A visita do Primeiro-Ministro à China ficou marcada por dois factos de cariz distinto mas com iguais repercussões mediáticas: a gaffe do Ministro Manuel Pinho e a entrega, pelo Primeiro-Ministro às autoridades chinesas, da camisola da selecção portuguesa do Cristiano Ronaldo.

Sobre a gaffe do Ministro, para além de não ser caso virgem, já muito se escreveu e comentou e não valerá a pena acrescentar muito mais a não ser que será, provavelmente, um dos primeiros membros do Governo a ser remodelado.

Já sobre o segundo aspecto, ele prova a influência mediática que o futebol tem na nossa vida, inclusivamente, nas relações entre Estados. A circunstância de uma empresa portuguesa – a Y-DREAMS – ter desenvolvido um jogo de computador de futebol com a figura do Cristiano Ronaldo, para ser comercializado na China, foi claramente um dos pontos altos da viagem.

É pois necessário que, independentemente, de gostarmos mais ou menos de desporto e de futebol, em particular, percebamos o seu fenómeno e possamos potenciar as suas vantagens enquanto país.

Para isso, importa, na minha opinião, que o futebol se credibilize mais para ser mais apelativo não só para quem nele opera mas para atrair novos agentes. O futebol português, nos últimos anos, atravessou momentos extremamente complicados que culminaram com o processo “Apito Dourado”, culminar máximo da completa descredibilização do fenómeno futebolístico.

Nos últimos meses, novos ventos parecem assolar o futebol português. Nova gente, com uma visão moderna do futebol, percebendo o alcance que pode ter para a economia do país uma correcta aposta no seu desenvolvimento, sem olhar à manigância, ao favor, a privilegiar A em detrimento de B.

Espero, sinceramente, que a estas pessoas, cujo líder é, indiscutivelmente, o Dr. Hermínio Loureiro, seja dado o tempo e a oportunidade de alterar a face visível do futebol.

É a oportunidade que temos de rentabilizar, enquanto país, os excelentes recursos humanos (jogadores) de que dispomos. É preciso organização, modernidade, visão estratégica, coragem para enfrentar os fortíssimos lobbies e muita perseverança.

O que está a acontecer no futebol deve igualmente servir de exemplo para muitos autarcas, que têm a tentação de se colocar em bicos de pés quando o clube da sua terra está em alta, desaparecendo quando as coisas correm menos bem. O que se lhes exige é, isso sim, que contribuam para fortalecer os clubes do concelho numa perspectiva de economia regional potenciando os objectivos que, sendo diferentes, clube e autarquia, devem sempre buscar o bem comum.

A atitude do Primeiro-Ministro na China pareceu-me correcta – aproveitou a força do futebol para ajudar na afirmação de uma empresa portuguesa contribuindo, por essa via, para a afirmação do país.

João Moura de Sá