Ano 2008
António Pontes não concorda com a posição de vereadores socialistas
Um “número para a comunicação social” e uma “precipitação”. Foi desta forma que António Pontes, vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa e vereador, classificou as posições tomadas pelos vereadores do Partido Socialista que, na passada quarta-feira, abandonaram a reunião de Câmara, na altura da votação dos pontos relativos à contracção de empréstimos.
“É uma precipitação evidente”, afirmou António Pontes relativamente à posição dos vereadores socialistas em abandonar a reunião de Câmara no momento da votação de dois empréstimos que a Câmara Municipal da Trofa quer contrair para fazer face a dificuldades de tesouraria, no valor de um milhão de euros e um outro no valor de três milhões para comprar alguns imóveis.

António Pontes vai mais longe e afirma que “neste caso concreto, os vereadores socialistas deveriam ter levado mais a sério a responsabilidade do cargo que ocupam aqui na Câmara que é o de serem vereadores. Acho que tomaram posições que foram um pouco levianas e que não honram o desempenho deste cargo”.
O primeiro ponto em que os membros socialistas abandonaram a sala foi o ponto número cinco relativamente ao empréstimo para resolver problemas de tesouraria. “Há uma situação que está aqui claramente identificada que é dificuldades de tesouraria e operação de empréstimo que é para ocorrer a essas dificuldades de tesouraria, que é uma operação de empréstimo a curto prazo, pelo prazo de um ano. Acho que aqui a questão que se prende é basicamente uma posição política que todos os vereadores têm de ter sobre a matéria”, adiantou.
Relativamente ao ponto sete da Ordem de Trabalhos “que é a adjudicação de contratação do respectivo empréstimo, corresponde a uma folha A4 que vem numa informação dos serviços que é distribuída também aos senhores vereadores, em que a única coisa que está para análise é olhar para as propostas que entretanto chegaram à Câmara e ver qual delas é que apresenta as melhores condições”.
“Depois noutro ponto, que também não votaram, temos uma folha A4 onde estão elencados os investimentos que é para fazer face a estes três milhões de euros. Tem, desde pavimentações de ruas, tem a aquisição de um imóvel para ampliação e alargamento da escola E.B 2,3 Napoleão Sousa Marques, Escola da Trofa, a aquisição de um imóvel da Quinta dos Aidos que é para nós sedearmos aí o espaço de acolhimento núcleo-museológico e centro interpretativo relativamente ao Castro de Alvarelhos. Depois tem um conjunto de quatro artigos que corresponde, de grosso modo, àquela unidade fabril que é a Ráfia, em que o objectivo é destinar esse spread à construção da nossa biblioteca municipal e mais algumas valências que naturalmente ainda estamos a pensar”, explicou.
Apesar de terem sido dados cerca de 20 minutos, por Bernardino Vasconcelos, para os vereadores socialistas poderem discutir os pontos, os vereadores preferiram abandonar a reunião.
António Pontes referiu ainda que teria sido impossível enviar a informação apresentada na reunião, visto que “as propostas no âmbito deste processo tinham chegado no dia anterior à câmara ( o dia limite era dia 2 de Dezembro). Isto para dizer que o sr. presidente da câmara só pôde dar esta informação no dia 3, que era o dia da reunião”.
O vice-presidente acrescentou ainda “uma incoerência” porque no último ponto da ordem de trabalhos, “o presidente apresentou na própria reunião uma proposta para a atribuição de um subsídio à parte social, e estamos a falar de um subsídio de cerca de 284 mil euros, ou seja um valor com bastante significado”, e os vereadores votaram favoravelmente.
Recorde-se que, relativamente a este assunto, a vereadora afirmou, na passada quarta-feira, ao NT que “esta já não é a primeira vez que o Sr. presidente leva à reunião de Câmara para serem votados assuntos sem nos fornecer a informação para que possamos estudar e decidir em consciência”.
De acordo com a autarca, os vereadores socialistas abandonaram a sala onde decorria a reunião no momento da votação dos empréstimos, alegando que “já tínhamos avisado o Sr. presidente que se voltasse a não nos ceder atempadamente a informação, que abandonaríamos a sala e não votaríamos esses pontos”, reiterou.


