Para tristeza dos “arautos da desgraça”, a grande maioria dos portugueses vai viver, ainda este ano, uma tripla satisfação: vai-se começar a “respirar” melhor, com a saída do programa de ajustamento, imposto pela “troika”; a União Europeia está a empurrar Portugal para uma saída “limpa”, à irlandesa; vai haver mais e melhor investimento em Infraestruturas de Valor Acrescentado (IEVA), tão necessárias ao desenvolvimento do país, seja em termos viários, rodoviários ou outros. Três boas notícias, que se deseja a sua concretização, pois é bem necessário e bem merecido, após tão longo “cativeiro”.

Estes cenários, ainda não estão assegurados e poderão sofrer um revés. Inclusive, o Governo português está a preparar-se para dois cenários, referente à saída do programa de ajustamento, imposto pela “troika”: saída limpa à irlandesa ou um novo programa cautelar. Este cenário é o menos provável, pois o Governo teme cada vez mais, um “não” de vários países do norte da Europa, a um programa cautelar, após o final do programa de ajustamento, em maio deste ano.

Um dado adquirido é o QREN 2014-2020, que vem “recheado” com perto de 25 mil milhões de euros para investimentos. É mesmo muito dinheiro, e uma fatia significativa é para investimentos na zona norte e zona centro. Bem merecido, pois estas zonas passaram em pouco mais de uma década, das zonas que mais contribuíam para o PIB nacional, para as zonas mais degradadas a nível nacional e a nível da zona euro. Uma desgraça que o poder centralista e macrocéfalo lisboeta não quis ver, ou pelo menos nada fez para inverter a situação. Mais vale tarde do que nunca!

A variante à EN14 vai ser construída. Finalmente! O Governo vai incluir, no próximo pacote de fundos comunitários, a construção da variante, alternativa à Estrada Nacional 14. Esta via, que ligará Maia-Trofa-Famalicão é uma infraestrutura há muito tempo reclamada, quer pelos cidadãos que tem de efectuar este trajeto diariamente, quer pelo forte tecido empresarial dos concelhos envolvidos. A EN14 é uma das estradas nacionais com mais tráfego rodoviário, já o era antes da construção da A3 e agora voltou a ser depois da subida dos combustíveis e das portagens. O estrangulamento rodoviário, que constitui esta via, continua a originar a deslocalização de muitas empresas para outros concelhos.

O Governo reconhece a variante à EN14 como prioritária para a economia. Deseja-se que a construção desta variante seja concretizada em breve, pois é uma obra com um enquadramento especial, naquele que é considerado o perfil da União Europeia, para os investimentos ao nível da coesão territorial. É uma obra há muito desejada e vai ser uma alavanca para o crescimento das empresas e para o desenvolvimento da região.

Que a construção desta infraestrutura tão importante, não faça esquecer a requalificação da EN14, concretamente a repavimentação e a construção da rotunda no cruzamento da Carriça, assim como a construção da linha do metro de superfície à Trofa, sendo que a 1ª fase – ligação do ISMAI à Serra-Muro -, deverá ser feita urgentemente. É a reposição de um meio de transporte, que foi surripiado às populações, há mais de uma década. Que haja justiça!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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