Bruxelas não financia nem mais um quilometro de estradas em Portugal pois considera que o investimento em acessibilidades rodoviárias não é prioritário para o pais. Variante à EN14 poderá ficar na gaveta por alguns anos. PS da Trofa, Maia e Famalicão enviaram missiva ao governo a defender prioridade da Variante, Presidente da Câmara da Trofa desagradado com anúncio da União Europeia

Foi um rotundo “Não” que a porta-voz da Comissão Europeia para a Política Regional, Shirin Wheeler deu aos jornalistas portugueses, quando foi questionada sobre se estava a ser equacionada a possibilidade de Bruxelas disponibilizar verbas, do próximo quadro comunitário de apoio, para obras incluídas no conceito “Last Mile, destinado a fecho de infraestruturas já iniciadas pelo atual QREN.

A porta voz da Comissão adiantou que “não haverá apoio para este tipo de infraestruturas rodoviárias curtas e sublinhou que “as estradas criam dinheiro por alguns meses, mas não criam emprego que alimenta as famílias no futuro” e foi mais longe ao afirmar que deveria ser o orçamento de estado português a assumir esse investimento. “Portugal já investiu muito em estradas no passado, essas infraestruturas não devem ser uma prioridade”. A responsável adiantou que Bruxelas vai apoiar outras tipologias de projetos numa clara “mudança de direção da política regional”

Do rol de vias prioritárias para o concelho da Trofa e que constava da “Last Mile” faz parte a variante à estrada nacional 14, há mais de uma década prometida mas que tem sido sucessivamente adiada e esquecida nas gavetas dos Governos de Portugal e que é agora arredada de ser construida com recurso a financiamento da União Europeia.

Contactado pelo NT o presidente da Câmara da Trofa Sérgio Humberto reagiu a este anúncio com desagrado, uma vez que é “a Comissão Europeia que define muitas linhas de estratégia para além do Estado Central” adiantando que “foi apresentado o relatório crítico relativamente à prioridade da construção da variante à estrada 14” pelos municípios da Trofa, Vila Nova de Famalicão e Maia , alertando “que esta variante é necessária, para a ligação das áreas industriais, para que as empresas escoem os seus produtos e para aqui se instalarem novas empresas”. Estes três concelho são para o edil da Trofa “ das áreas do território nacional mais importantes, com grandes empresas, multinacionais exportadoras” e “não estamos a falar numa perda de dinheiro no fundo que não tem retorno, quando estamos a falar que esta via é importante para este tecido empresarial, económico e também para as suas populações, estamos a falar que é fundamental alertar o governo e a Comissão Europeia para esta importância”.

Sérgio Humberto defende que “trabalho tem que continuar e se não for agora com esta sensibilização do governo, as coisas ficam mais difíceis”. Esta variante “é algo que se vem a falar há mais de dez anos e que nunca foi resolvida”, este trabalho em conjunto das três autarquias tem sido fundamental para não andarmos aqui cada um a puxar para seu canto”.

O edil defende “só pode ser cantada aqui uma vitória para esta área do território com a construção desta variante, quer seja com o atual perfil que está redefinido no valor de cento e noventa milhões de euros, quer seja com outro com investimento menor, mas não estamos a falar dos vinte milhões que estavam previstos nesse grupo de trabalho do IEVA que se calhar não dá para requalificar toda a EN14”.

Sérgio Humberto tem consciência de que “na Comissão Europeia olham para Portugal e vêm um país que é o 4º país com melhor rede viária do mundo. O problema é que no passado se projetou um conjunto de vias que não eram necessárias e isso hoje consegue-se perceber no interior, em muitas que foram feitas no sul do país que no fundo não tráz produtividade ao país. Esta é completamente ao contrário pois, já devia ter sido feita à mais de dez anos e não foi feita. Temos agora consciência de que foram cometidos muitos erros no passado na construção de vias que não eram necessárias e algumas delas até aqui para o norte do país e esta ficou sempre para trás, é algo que não é compreensível para quem tem responsabilidades para planificar a rede viária em termos nacionais, espero bem que a justiça seja reposta e que haja no fundo responsabilidade por parte dos gestores deste processo de repor uma justiça para com os empresários e para com a população desta região”, finalizou.

