emocionados, porque é uma alegria muito grande ter uma
mãe a fazer 100 anos”, disse Fernanda Paiva. Blandina disse não achar que merecesse tanto.

A aniversariante aproveitou e contou ao NT, um pouco da sua vida. Frequentou a escola até à 2ª classe, mas “sabe fazer contas de cabeça” e de escrever bem o seu nome. Trabalhou durante toda a sua vida no campo e como jornaleira, onde por dia ganhava 15 tostões. Segundo a mesma, o trabalho do campo que mais gostava de fazer era o de “malhar com o mangualde as espigas do milho”.

Fazia renda “para pôr na mesa da cabeceira, cómodas, e naperons”. Além disso, também “trabalhava com lãs, para fazer meias e pantufas para dormir”, contou Fernanda Paiva. Casouse, com 23 anos, com Constantino, que também era jornaleiro, e enviuvou aos 58. Outra das coisas que Blandina costumava fazer, era ir a pé até à feira de Famalicão e comprar alguns porcos. Depois criava-os, “com cabacinha, batatas, couves, abóbora, restos de comida e, quando fosse mais velho, com milho”, para depois os vender.

Blandina aproveitou para contar uma história, de que se recorda, que costumava acontecer nos casamentos. “Antigamente nos casamentos ia uma música a tocar e os pratos faziam “tachim, tachim”, ao mesmo tempo, outra peça tocava e queria dizer “eu duvido, eu duvido”, isto queria dizer que se calhar a moça não ia direita. Esteja, como esteja, ela vai para a igreja”.

Há alguns anos que vive com a filha, pois precisa de ajuda uma vez que não consegue andar. Ultimamente passa o seu tempo na cama e na cadeira de rodas. “Come bem, desde que não seja apetitoso ou muito duro”, afirmou a filha.

Afonso Paiva, um dos bisnetos, disse gostar muito da bisavó, e que quando se “porta mal” ela coloca-o de castigo. Esta comemoração começou com uma missa na Igreja Paroquial de Alvarelhos, celebrada pelo padre Ramos, onde muita gente marcou presença para felicitar a aniversariante e oferecerlhe flores. Os leitores foram os netos e a música esteve a cargo do Grupo Coral masculino de Alvarelhos. No final, houve um jantar que  juntou os cinco filhos, oito netos, doze bisnetos e uma tetraneta.

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