As 32 mulheres que entre Janeiro e Agosto de 2008 morreram em Portugal vítimas de agressões dos companheiros provam “claramente” que a violência doméstica deve ser “atacada a sério” no País, defende a União da Mulher – Alternativa e Resposta (UMAR).Na Trofa os números falam por si e de acordo com dados fornecidos por fonte policial foram registadas entre Janeiro e de Outubro deste ano 43 denúncias de violências doméstica.

 Quase sempre as vítimas sofrem em silêncio e só as marcas no corpo parecem não querer esconder um flagelo que já matou em Portugal 32 mulheres entre Janeiro e Agosto deste ano. A Trofa não é excepção e os números não escondem que só este ano 43 pessoas foram vítimas de violência doméstica, das quais 41 são mulheres e 2 são homens. Os casos foram registados pela Guarda Nacional Republicana da Trofa mas muitas dezenas ficaram com certeza na sombra do medo e da vergonha.

Almerinda Bento, dirigente da UMAR, garante que a violência doméstica se assume “cada vez mais como um dos problemas mais fortes” das mulheres em Portugal.

Como exemplo deu as duas casas-abrigo para mulheres que são vitimas de maus tratos, com capacidade para 60 utentes, “e a verdade é que estão sempre lotadas. Quando uma mulher sai, entra logo outra. Um sinal claro de que o fenómeno não pára”, acrescentou.

O baixo nível de escolaridade e o consequente baixo nível salarial são outros dos problemas que Almerinda Bento aponta como sendo dos maiores problemas das mulheres portuguesas.

“Mas também se continua a registar uma grande discriminação salarial para trabalho exactamente igual. Por norma, os homens ganham mais do que as mulheres”, acrescentou.

Uma opinião partilhada por Sandra Frade, da Associação para a Justiça e Paz, que sublinhou “o longo caminho que falta percorrer” para que em Portugal as mulheres sejam vistas e tratadas “de igual para igual” em relação aos homens.

“Quando há desemprego, quem são as primeiras a sofrer as consequências? As mulheres, claro. Até porque são elas quem, por norma, tem os vínculos laborais mais precários”, criticou.

No entanto, não são apenas as mulheres que são vitimas de maus tratos, os homens também têm vindo a apresentar queixas de violência doméstica, embora em menor número.