Nos últimos dias tem se assistido a uma discussão sobre as nomeações para as diversas entidades públicas ou com participação do Estado.

Refere-se a cada passo, que o clientelismo e amiguismo têm orientado a politica do atual Governo. Ora porque nomeou antigos políticos do PSD e CDS para o Conselho de Supervisão (CS) da EDP, ora porque nomeou autarcas para as Águas de Portugal ou, ainda, porque foi o Governo que fez mais nomeações em seis meses de funções.

Acrescenta-se à discussão, o ordenado exagerado do Presidente do CS da EDP nos tempos de crise que vive o país, empresas e famílias. Aqui, estou de acordo com os que criticam. 

Quanto ao resto, desculpem, mas não vou em demagogias.

Apesar de militante do PSD, como é do conhecimento público, não estou em nenhuma função executiva, nem ambiciono nenhum cargo público ou de nomeação. Não foi esse o princípio que me moveu quando estive mais ativo, não é esse o princípio que deve mover a quem está na política. No entanto, é legítimo a quem está, e por acréscimo, poder ambicionar a desempenhar alguma função pública que se sinta capaz de cumprir com eficiência e cumpra os requisitos da mesma.

Não me parece razoável que um militante de qualquer partido seja preterido para qualquer função, desde que preencha os requisitos e experiência profissional e pessoal, por ser apoiante de quem o nomeia. Seja de âmbito local, seja de âmbito nacional.

Nos últimos dias, a hipocrisia política atingiu o auge.

Alguns afirmam que o atual Governo nomeou mais gente do que qualquer outro. Esses esquecem a razão das nomeações. Esquecem-se que as nomeações ocorreram para organismos ou empresas cujo mandato dos anteriores titulares tinha expirado. Mais, 77% dos anteriores titulares foram reconduzidos, significando que o PS os nomeou no tempo da sua (des)governação. Isso é que me preocupa. Serão eles capazes de implementar uma política completamente diferente? Alguns sim, outros não. 

Outros, afirmam que grande parte dos nomeados é apoiante do atual Governo. Na generalidade, não discutem a capacidade das pessoas, mas se tem ou não o cartão de militante do PSD ou do CDS. Quer dizer, se o nomeado fosse do PS, PCP ou BE, não haveria problema. Para estes, é uma questão de cartão, não é uma questão de competência.

O PCP e o BE criticam sempre. Seja isto ou seja aquilo. Mas, dificilmente saberemos o que fariam se estivessem no Governo. No entanto, a realidade de outros países onde os comunistas estão a governar indica que fariam muito diferente, para pior.

O que me espanta é a reação de António José Seguro. Onde andou durante os últimos seis anos? O que fez para combater as nomeações do PS nos últimos seis anos? O que fez para mudar o salário do CS da EDP?

O que nos deve preocupar é se as pessoas são competentes ou não para exercer o cargo. O que devemos refletir é se a função é remunerada de acordo com a nossa realidade. Este tema é demasiado complexo para ser complementar a este artigo, de forma rápida, leviana e sem demagogias. Uma coisa é certa, preferia assistir à discussão da quantidade, necessidade e remuneração dos inúmeros cargos públicos em vez de assistir à hipocrisia política dos últimos dias.

Tiago Vasconcelos

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