A Vigorosa tem-se destacado nas modalidades de atletismo e basquetebol. Apesar da escassez de recursos humanos, a associação potenciou a “vocação formadora” e já mobiliza mais de centena e meia de atletas.

Há muito que a Associação Cultural Recreativa Vigorosa deixou de ser um clube de aldeia. Nos últimos anos, os diretores desta coletividade trabalharam para dotá-la de “vocação formadora” com expressão concelhia. A dirigir os destinos da associação há sete anos, o presidente Carlos Portela orgulha-se do trabalho que tem sido desenvolvido em prol dos jovens da Trofa, fundamentalmente nas modalidades de basquetebol e atletismo. Em entrevista ao NT, o responsável pela Vigorosa admitiu que a evolução obrigou a puxar pela imaginação e, mesmo sem espaço próprio, a associação “desdobrou-se” pelo concelho e criou polos desportivos, situados nas escolas básicas Napoleão Sousa Marques, de Alvarelhos e S. Romão do Coronado e no Colégio da Trofa. 

No basquetebol, a Vigorosa já se tornou uma referência no seio da Associação de Basquetebol do Porto, ao ser capaz de organizar provas de elite como a “Final Four” da 1ª Divisão distrital. Internamente, os resultados têm brindado o “trabalho de orientação meritório” do coordenador Paulo Queirós e dos técnicos, que monitorizam mais de uma centena de atletas, distribuídos por cinco equipas federadas, além dos grupos de mini-basquet.

A “cereja no topo do bolo”, esta época, foi o apuramento da formação de sub-18 masculina para a “Final Four” da 2ª Divisão distrital. Ao longo de, sensivelmente, oito anos, esta modalidade é uma das que mais tem divulgado a coletividade, tendo-se “expandido e adquirido uma determinada autonomia” que “tem cativado atletas junto das escolas e promovido a formação em vários espaços do concelho”, afirmou. 

Este foi um dos trabalhos que Carlos Portela fez questão de dar continuidade quando assumiu a presidência da associação. “A primeira responsabilidade é dar  continuidade ao que está bem, melhorando ou cortando, quando é caso disso, naquilo que está mal”, explicou. Por isso, entendeu reintegrar o atletismo na coletividade. Os resultados positivos não tardaram: “Temos tido algumas vitórias coletivas em provas de estrada. Na época passada fomos campeões distritais de corta-mato em infantis masculinos, o atleta João Gomes bateu o recorde regional do mesmo escalão nos 600 metros de pista coberta, em Braga, e recentemente, a veterana Deolinda Oliveira consagrou-se, em Fafe, vice-campeã nacional de corrida de montanha. Entretanto, o João Gomes e a Ana Lopes também se qualificaram para a seleção do Norte do triatlo técnico”. São cerca de 30 de atletas federados e outra dezena em vias de o ser, entre os sete e os 18 anos, a praticar esta modalidade, envergando a camisola da Vigorosa.

Esta temporada, a coletividade preferiu alterar a filosofia relativamente ao atletismo e passou “a trabalhar mais a pista e as áreas técnicas dos atletas, como o salto em comprimento, os 60 metros barreiras, entre outras”. “Em vez de ser só corrida, passamos a frequentar a pista Irmãos Castro, em Guimarães, a da Maia e a da Póvoa de Varzim. Tem havido um trabalho incansável do Pedro Sá e do Costa”, acrescentou Carlos Portela.

Um dos polos que a associação criou através de um protocolo está na EB 2/3 de Alvarelhos. O presidente da Vigorosa elogia a postura do diretor Renato Carneiro, pois “tem sido inexcedível no apoio e está sempre disponível para colaborar”. “O evento que teve a participação da Sara Moreira e do Luís Sá deu resultado e já temos um núcleo de 14 atletas”, acrescentou. O futuro da Vigorosa passa, por isso mesmo, “continuar a apostar na formação” e nem mesmo a escassez de recursos  humanos desanimam aqueles que têm dado tudo para fomentar o desporto junto dos jovens. Para colmatar esta lacuna, os responsáveis da Vigorosa têm contado com “o apoio dos pais dos atletas”. “Têm sido impecáveis, e agora muito mais, porque de março para cá tivemos que nos socorrer de transportes próprios, já que uma nova diretiva da Câmara impedia o uso dos transportes a custo zero, a partir do momento em que se ultrapassasse um plafond”, explicou.

Dificuldades na ocupação de espaços

Mas, a “pedra no sapato” de Carlos Portela tem sido a necessidade de espaços para os treinos. O presidente da Vigorosa afirmou que a associação tem tido problemas na EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques, por não conseguir cumprir com os pagamentos. “Somos constantemente incomodados por terceiros, não nos permitem que utilizemos as barreiras e outros materiais inerentes à prática desportiva, quisemos lá colocar um armário com os nossos objetos, mas não nos foi permitido, só porque temos pagamentos em atraso. Há um acordo tripartido entre a associação, a escola e a Câmara, em que 50 por cento do valor que recebermos do protocolo assinado com a autarquia será entregue diretamente à escola. 

Por isso, não compreendemos todas as dificuldades que, sucessivamente, a direção da escola coloca à prática desportiva. Às vezes, parece-nos que são aqueles que mais obrigações deveriam ter com a Vigorosa, por eles próprios e os seus familiares terem passado pela coletividade, que são efetivamente os que mais boicotam o nosso trabalho”, asseverou.

Carlos Portela entende que “a solução” para resolver estes problemas seria que “não houvesse subsídio monetário por parte da Câmara Municipal, mas sim o fornecimento de espaços para treinar, mantendo o apoio logístico dos transportes em viagens fora do concelho, como já tem acontecido”. 

O presidente da Vigorosa entende também que a divisão do Desporto da autarquia devia estar “mais interventivo e participante” no seio associativo. Não tenho dúvidas que a vereadora do pelouro faz o melhor que pode, mas ela tem tantos ofícios, que é óbvio que o tempo não chega para tudo. Teria de delegar em alguém o acompanhamento incisivo de todo o processo associativo”, frisou.

O projeto que nunca saiu da gaveta

“Desliguei a ficha”. Foi desta forma que Carlos Portela se pronunciou acerca do processo que se arrasta há anos sobre a escritura do terreno “prometido” para a construção da sede da Vigorosa. “Não vale a pena dialogar com quem não dialoga. A atual Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado nunca quis colaborar numa solução em que só tinha a ganhar. Foi uma pena termos perdido a oportunidade de ter construído um espaço próprio”, afiançou. 

O presidente da Vigorosa apontou ainda “a diferença de comportamento em prol do associativismo, da juventude e do desporto da Junta de Santiago de Bougado por contraponto à de S. Martinho”, referindo que “há dois anos, o senhor presidente de S. Martinho afirmava que estava tudo resolvido quanto ao processo do terreno, mas como todos podem ver que não há nada”.

A Vigorosa está ainda representada na modalidade de futsal, a nível concelhio, com as equipas de seniores femininos e veteranos masculinos. Esta temporada, a associação arrecadou mais um título ao vencer o campeonato de seniores femininos.

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