No próximo dia 8, do mês 8 de 2008, iniciam-se na cidade Chinesa de Pequim os Jogos da 29ª Olimpíada.

Número de sorte para os Chineses que tentam passar através da organização destes Jogos uma imagem de um país moderno e que se apresenta cada vez mais como uma mega potência económica mundial.

 Na última década a Republica Popular da China tornou-se uma das sociedades mais dinâmicas do mundo, com 1 300 milhões de habitantes (país mais povoado do mundo), um crescimento económico a chegar aos 12%, e as exportações a rondarem os 37% do PIB.

Apesar do crescimento económico inigualável, resultante também da transferência de muitas indústrias ocidentais para a China, devido aos baixos custos da mão-de-obra, a verdade é que a China enfrenta vários problemas graves: tem um regime assente no poder militar, autoritário e altamente repressor, enfrenta acusações sérias de desrespeito pelos direitos fundamentais do homem, apresenta-se como o maior poluidor do mundo, ultrapassando inclusive os EUA em emissões de dióxido de carbono e é ainda um país marcadamente rural e em muitos aspectos miserável, com um rendimento per capita anual nas zonas rurais a rondar os 360 euros, valor que nas cidades triplica, mas que no entanto, e sempre muito pouco.

Segundo uma fundação chinesa de direitos do homem, no ano passado, foram presas por crimes de divulgação de segredo e separatismo cerca de 750 pessoas, um relatório de 2008 da organização Repórteres Sem Fronteiras, refere que 33 jornalistas foram presos nesse ano na China, e de acordo com a Amnistia Internacional existem cerca de 500 000 pessoas presas sem culpa formalizada.

Dados preocupantes para um país que se quer afirmar no contexto mundial a passar uma imagem de modernidade.

A Republica Popular da China é hoje considerada a Fabrica do Mundo e por isso a factura ambiental a pagar é muito elevada.

Oito das cidades mais poluídas do mundo situam-se na China e segundo um relatório do Banco Mundial de 2007, a poluição provoca anualmente cerca de 400 000 mortes prematuras.

A tradicional bicicleta foi substituída pelo carro e só na cidade de Pequim, que possui 17,4 milhões de habitantes, circulam hoje diariamente quase 3,5 milhões de veículos e todos os dias mais 1300 entram em circulação pelas ruas da cidade, o que para além de problemas graves de congestionamento, provoca problemas de poluição muito mais graves e com consequências nefastas para as populações.

Aliado à poluição provocada pelos veículos, Pequim enfrenta ainda a poluição provocada pelas emissões das imensas fábricas de metais, produtos químicos, pasta de papel e produção de energia e as tempestades de areia causadas pelo pó da erosão dos desertos da zona Norte da China.

Contudo, a China tem-se esforçado para minimizar os problemas ambientais e seguir as imposições do Comité Olímpico sobre a matéria, e apresentou a estratégia "Céu Azul" para tornar o ar mais puro e a água mais limpa, que mais não seja durante os Jogos Olímpicos.

Para tal a China impõe restrições à circulação automóvel e promove a utilização dos transportes públicos, suspendeu trabalhos de construção em Pequim e nas zonas circundantes, deslocou cerca de 200 unidades fabris do centro da cidade, reduziu a produção em algumas e encerrou outras mais poluentes.

Foram também encerradas e recuperadas 80 minas, serão construídas 4 novas centrais de tratamento de resíduos e será criada uma cintura verde que inclui o Parque Florestal Olímpico com 580 ha.

As energias renováveis também não foram esquecidas, foram instaladas 33 turbinas eólicas para fornecer electricidade a Pequim e na cidade Olímpica a climatização de todas as habitações será feita através de utilização de energias limpas.

De facto existe um notório esforço para mostrar ao mundo que a China se apresenta no panorama mundial como uma mega potência emergente, e a realização dos Jogos Olímpicos de 2008 será uma oportunidade única, para se afirmarem como tal.

Contudo, espera-se e o mundo agradecerá que esta conduta ambiental e humana não se confine à duração dos Jogos e que crie a consciência de que desenvolvimento e crescimento económico, pode sim significar também respeito pelo ambiente e pelos direitos fundamentais do Homem.

Porque só respeitando o Homem e a Natureza um país se pode considerar desenvolvido e moderno.

Para terminar, resta-me desejar aos atletas portugueses toda a sorte em Pequim, e que se possível tragam muitas medalhas. Estamos todos ansiosos para ouvir o hino e ver a nossa bandeira subir mais alto.   

Teresa Fernandes