A comparação feita pelo diretor regional da agricultura do Norte, Manuel Cardoso, de que a Feira Anual está “na primeira liga” de iniciativas do género fez elevar as expectativas de mais uma edição do certame.

O orçamento baixou, mas não foi isso nem a mudança de planos de S. Pedro que fizeram com que o certame não fosse invadido por visitantes. No sábado à tarde, mesmo com aguaceiros, milhares de pessoas enchiam o recinto da Feira, durante o festival de folclore. Os vários espetáculos e concursos equestres também tiveram sempre muitos curiosos, à semelhança dos concursos pecuários das raças autóctones (Minhota, Barrosã e Arouquesa) e Holstein Frísia.

S. Pedro lá fez as pazes com a Trofa e o domingo afirmou-se, mais uma vez, como o grande dia da Feira Anual, onde só era possível percorrer os corredores aos encontrões. A organização contemplava e os comerciantes agradeciam… António Moura viajou de Paços de Ferreira, como faz todos os anos, porque gosta de ver “os animais e as máquinas”. A agricultura não lhe é uma área desconhecida, já que trabalhou no setor primário “muitos anos”, tendo começado “com 13 anos”. Quanto à evolução da Feira Anual, António é perentório: “Tem crescido e é uma feira importante”. José Campos também é visita assídua ao certame e nota que “está bastante animado e forte”.

Já Manuel Campos vem “quase todos os anos” ao evento para “dar uma volta”. “A Trofa está como uma das feiras que eu prefiro”, frisou. O certame também contou com caras conhecidas da sociedade portuguesa. Rui Nabeiro, patrão da Delta Cafés, aceitou o convite da presidente da Câmara e foi entronizado pela Confraria do Cavalo. O novo confrade honorário aceitou o convite de Joana Lima, presidente da Câmara Municipal, e depois de uma visita ao recinto, considerou que a Feira Anual “tem alma, calor e trabalho”, requisitos “que o País precisa”.

Ligado aos cavalos, por influência da filha e do genro (Joaquim Bastinhas), Rui Nabeiro afirmou que a entronização servirá para “levar a mensagem” de que “o que representa o cavalo na sociedade”. Luís Vinhas, presidente da Associação Puro Sangue Lusitano, e Luís Pidwell, proprietário da Coudelaria Santa Margarida, uma das melhores do país, também foram entronizados. Já Veiga Maltez, presidente da Câmara da Golegã, foi entronizado em 2010 e não resistiu a regressar à Trofa. “É bom voltar, é bom ver o trabalho da Trofa, e é bom, acima de tudo, como presidente da capital do cavalo, ver a consideração que têm pelo cavalo aqui no Norte”, frisou. Santos Gomes, presidente da CONFAGRI (Confederação Nacional das Cooperativas de Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal), considerou que a Feira Anual, “para além de ser um impulso” para o setor primário, “é um meio onde as pessoas se encontram, trocam ideias e levam sempre alguma coisa na cabeça para se poder modernizar”. “Há que mudar de paradigma, o futuro não vai ser mais como foi no passado. Temos de mudar e inovar”, frisou Santos Gomes, que confirmou que a Cooperativa de Agricultores de Santo Tirso e Trofa “é um parceiro importante” na região.

Aproveitando o périplo por várias regiões do País, António José Seguro, secretário-geral do Partido Socialista, também passou pela Trofa e enfatizou a realização da Feira Anual: “É muito importante. Em primeiro lugar pelo próprio conhecimento que leva das coisas que aqui são feitas, pelo convívio que aqui se gere, pela economia que é também aqui estabelecida e, fundamentalmente, para ver pessoas que vêm encontrar formas de negócio.”

Organização faz balanço positivo

Como parceira na organização, a Câmara Municipal fez um balanço positivo da iniciativa. “Apesar de termos tido algum mau tempo, estamos muito satisfeitos com a afluência das pessoas a esta Feira. A feira da Trofa está-se a mostrar e a afirmar como uma das melhores feiras agrícolas do País”, postulou a presidente, Joana Lima. A edil trofense lamentou, apenas, que o Governo “não tenha percebido que era importante mandar um membro, um ministro ou secretário de Estado, porque há anos que esta Feira se habitou a ter cá a presença dos governantes”. 

Joana Lima não tem dúvidas que o certame “tem um impacto regional e até nacional”. A Comissão de Agricultores da Trofa esteve responsável pela organização dos concursos pecuários das raças autóctones. Um dos elementos, António Sá Padrão, fez um balanço positivo desta vertente da Feira, que contou com “animais muito bons e bem classificados por um júri que esteve à altura”. A Comissão esperava “menos participações nos concursos, devido à crise”, no entanto, os produtores não hesitaram em regressar. 

Quem também não escondia a satisfação por uma edição de sucesso era José Sá, presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado. Para além “dos excelentes animais” que passaram pelo recinto da Feira, o autarca destacou ainda “os milhares de pessoas” que visitaram o certame. “Mesmo com um orçamento mais baixo, conseguimos realizar uma Feira melhor que as dos outros anos”. 

José Sá não deixou de agradecer “a todos aqueles que colaboraram para que a iniciativa fosse um êxito, assim como a todo o público que apareceu para engrandecer o evento”. O êxito desta edição abre as portas para a continuidade do certame no próximo ano e mostra que, apesar de ter 66 anos, a Feira Anual continua a ser um pólo de atração para profissionais do setor primário e para a população.

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