Contam-se por centenas e centenas os abusos, intervenções, anexações, guerras, etc,…que o colosso americano em menos de 200 anos fez pelo mundo fora. Sempre com um único fito, aliás, nem mais nem menos, aquele que é comum a todos os impérios: sacar a riqueza através do roubo e da exploração das riquezas naturais e dos povos.

  As mais recentes incursões salafrárias americanas de nomeada ocorreram e ocorrem no Afeganistão e no Iraque, em que os milhares de mortos e a destruição completa dos países, sociedades e economias foi inteiramente justificada pelo acesso fácil ao petróleo e pelos interesses económicos e financeiros dos parasitas do fabrico de armamento e de outros especuladores que nada mais sabem fazer do que alargar as suas carteiras e cofres à custa da miséria humana, da fome e da desgraça dos povos de todo o mundo. Os fazedores de opinião com "crédito no mercado" sempre nos pintaram o gigante americano como o paradigma da democracia e da liberdade. Mas isso não é verdade. Não fosse o monstro, o único na terra que eliminou, quase de vez, a população autóctone, serviu-se abusivamente da escravatura, sendo hoje ainda o racismo e a xenofobia características preocupantes em muitos estados americanos. Não fosse o perverso impiedoso, até à data, o único que, desavergonhadamente, lançou bombas atómicas sobre cidades, famílias, velhos, jovens e crianças, sem escrúpulos, sem hesitações, provocando a morte de milhares de vidas humanas. Não fosse o desditoso, terra de «Guantánamo», onde diariamente se viola flagrantemente os direitos mais elementares da vida humana e da cidadania.

No dia 4 de Novembro G.W.Bush finalmente deixará de ser o gladiador mor do coliseu terrestre e o mundo suspirará de alívio sincero. Mas o que se seguirá para o povo americano afigura-se absolutamente desconhecido. A bancarrota perspectiva-se na paisagem grotesca. As guerras no Iraque e no Afeganistão aparecem desprezíveis aos olhos dos cidadãos. As consequências económicas e financeiras dos mandatos Bush foram catastróficas ( o que é bom para uns, a minoria especuladora, belicista e rapina, é mau para a generalidade dos cidadãos – se uns enriquecem os outros empobrecem ). A economia entrou em recessão, a crise financeira ganha contornos assombrosos, o desemprego aumenta, a crise social aprofunda-se. As guerras continuam a absorver somas astronómicas que empobrecem o país e o próprio secretário da Defesa, o antigo director da CIA, Robert M. Gates, declarava que os E.U.A. não poderão vencer aquelas guerras pois deixaram de dispor de recursos financeiros que permitissem atingir esse fim. O "Golias" vai desabando. Só para cobrir os seus saldos deficitários das contas correntes comerciais com os outros países, os EUA carecem de 70 biliões de dólares mensalmente. As receitas que garantem estas operações começam a desaparecer. Até o dólar já está desacreditado. Os bancos centrais de Singapura, Coreia do Sul, Formosa e Vietname começaram a deixar os títulos do governo americano. A China e o Vietname possuem reservas enormes em dólares. Já anunciaram pretender trocar esses dólares por moedas mais aceitáveis. Os estados do Golfo estão a seguir o mesmo caminho. O Quatar, a Arábia Saudita e o próprio Kuwait vão se separando dos laços que os têm tornado inseparáveis dos "States". De facto, a queda da moeda americana, as dívidas a potências estrangeiras, as colossais perdas de Wall Street dos nossos dias, a guerra em curso, o desemprego, só permitem prenunciar uma ruidosa e dramática crise do capitalismo, em que a crise económico-financeira de 1929, o famoso crack de Wall Street terá sido uma brincadeira de crianças quando for comparada com aquela que se aproxima. É neste clima que se jogam as futuras eleições americanas. Os republicanos não sugerem nem propõem a aplicação de medidas de fundo de forma a atacar os problema de base porque isso lhes é alheio. Oposto à sua própria formação ideológica e aos seus compromissos dos interesses imperialistas. É por isso que a resposta aos anseios das populações só pode partir das candidaturas democráticas, H. Clinton e Barack Obama. Sendo " Mudança" a palavra de ordem, ainda não se viu onde se realizará essa mudança, com quem e como. Seria preciso mudar muito. As estruturas, as bases do funcionamento do Estado, as grandes prioridades. O mais certo é que, com mais ou menos folclore, se repita a velha máxima de Luchino Visconti no seu filme " O Leopardo" : «É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma». Um dia, quem sabe, talvez próximo, uma verdadeira administração democrática venha a mudar a fisionomia interna e externa do gigante americano. Aí, num momento da verdade, terá de pedir perdão ao mundo por todos os crimes cometidos pelo poder americano, como o Papa pediu pelos crimes perpetrados pela Inquisição… não fosse o colosso americano a desgraça do mundo actual…

Atanagildo Lobo