Ano 2007
O CANUDO DO PRIMEIRO-MINISTRO – Não há notícias mais importantes para o país?
Nos últimos dias muito se tem falado do diploma de licenciatura do Primeiro-Ministro, Eng.º José Sócrates, como se a sua capacidade de liderar os destinos do país dependessem da data, ou do dia da semana, de emissão do seu diploma de curso.
Se o seu diploma foi emitido a um domingo, segundo alguns jornais, estaremos na presença dum caso grave, como se competisse a um licenciado fiscalizar o funcionamento interno das universidades no que diz respeito à emissão das Cartas de Curso.
Depois de ter realizado o último exame, ou ter tido aproveitamento à última matéria, o novo licenciado espera 
E, por falar em dia da semana, será assim tão estranho que um reitor assine diplomas aos domingos? Não tem uma grande liberdade para o fazer?
Em que é que o diploma fica diminuído ou, em que o diplomado fica com os seus conhecimentos diminuídos?
Os diplomas emitidos à segunda-feira valem mais que os diplomas emitidos à terça-feira? Isso vai alterar os conhecimentos que o aluno adquiriu ao longo dos anos em que estudou?
É curioso como este caso tem sido analisado como um grave assunto de Estado.
A propósito da crise, que vive a Universidade Independente, anda muita gente a discutir o diploma do Primeiro-Ministro, como se ele tivesse a obrigação de explicar porque é que foi emitido a um domingo. O mais natural é que o Eng.º José Sócrates nem se tenha apercebido que a emissão ocorreu a um domingo. E também é muito natural que se tenha apercebido e não tenha atribuído importância a isso.
O que me parece absurdo é que se entenda que ele deva esclarecer. Esclarecer o quê? Se alguém tem esclarecimentos a prestar, será a Universidade que emitiu o diploma.
Esta crise que se vive na Universidade Independente deve entristecer-nos a todos porque é todo o nosso sistema que é prejudicado e, muito principalmente, as centenas ou milhares de alunos que frequentam aquele estabelecimento de ensino privado.
Recordemos que esta Universidade teve uma época brilhante (curiosamente quando o Eng.º Sócrates tirou o seu curso) e os seus cursos conceituados.
Esta crise vem colocar em causa um passado, curto ainda, e comprometer, de forma que pode ser decisiva, o presente e o futuro.
Os alunos da Universidade Independente vivem horas de grande angústia e são as principais vítimas dos desmandos verificados ultimamente.
Se a comunicação social desempenha um papel importante na sociedade, porque denuncia o que muitos escondem, e porque informa os cidadãos, por vezes perde-se nos seus objectivos e escolhe os alvos errados
Perante as angústias e os dramas dos alunos e das suas famílias, será que o mais importante é averiguar o dia da semana em que foi emitido o diploma do Primeiro-Ministro?
Será que não estaremos perante uma intromissão abusiva da esfera privada dum cidadão?
O que é que se espera do Primeiro-Ministro?
Tem feito as reformas necessárias? A Saúde está melhor? A Segurança? A Justiça? A Administração Pública? O poder de compra dos portugueses? Está a fazer as reformas necessárias? Etc.
Estas sim, são questões que podem colocar-se ao Primeiro-Ministro. Se ele resolver estas questões importantes para a sociedade portuguesa, cumpre as suas obrigações para com o país e para com os nossos cidadãos.
Não me parece justo subverter-se a ordem da importância das coisas.
No momento em que escrevo, não conheço qualquer explicação dada ao país pelo Primeiro-Ministro. Certamente dará explicações claras, se é que tem essa obrigação porque não foi ele quem levantou qualquer polémica sobre o assunto, nem lhe podem assacar responsabilidades do que compete à Universidade..
O seu desempenho como chefe de Governo é que deve ser avaliado.
Afonso Paixão


