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“2017 será o melhor ano de sempre da Metalogalva e da Brasmar”

“2017 será o melhor ano de sempre  da Metalogalva e da Brasmar”

São sobejamente conhecidas na Trofa pela capacidade produtiva e de criar emprego e, nos últimos anos, têm galgado fronteiras graças a uma estratégia de internacionalização de sucesso. Com setores de atividade distintos, a Metalogalva e a Brasmar, do grupo Vigent – outrora conhecido por Metalcon -, empregam mais de mil pessoas e, em 2016, faturaram 230 milhões de euros. A Metalogalva, empresa que se dedica à transformação e galvanização de aço, nos domínios do transporte de energia, telecomunicações, iluminação pública, proteção rodoviária e ferrovias subiu o volume de exportações de sete para 65 por cento, desde 2010. Já a Brasmar, vocacionada para a distribuição e venda de produtos alimentares congelados, vai ampliar a unidade industrial que tem na Trofa e prevê faturar 165 milhões este ano.
O NT entrevistou o presidente executivo do grupo Vigent, Sérgio Silva, que revelou que 2017 será o melhor ano de sempre.

O Notícias da Trofa (NT): A Metalogalva é uma empresa que surgiu na década de 70, facilmente assumiu a liderança no mercado interno, mas, nos últimos anos, deu um salto e muito graças ao mercado externo.
Sérgio Silva (SS): A empresa começou em 1971 com o meu pai e com o meu tio, Adelino Silva e Joaquim Silva que começaram com o projeto na área industrial da metalomecânica. Realmente, nos últimos anos, principalmente desde 2010, a empresa tem apostado na internacionalização e, hoje em dia, está em 11 países. Este ano, devemos atingir mais de 80 por cento de faturação para os mercados externos, quando em 2010 tínhamos sete. Foi uma evolução muito forte que tivemos nos últimos anos, com uma aposta forte na área da internacionalização da empresa, sendo que a Europa foi uma prioridade. Fisicamente, estamos presentes na Espanha, na França, na Holanda, na Bélgica e na Alemanha. Na Ucrânia, abrimos uma unidade fabril em dezembro. Fora da Europa, estamos representados no Senegal e vamos abrir uma unidade industrial no Brasil.

NT: A criação das unidades na Ucrânia e no Brasil tem que ver com os custos operacionais desses países?
SS: Não. No caso da Ucrânia, queremos abordar o mercado de Leste e Portugal começa a ficar muito longe, então o custo de transporte é muito elevado. Temos uma parceria local interessante, que nos ajudou na implantação. No caso do Brasil, foi uma oportunidade que nos apareceu com um cliente americano, com uma obra muito grande no mercado daquele país e daí decidimos instalar uma unidade.

NT: Para além da exportação, quais foram os fatores que condicionaram este grande crescimento do grupo Vigent?
SS: A aposta na exportação e na internacionalização da empresa foi essencial para o crescimento. A Metalogalva já tinha um know how de muitos anos, mas estava muito focada no mercado interno e, em 2010, achamos que tínhamos de abordar os mercados externos de outra forma, porque o interno começou a ressentir-se muito. Percebemos que ou investíamos no caminho da internacionalização ou a empresa ia passar por sérias dificuldades. Nessa altura, as exportações só representavam sete por cento das nossas vendas. Investimos fortemente na vertente tecnológica, com grande investimento nos equipamentos, mas também na qualificação dos recursos humanos. Com esta estratégia, acabamos por ter repercussões positivas ao nível da faturação da empresa e da empregabilidade, o que também é bom para a região.
NT: Como nasceu a Brasmar?
SS: Nós tínhamos uma empresa de produção de camarão já há cerca de 25 anos, num projeto que tinha sido iniciado pela família. Em 2000, acabei o curso e não quis ir trabalhar para a área do metal e como tínhamos esse projeto no Brasil, quis importar o camarão para o vender em Portugal. Passados dois anos, acabamos por comprar uma pequena empresa emGuimarães, que na altura faturava cerca de quatro milhões de euros por ano e trabalhava com todos os produtos do mar congelados. Com a aquisição da empresa, a Brasmar começou a ganhar uma capacidade maior e, hoje em dia, é a maior empresa em Portugal na área dos produtos do mar. Na altura, o apoio do meu pai e do meu tio foram fundamentais, devido à capacidade financeira que o grupo já tinha, para fazer da Brasmar aquilo que ela é hoje. Em janeiro, terminamos uma nova unidade logística da Brasmar, que já está em funcionamento, e iniciamos o processo para ampliar a fábrica, onde vamos criar mais cem postos de trabalho e conseguir mais mil toneladas de produtos congelados por mês.
Na Metalogalva e na Brasmar 2017 será o melhor ano de sempre, à semelhança do que aconteceu em 2016.

NT: Ao nível do investimento, há projetos futuros para as empresas?
SS: Na Metalogalva, temos em andamento um processo de ampliação da unidade na Trofa, assim como estamos com uma nova em Albergaria, com cerca de dez mil metros quadrados. Como temos feito investimentos muito fortes na Metalogalva, contávamos abrandar este ano, para os quatro milhões de euros, mas já estamos a reaquacionar o valor, porque estamos a pensar aumentar as instalações. A Brasmar, entre 2016 e 2017, está a investir 22 milhões de euros.

NT: Há algum fator externo que condiciona de alguma forma o crescimento do grupo? Lembro-me, por exemplo, da falta de acessibilidades no concelho, face à sobrelotação das estradas nacionais.
SS: A variante é, sem dúvida, uma necessidade urgente que a Trofa precisa de resolver. Depois, verificamos a dificuldade de recrutamento de mão de obra mais indiferenciada no concelho, o que não se coaduna com a imagem que se faz passar que há um elevado nível de desemprego na região.
Na Metalogalva, somos 650 colaboradores, na Brasmar cerca de 350. Temos crescido muito nos últimos anos. A componente de engenharia também se desenvolveu bastante e, hoje em dia, temos mais de 60 engenheiros na empresa. E grande parte das pessoas são residentes nas proximidades, com mais 400 colaboradores do grupo residentes na Trofa e os outros, essencialmente dos arredores, como Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso e Vila do Conde. No total, temos colaboradores de 47 concelhos do país.
Os recursos humanos, a sua capacidade técnica e a sua formação são fundamentais para abordarmos os mercados internacionais, porque o nível de exigência é muito maior. É que cada mercado tem as suas especificidades e nós temos de nos adaptar. Para isso, contamos com o apoio fundamental das nossas equipas locais, que conhecem o mercado e ajudam a que a empresa, na Trofa, consiga dar ao cliente aquilo que ele pretende, a um preço competitivo.

NT: Qual o volume de faturação previsto para o ano 2017?
SS: Nas empresas alimentares contamos fechar o ano com mais de 165 milhões de euros e na metalomecânica prevemos ultrapassar em 20 por cento o volume de faturação do ano passado.

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