«…A minha freguesia de Guidões, temporariamente em coma, …extorquida que foi ao seu povo, ilegitimamente, um dia será recuperada lícita e democraticamente.» 

O populismo e a demagogia leviana sempre foram fáceis e é a realidade e o tempo que os desmascararam. Assim foi e é com Passos e Portas. Quem disse não aumentar os impostos, não despedir, não cortar nos salários e pensões na última campanha para a AR? Quem se dizia amigo do contribuinte, do reformado e da lavoira? A realidade acabou por revelar tão argutos políticos. Também no passado dia 20 de Outubro palavras bonitas cheias de boas intenções não faltaram na última assembleia municipal: compromisso de respeito pelo tratamento com igualdade de todas as freguesias e de todos os cidadãos, independentemente da sua cor política; reiteração dos compromissos eleitorais, etc… Mas no decorrer da assembleia já se notaram laivos próprios do ”PSD”. Digo “PSD” pois é bem diferente ser-se social-democrata. O Sr. Presidente da Câmara deu as boas vindas no discurso final e entre todos, realçou o representante da CDU, lamentando não terem estado, esta força e o seu representante, Paulo Queirós, presentes nos últimos quatro anos. Ora, a CDU e Paulo Queirós estiveram bem presentes na política local. A CDU, antes de ninguém, sem ambiguidades, logo deu a sua opinião sobre a localização dos futuros «Paços do Concelho». A CDU permaneceu sempre na luta pelo Metro para a Trofa, de forma coerente e consequente, na Trofa e na AR. Coisa que PSD e CDS não podem alegar, porque se o Metro ainda não chegou ao nosso concelho, é muito por culpa destes partidos, atenta a posição do governo e da maioria na AR. A CDU esteve na primeira linha contra a extinção das freguesias, sobretudo quando essa extinção foi contra a vontade e o sentir das populações. Mas não me lembro de ter visto o atual presidente de câmara nessas batalhas.

Acrescentou o Sr. Presidente estar muito preocupado com o desemprego na Trofa. E culpou a falta de acessibilidades e os altos impostos pela não fixação de empresas no concelho e a sua deslocalização para concelhos vizinhos. Se bem me lembro… foi ainda no reinado do PSD que a Tesco passou da Trofa para Ribeirão. E depois, Sr. Presidente, quantas empresas pequenas e médias da Trofa, insolventes, foram parar à liquidação e encerramento? Quantas estão em reestruturação? Sobretudo da área da construção civil e similares. Qual o número de trabalhadores que foram para o desemprego em consequência? Quantos trabalhadores emigraram? E de quem é a culpa, Sr. Presidente? Não será da política do seu governo PSD/CDS que optou por uma política mais troikista que a troika com o dobro da austeridade, que nos conduziu à recessão, à quebra do consumo e ao empobrecimento?

Um senhor da finada freguesia de Alvarelhos que PSD/CDS liquidaram foi lamentar-se de as freguesias terem perdido duzentos e tal mil euros pela ausência de pronúncia da A.M. anterior a favor da extinção de freguesias. Será que esse senhor queria que a A.M. se manifestasse no sentido contrário ao das assembleias de freguesia, onde estavam os representantes diretos da população. Com que legitimidade? Será este senhor a favor da imposição à força? Da ditadura? E o Sr. Presidente da Câmara vem agora dizer que é contra a extinção do município da Trofa. E se a reforma do Estado de Paulo Portas mais o livro, não sei que cor vai ter desta vez, assim o entender? Se o PSD/CDS da Trofa não for a favor será que o concelho que resultar da agregação não vai perder duzentos e tal mil euros? E o senhor que se lamentou, vai voltar a lamentar-se? Vejam bem as vossas contradições…

Eu, por mim, pouco me importo com os duzentos e tal mil euros que perdemos. O que, aliás, está por demonstrar. Digam lá quais são as freguesias nas redondezas com pronúncia da A.M. a receberem o dito benefício dos 15%? A mim, e a todos os meus conterrâneos, roubaram-nos uma coisa muito mais importante. Extorquiram-nos a nossa freguesia. E não há dinheiro no mundo que pague isso. E apesar de no decorrer da A.M. me terem chamado a mim e a todos os outros assistentes de «fregueses» digo-lhes já que, dessa política antidemocrática de imporem as coisas contra a vontade das populações, retirando-lhes aquilo que é mais sagrado e amado, eu não sou freguês, nem a minha freguesia de Guidões, temporariamente em coma, esteve à venda e tirada que foi ao seu povo, ilegitimamente, um dia será recuperada licita e democraticamente.

 

Guidões, 25 de Novembro de 2013.

 

Atanagildo Lobo