Independentemente de partir de cenários certos ou errados, o que se verifica pelas sondagens concretiza o pensamento do último artigo de opinião – Quem está a ganhar com a crise é o PS e o Eng. José Sócrates.

Como se pode constatar pelos números avançados nas mais variadas publicações da imprensa e nos noticiários das rádios e televisões, os portugueses estão a desculpar o PS e a penalizar a oposição pela crise política.

Estarão certos?

A minha convicção não é essa. Conforme escrevi no último artigo – “Na minha modesta opinião, e na inevitabilidade da ajuda externa que pioraria a situação do atual Governo perante a sociedade, foram as circunstâncias e o cálculo político de uma jogada arriscada, na tentativa de manter o poder (ou, pelo menos, algum poder) em futuras eleições.”.

Este tipo de estratégia, como outras similares no passado, prejudica o país e os portugueses.

É tempo de os governantes deste país pensarem primeiro em Portugal e depois nos partidos.

O problema é que os portugueses reclamam, mas não gostam daqueles políticos que lhes falam verdade, preferindo as ilusões proclamadas nas campanhas eleitorais.

O que me preocupa é a possibilidade de Portugal cair num cenário de instabilidade política após as eleições, por culpa de todos nós – Uns porque prometem ilusões para convencer os eleitores, outros porque não querem ouvir a verdade e alguns porque se deixam enganar por falsas vitimizações ou não votam.

O que me deixa intranquilo é a hipótese de poder sair das próximas eleições um cenário de minoria política na Assembleia da República, que não permita uma solução governativa capaz de nos tirar desta situação calamitosa.

A acreditar nas sondagens, e apesar da diferença entre a soma dos possíveis votos no PP e PSD e as preferências recolhidas pelo PS, essa situação é bem possível.

Lembram-se das sondagens iniciais que davam uma enorme vantagem ao PSD aquando da eleição de Durão Barroso para chefiar o Governo? Recordam-se do resultado final?

A diferença inicial fornecida pelas sondagens era superior a 10%, enquanto a votação final demonstrou que a diferença não passou dos 3%. Aliás, o jornal “Público” publicou uma sondagem vinte dias antes das eleições com a diferença superior a 7%.

Para mim, tudo é possível desde que os portugueses teimem em ter a “memória curta” e esqueçam as dificuldades que atravessam.

É tempo de pensarem numa solução governativa estável, diferente e com energia para começar a mudar o país.

É altura dos que não costumam ir votar, dizerem que estão preocupados com o seu presente e o futuro de Portugal.

É tempo de todos os políticos falarem verdade e não se atacarem pessoalmente durante a campanha eleitoral, prejudicando entendimentos futuros.

Assim, talvez seja possível termos uma ampla maioria que dê estabilidade política para proceder às reformas que o país necessita e os portugueses merecem.

Não acham que também somos culpados quando não vamos votar ou nos enganamos nas nossas escolhas?

 

Tiago Vasconcelos