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Casa da Cultura expõe trabalhos de Jorge Vilaça e Carlota Leitão. Primeiro surpreende com mostra inspirada no nu e no romantismo. Fotógrafa faz reflectir sobre o voyeurismo.

“O primeiro passo” de Jorge Vilaça foi dado na Trofa, apesar de ser natural de Santo Tirso. Foi no concelho trofense que o artista preferiu fazer a sua primeira exposição individual, muito também pela influência do “grande amigo” Jaime Moreira, vereador sem pelouro da Câmara Municipal da Trofa.

Apesar de ser cabeleireiro, Jorge Vilaça estende a sua arte ao plástico e à pintura e a primeira exposição é altamente inspirada no nu e no romantismo. À sua obra preferida o artista deu o nome de “Somente o raro estende o nosso sentido” e causa alguma curiosidade pela fisionomia que a caracteriza. Pode ser apreciada de perto na Casa da Cultura da Trofa.

Esta mostra, assim como a de Carlota Leitão, marcam uma nova fase da Casa da Cultura da Trofa, que assim dá também o primeiro passo para a evolução.

Duas exposições inovadoras e intrigantes que denunciam uma viragem de sentido à agenda cultural trofense.

O movimento de pessoas também surpreendeu e mereceu o apontamento de Assis Serra Neves, vereador do pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Trofa, que considera que este será um cenário repetido noutras exposições. “A agenda cultural vai ser diferente este ano, porque fizemos uma nova aquisição. O doutor António Sousa vai tratar da agenda em substituição com o bom trabalho da Antónia Serra no passado, que por sua vez vai continuar com os Meninos Cantores do Município da Trofa”, referiu.

O autarca considera que a Trofa tem capacidade para fazer coisas novas na cultura, nomeadamente “alguns artistas amadores, que poderão fazer com que se explore novos domínios como o fado e a poesia”.

Jorge Vilaça estava satisfeito por inaugurar uma exposição individual e mostrar os seus trabalhos, inspirados nas viagens que faz e nas novidades que traz e transpõe para a tela.

Já no rés-do-chão, quatro portas fechadas causam alguma estranheza e uma certa curiosidade invade quem entra na sala de exposições. A ideia é abri-las e descobrir um mundo diferente, vidas alheias, segredos que guardamos dentro de quatro paredes e que nos transportam para o voyeurismo, conceito explorado por Carlota Leitão.

“Os fotógrafos são um pouco voyeuristas, entram na casa das pessoas, na vida delas e até os meus amigos gostam de ver e pedem para mostrar as fotografias, são também voyeuristas”, explica a fotógrafa.

No interior de três portas, imagens intrigantes levam-nos para um mundo diferente do que vivemos…ou não. Fotografias de pessoas, vidas que contam uma história. Na última, a porta está trancada, mas a fotografia surge pela metade e mostra uma mulher nua num ambiente húmido. A curiosidade de abrir é grande… mas nem tudo está ao nosso alcance. A exposição está patente até 30 de Janeiro.