Ainda que discreta, a placa desfaz eventuais dúvidas – nela reza a inscrição "Junta de Freguesia". É ali mesmo, portanto. Na Rua Central, em Covelas, concelho da Trofa. A Junta de Freguesia fica à face da estrada, no anexo de uma moradia, e chama a atenção pela cromática que lhe imprimiram – é amarela. De resto, dificilmente um leigo se aperceberia de que ali funcionam os serviços autárquicos da paróquia. Num espaço com cerca de 70 metros quadrados.

 "Não é grande, não", avalia Lucinda Martins do alto dos 73 anos que ostenta. "Mas a gente é muito bem atendida", insiste em acautelar. Naquela área arrumam-se as secretárias, algumas estantes com pastas de arquivo e uma mesa para as assembleias. "Tem um quarto de banho", aponta, ainda, o presidente da Junta, Fernando Moreira.

A população da freguesia, com cerca de 1660 habitantes, não parece insatisfeita com a exiguidade das instalações da Junta, embora deixe escapar, unanimemente, que "podia ter melhores condições". "Ficava melhor instalada se tivesse outras larguezas", arrisca Mário Gomes, enquanto espera pelo neto junto ao portão da escola primária que já serviu para despachar expediente da entidade autárquica.

"Podem ficar chateados"

"Era bom termos uma Junta maior", concorda uma moradora que recusou, contudo, identificar-se. "Sabe como é… Eles podem ficar chateados", argumentou. "Eles" são o presidente e o secretário da Junta de Freguesia, os únicos funcionários da instituição. Sustenta, ainda "São coisas que não nos dizem respeito. A gente vai lá para tratar dos nossos assuntos e não pergunta se a Junta precisa ou não de uma casa maior". A fragilidade da argumentação abre caminho à contradição. Se, por um lado, "era bom" que se construísse um imóvel para aquele órgão, por outro, rende-se à resignação – "a nossa freguesia é pequena". Acaba por deixar uma interrogação para a qual já tem resposta. "E a Câmara é que tem de fazer a casa para a Junta, não é?".

Já há um terreno em vista

Fernando Moreira disse, ao JN, haver já um terreno em vista para a construção de um novo edifício. Mas, apesar de admitir a existência de "entendimento com a Câmara", o autarca diz não poder confirmar nada porque "ainda não existem documentos".

Entretanto, os serviços da Junta de Covelas permanecerão no exíguo anexo, para onde foram transferidos há cerca de quatro anos.

Antes, o atendimento era feito numa sala da Escola Primária de Quereledo, naquela freguesia. "No final das aulas, à noite, das 19 às 21 horas", lembra o secretário. A segunda alternativa era a residência do mesmo.

"Em casos pontuais, o secretário desenrascava", refere o próprio, na terceira pessoa. Lucinda recorda-se bem desse "antes". "Se algum dia chegasse lá e não estivesse ninguém, tinha de voltar noutra altura…".

In jn 13/05/2007