António Marranita é modelista nos tempos livres e o talento para construir aviões e navios de guerra é reconhecido nacional e internacionalmente. Peças vão estar expostas na sede da delegação da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa.

Quase 20 anos separam os dias de hoje da altura em que o trofense António Marranita decidiu ter como hobby o modelismo. Com 16 anos e prestes a ser operado à coluna, devido a um problema de saúde que o pôs numa cadeira de rodas, António Marranita não caiu no desânimo. “Tinha de arranjar uma atividade para além do computador para me ocupar”, conta. E touché. Hoje, não tem dúvidas que o modelismo “foi uma boa opção”. “Acabou por me ajudar na recuperação e a libertar-me de outras situações. Devido à minha doença, tenho oportunidade de fazer fisioterapia constante, porque nunca estou parado”, explicou.

O modelismo trata-se de uma atividade de recriação em escala reduzida de modelos, por exemplo carros, navios, aviões, helicópteros e comboios. António Marranita, agora com 35 anos, começou com os aviões de guerra, na escala de 1/72, baseando-se na 2ª Guerra Mundial. Esta é uma época histórica fértil para os modelistas, uma vez que “houve um grande avanço tecnológico, que permitiu inventar todo o tipo de veículos e armamento”.

Depois dos aviões, seguiram-se os tanques de guerra, figuras, dioramas (paisagens em que se misturam dois ou mais veículos) e, neste momento, são os navios que ocupam grande parte do tempo livre de António Marranita. A escala transitou para 1/35, aumentando a dificuldade, proporcionalmente, o gosto pela construção.

Um navio demora “vários meses” a ficarem concluídos e exigem um processo complexo de construção, que se divide em planeamento/investigação, construção e pintura. A primeira etapa, a investigação, é a mais complexa pois “obriga à recolha de bastante informação e cruzamento de dados”, explicou. “Os modelistas são, geralmente, pessoas rigorosas e gostam de ter o maior pormenor possível na sua construção. Às vezes, uma pessoa para algum tempo até ter a certeza que uma pequena peça tem a maior veracidade possível”.

Recolhidos todos os dados, avança-se para o desenho. Após traçar em duas dimensões, no computador, o modelista faz a impressão dos moldes e recorta o papel colando-o, posteriormente, sobre um plástico, o poliestireno. As peças são recortadas para depois serem coladas até ganharem forma. O processo prossegue a lixar, betumar e pintar.

Neste momento, António Marranita está a construir um navio soviético, mas já concebeu outros de origem alemã e polaca. O que mais gosto lhe deu fazer foi um navio húngaro, denominado PM-1, o maior que tem na coleção, com quase um metro de comprimento, porque lhe deu “oportunidade” de “experimentar várias técnicas” que aprendeu com colegas portugueses e estrangeiros.

Licenciado em Engenharia Informática e prestes a concluir a licenciatura em História, António Marranita evita fazer peças habituais, optando por outras raras e pouco exploradas no modelismo.

Habitué em exposições um pouco por todo o país, o modelista trofense participou numa mostra e concurso, no Fórum da Maia, e de lá trouxe duas medalhas, uma de ouro (pelo Monitor de Rio Classe Baioneta) e outra de bronze (pelo navio PM-1). Recentemente também foi contactado por uma revista inglesa da especialidade para ser protagonista de uma reportagem.

 

Peças em exposição na delegação da Trofa da Cruz Vermelha

Depois de um período em exposição, as peças de António Marranita vão voltar à sede da delegação da Trofa da Cruz Vermelha da Trofa. Daniela Esteves, presidente da instituição, explicou que a disponibilidade para receber a mostra também faz parte da atividade da Cruz Vermelha, que permite que o modelista “partilhe as suas peças com a comunidade”. “Gostava que esta exposição pudesse ser itinerante e que passasse pela Casa da Cultura, para que estes trabalhos fossem mais divulgados em espaços mais adequados”, apelou.