Claque festejou aniversário com críticas ao “futebol moderno”

 O Núcleo da Trofa dos Super Dragões na Trofa fez 20 anos de apoio ao Futebol Clube do Porto. Elementos da “nova guarda” querem lutar contra o que chamam “futebol moderno”.

A primeira deslocação do núcleo da Trofa dos Super Dragões para apoiar o Futebol Clube do Porto não podia ter corrido melhor. Com quase um ano de existência na altura (20 de fevereiro de 1994), o grupo viu os azuis e brancos golearem o Famalicão por 0-5, no estádio do Varzim, na 20ª jornada do campeonato nacional.

Vinte anos depois do nascimento do núcleo, os elementos que o compõem quiseram festejar um aniversário que consideram “especial”. Numa altura em que as claques não são vistas com bons olhos pela sociedade, são os próprios responsáveis que não querem dar a cara nem o nome por elas.

O responsável pelo núcleo da Trofa dos Super Dragões prefere usar as iniciais “HJ” para se identificar. Diz que o objetivo do grupo é “dar continuidade ao trabalho feito pela velha guarda” e fazer com que “a nova guarda entenda os novos valores da mentalidade Ultra que se vive em Portugal”. E esses valores passam por lutar contra aquilo que chamam de “futebol moderno”. “A estúpida repressão policial que se vive hoje em dia nos estádios, em que nos espezinham. Ainda hoje (sexta-feira) saiu mais uma lei em que ter uma tocha é crime, enquanto esses criminosos de gravata andam em Portugal a prevaricar. A pirotecnia não pode ser crime em Portugal, porque crime é roubar os bancos, como é o caso do BPN. Nós não somos criminosos, só queremos apoiar o Porto”, frisou.

HJ também apontou armas à televisão, que “manda nos horários dos jogos”. “Andamos em função da SportTv e dependemos muito do preço dos bilhetes”, sublinhou.

VC, que também quer ser tratado pelas iniciais do seu nome, fundou o núcleo na Trofa e considera que a lei não devia ter sido feita sem que as claques fossem auscultadas.

Do outro lado das críticas, a claque não assume responsabilidade pela repressão policial nem admite uma mudança de mentalidade de quem compõe estas estruturas. “Se não fôssemos nós, não havia ninguém nos estádios. Só havia os visitados, porque os visitantes somos nós. Independentemente da cor clubística, isto é uma luta de todos, não é só nossa. O futebol antigamente era muito melhor, enchia-se estádios, hoje em dia não”, afiançou.

 

Com duas décadas, a história do núcleo da Trofa dos Super Dragões é feita de “altos e baixos”. “Os primeiros anos foram sempre em crescendo até que atingimos uma altura muito forte perto do ano 2000. Depois, houve um decréscimo bastante acentuado, quase até a extinção. Depois graças ao Nelson e Jesus, que fizeram um grande trabalho, foi possível ressuscitar o grupo nos últimos anos e cá estão em força outra vez”, descreveu VC.

O aniversário foi festejado com uma festa na Casa do Futebol Clube do Porto. O presidente da associação, Diamantino Silva, recebeu-os à semelhança do que acontece “nalguns jogos, em que vêm para assistir”. “Considero que os Super Dragões são o segundo membro da pirâmide do Porto, primeiro que os sócios. O núcleo da Trofa ainda tem um número reduzido de elementos, mas são todos bons rapazes”.

O núcleo da Trofa dos Super Dragões conta atualmente com cerca de 70 elementos.