Sensibilizar a comunidade para a importância dos anfíbios na fauna trofense foi o objetivo da ADAPTA ao realizar um workshop. A primeira ação foi em Covelas, no dia 16. 

Lanternas, calçado confortável e máquinas fotográficas eram indispensáveis para a exploração que decorreu numa margem do ribeiro, em Covelas.

O workshop começou com uma sessão teórica onde o orador, Vasco Cruz, Investigador CIBIO (Centro de Investigação da Biodiversidade), abordou “a evolução dos anfíbios, da diversidade nacional e internacional e, no final, sobre a conservação”. “É um grupo de animais bastante ameaçado, onde há bastantes riscos à sua conservação. Eu estive a explicar porque é que estão em perigo, quais são essas ameaças, e, de certa maneira, o que é que as pessoas podem fazer para contrariar o facto de os animais estarem a desaparecer”, afirmou Vasco Cruz.

No final, deslocaram-se até a um ribeiro, percorrendo a sua margem, à procura das oito espécies de anfíbios existentes no concelho da Trofa. O primeiro a aparecer foi o sapo comum, seguindo-se a salamandra lusitânica, o tritão de ventre laranja, o tritão marmorado, a salamandra de pintas amarelas, a rã ibérica, a rã verde e o sapo parteiro. As crianças estavam maravilhadas com esta visita “ao campo”, estando sempre dispostas a pegarem neles. 

Segundo Vasco Cruz, foi preciso sorte para encontrar “todas as espécies em diferentes fases da sua vida”. Destacou, ainda, a rã ibérica e a salamandra lusitânica, por serem “espécies ameaçadas”, que só existem no nordeste da Península Ibérica, podendo ser encontradas em alguns locais da Trofa. Sendo espécies ameaçadas, para o investigador estas atividades são fundamentais, pois “a maior parte dos problemas de conservação dos anfíbios vem das pessoas”. “As pessoas, normalmente, não gostam destes animais e, as suas atitudes, provocam estas ameaças à sua conservação. Por isso, é importante conhecerem os animais que cá existem, as suas características e necessidades ecológicas, para que possam ter uma atitude favorável à sua preservação”, asseverou. 

Pedro Daniel Costa, presidente desta associação, estava agradado pela adesão que esta primeira ação teve, esperando conseguir cumprir o objetivo, que era “sensibilizar as pessoas”, que têm um certo repúdio por estes animais. “Queríamos demonstrar que eles não fazem mal nenhum, pelo contrário, são bastante sociáveis. Somos uma terra privilegiada, pois ainda vão existindo estes anfíbios, alguns já estão em perigo de extinção e também queríamos alertar para isso”, declarou. O presidente aproveitou para agradecer às firmas Abel Pinheiro dos Santos, GMLUX, Norsider e Trifitrofa, pelo apoio prestado nestas iniciativas.

No sábado, o workshop realizou-se em S. Martinho. A freguesia de Alvarelhos receberá o último workshop de anfíbios, no dia 23 de março, sábado. A concentração é na Junta de Freguesia local, pelas 20 horas.

O próximo workshop terá como tema os répteis, tendo o presidente aproveitado para lançar o convite à comunidade trofense para não deixar escapar a oportunidade de conhecer estas espécies. A iniciativa ainda não tem data marcada.

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