 

PS Trofa, Famalicão e Maia unidos na reivindicação da variante à EN14

As concelhias do Partido Socialista do PS da Trofa, Vila Nova de Famalicão e Maia uniram-se para reivindicar ao governo que no próximo quadro comunitário de apoio sejam incluídos os fundos necessários para a construção da variante à Estrada Nacional 14, “um investimento considerado prioritário” pelas estruturas dos três concelhos, através de comunicado, enviado esta quarta-feira aos jornalistas.

No âmbito do debate em torno dos Investimentos de Elevado Valor Acrescentado (IEVA), os socialistas defendem que “importa definir os investimentos no sector dos transportes que acrescentem competitividade e coesão e que possam assumir um papel essencial na aproximação do Norte aos níveis médios nacionais (e europeus) considerando o seu valor estratégico, quer no âmbito da coesão, quer no domínio da competitividade económica do território mais fortemente industrializado e mais claramente exportador do país”.

Com recurso a fundos comunitários é possível, de acordo com os socialista fazer face ao valor “estimado do investimento é 20 milhões de euros, com a possibilidade de uma comparticipação de 80% dos fundos comunitários. Ou seja, o que se propõe para 6 anos corresponde a um esforço financeiro por parte do Estado português de apenas 4 milhões de euros”.

Os socialistas vão mais longe e adiantam que o facto de o “ governo estar a considerar a construção de um novo porto de águas profundas em Lisboa, estimado em 600 milhões, facilmente se perceberá que existe um pensamento alternativo, e consequentes fundos, para avançar com a priorização da variante à Estrada Nacional 14, sendo possível executar a um investimento que, sem onerar o país, responde aos interesses regionais do Norte, que devem ser também os interesses nacionais, considerando os objetivos de coesão nacional e da competitividade de um espaço regional absolutamente essencial ao relançamento da economia portuguesa”, pode ler-se no comunicado subscrito pela concelhias da Trofa, Famalicão e Maia.

Os socialista fizeram saber que enviaram uma missiva “aos deputados da comissão parlamentar das obras públicas, à Secretária de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações e ao Ministério da Economia, no sentido de defender como prioritária a execução da obra da variante à estrada nacional 14, entre os concelhos de Maia, Trofa e Vila Nova de Famalicão, dado o seu papel absolutamente determinante no território altamente industrializado e densamente povoado pertencente à grande área metropolitana do Porto e ao Vale do Ave”.

Os números de uma obra estratégica e fundamental para a região norte

São milhares as viaturas que diariamente utilizam a Estrada nacional 14 no eixo Maia-Trofa-Vila Nova de Famalicão, sobretudo veículos de mercadorias, centenas deles veículos pesados que asseguram a matéria prima para industrias e estabelecimentos comerciais manterem viva a economia da região. De acordo com o comunicado do PS “ os três municípios aceitaram o reperfilamento com vista à diminuição de custos, estimando-se que apenas 20 milhões de euros tenham um efeito muito significativo na fluidez da circulação e na competitividade deste espaço fortemente industrializado do Norte de Portugal”.

Grandes empresas dos três concelhos como a Frezite, a Proef, o grupo Metalcon, a Continental Mabor, a LEICA, a Cerealis e a EFACEC “são apenas alguns dos muitos exemplos das que diariamente lidam com o estrangulamento rodoviário da Estrada Nacional n.º14, cujas administrações têm alertado insistentemente para a importância da resolução deste problema, existindo ainda um notório consenso entre as câmaras municipais envolvidas” afiançam os socialistas.

De acordo com o comunicado “a EN14 entre Porto e Braga cruza uma região onde moram quase 900 mil pessoas, o que correspondia, segundo os Censos de 2001, a cerca de 23,5% da população residente no Norte. Não espanta, por isso, que a estrada tenha frequentes congestionamentos e reduzida fluidez de trânsito. Só entre Maia e Famalicão circulam 20 mil veículos por dia”.

Terminou na segunda-feira consulta pública

A Frezite, a Câmara Municipal da Trofa, muitas instituições e alguns residentes do eixo Maia-Trofa-Famalicão apresentaram exposições críticas e contributos, até segunda-feira dia 31 de março, no âmbito da discussão pública do relatório do Grupo de Trabalho das Infraestruturas de Elevado valor Acrescentado, relativamente à priorização da variante à EN14 como de extrema prioridade da construção desta via rodoviária.

A própria Associação Empresarial do Baixo Ave enviou aos seus associados um email no qual apelava às empresas e às pessoas a pronunciarem-se no web site http://www.ieva.pt/contribua-com-a-sua-opiniao/view/form.html