Ano 2010
AS MEDIDAS DE POUPANÇA – A Trofa e o Norte lesados
As medidas de poupança que vão sendo implementadas em Portugal, ainda antes da aprovação do Orçamento de Estado para 2011, já indicam, inequivocamente, que o Norte do país e a Trofa em particular são prejudicados pela macrocefalia lisboeta.

Todas as outras SCUT no sul do país, segundo os tais critérios criteriosos, continuam isentas. Houve quem fizesse cálculos e colocou-os na internet: são mais de 1000 quilómetros de vias com características de auto-estrada, só na Grande Lisboa, de acordo com correio electrónico que recebi, que continuam isentos de portagens.
Para haver um mínimo de justiça, devia colocar-se todas as auto-estradas, sem excepção, a pagar portagens.
Para cúmulo, assaltados por um qualquer complexo de modernismo, implantaram um sistema complicado de cobrança porque pretenderam evitar as despesas com o sistema de cobrança. Ou seja: transferiram para os utentes as despesas de cobrança. Não podem pagar no local e têm de adquirir o sistema de pagamento com os gastos que implica deslocar-se aos CTT ou Payshop, com o gasto de tempo e dinheiro que isso implica, para poderem pagar, por vezes alguns cêntimos.
Considero que isso é inaceitável e constitui uma violência sobre os cidadãos.
Outra medida de poupança de Estado tem a ver com os investimentos necessários para a Trofa. Não estou a referir-me ao PIDDAC que, desde há muito, deixou de ser um documento para ser levado a sério.
As obras constam no PIDDAC e não se fazem (alguns investimentos constam muitos anos no PIDDAC sem se fazerem) e executam-se obras e fazem-se outros investimentos que nunca constaram no PIDDAC. É, hoje, um instrumento meramente político que não pode ser levado muito a sério.
Os investimentos previstos para a Trofa estão congelados, sabemos todos.
Estamos a sofrer, mais uma vez, uma grande injustiça.
Somos, talvez, o único concelho do país que não tem alternativas às antigas estradas nacionais. Os cidadãos, quer da Trofa, quer os que por aqui passam, não têm escolha possível e a auto-estrada não é solução para todas as situações, dependendo dos trajectos.
Vamos, por isso, continuar com o martírio que se vive há já muito tempo de ver a Trofa saturada de trânsito de viaturas pesadas, que por aqui passam, ou que para cá se dirigem porque não têm alternativas.
O metro é outra das grandes injustiças.
Contar a história do metro faz corar de vergonha. Desde constar no primeiro concurso até aos eternos adiamentos e agora ao congelamento actual, é revoltante.
Foram muitos rápidos quando se tratou de eliminar o comboio que, todos acreditámos que era um primeiro passo para a modernização dos transportes na Trofa.
Passados todos estes anos, quer-me parecer que ainda teremos muito que esperar.
E, vamos a ver se não aparece um qualquer técnico que nos diga que essa solução não é boa e que será necessário mais estudos que nos coloquem mais umas décadas à espera.
Pelo andar da carruagem……
Afonso Paixão


