Junta de Freguesia tem de pagar 80.500 euros pela construção dos passeios na Rua Vale do Coronado. Situação financeira esteve em destaque durante a sessão ordinária da Assembleia de Freguesia.

A partir das 21.30 horas de quinta-feira, 28 de abril, na sala da Assembleia de Freguesia de S. Mamede do Coronado discutia-se… os quatro golos marcados por Falcao, jogador do FC Porto. Em noite de Liga Europa, o amor aos clubes portugueses falou mais alto e a sessão só começou por volta das 22 horas, quando já estavam reunidos grande parte dos elementos que compõem a Assembleia. Para além dos 15 minutos de tolerância referidos no Regimento daquele órgão, o presidente da mesa, Arnaldo Sá, aguardou mais algum tempo antes de dar início aos trabalhos.

80.500 euros. Este é o valor que a Junta de Freguesia tem a pagar ao empreiteiro responsável pela construção dos passeios na Rua Vale do Coronado. Esta obra foi iniciada no mandato anterior e Modesto Torres, presidente da Junta da altura e atualmente na oposição, afirmou que “existe um documento onde a Câmara Municipal anuía na execução dessa obra”, o que para o social-democrata “implica que seja anuência no sentido de ‘pagar’ a construção dos passeios”. Entendimento diferente parecem ter os atuais executivos da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, já que José Ferreira, edil mamedense, afiançou que “a autarquia não assume qualquer responsabilidade pelo pagamento da obra”, tendo por isso a Junta que liquidar o montante referido, que já inclui os juros de mora. Durante a Assembleia, Rui Machado, membro eleito pelo PSD, questionou várias vezes o executivo da Junta de Freguesia sobre “o valor da fatura sem os juros, uma vez que existia dinheiro para liquidar a dívida”, mas José Ferreira escusou-se a responder, salientando que “o total é de 80.500 euros”. Modesto Torres deixou no ar que o valor da fatura “seria um terço” do que está em pagamento.

 Continuando a debater as finanças de S. Mamede do Coronado, Modesto Torres quis saber a que correspondiam os valores atribuídos às rubricas “outros” e “diversos”. O presidente da Junta esclareceu que o “atual programa informático não permitia a inclusão de rubricas com designações diferentes”, mas o software estava já a ser “substituído por um diferente”, o que vai permitir eliminar as rubricas em causa, especificando o destino das verbas.

De resto, os 15 mil euros usados pelo executivo para a renovação dos equipamentos informáticos foram outros dos valores debatidos, com Rui Machado a questionar a “necessidade de um valor tão elevado”. O social-democrata foi mais longe ao ironizar: “Compraram computadores para a NASA (Agência espacial norte-americana)”.

O dinheiro conseguido pela Junta com as concessões no cemitério – cerca de 170 mil euros – também suscitou algumas dúvidas por parte dos elementos sociais-democratas da Assembleia, uma vez que “apenas” restam oito mil euros e José Ferreira garantiu que a Casa Mortuária (cerca de 20 mil euros) não foi paga com essas verbas. Para responder ao PSD, o edil mamedense recordou que convidou “todos os elementos da Assembleia de Freguesia para uma visita ao local”, de forma a mostrar as obras que foram feitas.

A requalificação de algumas ruas da freguesia também foi levada à Assembleia. A Rua do Soeiro, explicou José Ferreira, “infelizmente ainda está por pavimentar e embora esteja orçamentada, não pode ser cabimentada”. Já a obra na Rua Vale do Coronado deve iniciar “no próximo ano”.

A sessão encerrou já no dia seguinte, depois da uma hora da madrugada.

 

{fcomment}