As populações da nossa região sentem no seu dia-a-dia as consequências do que de mais negativo há nas políticas de direita do actual governo. Vários serviços públicos foram encerrados, o desemprego continua muito acima da média nacional, as dívidas aos trabalhadores ascendem aos 70 milhões de euros, os baixos salários são insuficientes face ao aumento do custo de vida e os contratos precários são a maioria entre os insuficientes postos de trabalho entretanto criados. A situação social continua num processo acentuado de degradação, com o aumento continuado da pobreza e exclusão social.

É ainda de salientar negativamente o aumento dos sem abrigo e do número de pessoas a recorrer aos apoios das Instituições de Solidariedade Social. Refira-se, pelo indicador de pobreza que constitui, que mais de um terço dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção são deste distrito.

Antes do aparecimento da chamada crise, nos anos de 2006 e 2007, os dois primeiros anos de governo PS/Sócrates, encerraram no distrito do Porto mais de 5800 empresas da indústria transformadora e muitas seguiram o mesmo rumo no ano passado, embora já com o argumento da conjuntura internacional.

Em função disto, o nosso distrito tem hoje uma taxa de desemprego largamente superior à média nacional, havendo mesmo concelhos onde o desemprego assume proporções alarmantes.

Sendo verdade que vivemos uma crise de dimensão internacional, uma crise sistémica, também sabemos que o ataque aos nossos direitos e o agravamento dos nossos problemas é muito anterior ao seu aparecimento. As causas vêm muito de trás, são da responsabilidade dos sucessivos governos que se socorrem da crise internacional para apagar as responsabilidades que são exclusivamente suas. Esta crise agravou a crise que existia, não a provocou. 

Reconhecida que é a situação em que a região está mergulhada, seria de esperar do governo uma resposta capaz de, no mínimo, estancar os problemas. Mas o que temos assistido é ao agravamento da situação pela passividade perante o encerramento de empresas; pelo corte no investimento público com uma redução de cerca de mil milhões de euros relativamente ao PIDDAC de 2005; pela tentativa de introdução de portagens nas SCUT`s da região e pelo adiamento dos investimentos estruturantes.

Enfim, temos um governo que não se preocupa com os efeitos da crise nos trabalhadores, mas em salvar bancos e banqueiros, mesmo os que se limitavam a gerir a aplicação das grandes fortunas nos negócios especulativos. Por isso é que a crise não é para todos. Os cinco principais bancos a operar em Portugal tiveram, nos primeiros nove meses de 2008, lucros superiores a 1500 milhões de euros e a EDP, em igual período, teve lucros acima dos 940 milhões de euros.

Afinal, crise a sério é só para que vive do seu trabalho. Os senhores do dinheiro, os banqueiros e os especuladores financeiros continuam com as costas quentes e os bolsos cada vez mais cheios.

 

Jaime Toga

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