O aumento da taxa de desemprego tem vindo a reflectir os avanços tecnológicos que têm destruído postos de trabalho mas também é reflexo da crise financeira e de políticas erradas. No último ano em Portugal, a taxa de desemprego aumentou mais de 50 por cento; passou de 400.000 desempregados para quase 700.000. Portugal destruiu empregos ao dobro da velocidade da União Europeia e já ultrapassou a taxa de desemprego dos 11 por cento. O mercado de trabalho tem vindo a degradar-se cada vez mais.
A actual situação é ampliada pela recessão internacional e o ano de 2012 não augura nada de bom com o agravamento do desemprego, em Portugal, desde o final da década de 90 do século passado, em que a taxa de desemprego rondava os 4 por cento; em 2003 já ultrapassava os 6 por cento; no ano de 2009 atingiu os dois dígitos, com mais de 10 por cento e nos tempos actuais já ultrapassou os 11 por cento.
O número de mulheres sem emprego tem tido uma grande evolução assim como o desemprego de longa duração. Mais do que um em cada vinte portugueses está à procura de trabalho há mais de um ano. Em cada cinco jovens, um não consegue arranjar emprego. A perda de postos de trabalho, que só no ano passado foram quase 80.000 em Portugal, tem vindo a aumentar significativamente. São evoluções que dão que pensar; são evoluções assustadoras!
Uma grande quantidade de perda de postos de trabalho tem a ver com o avanço tecnológico e a globalização, que agilizaram de uma forma sem precedentes a substituição do trabalho, que até aqui era feito pelo homem, passando a ser feito por máquinas. Este tipo de desemprego, denominado desemprego estrutural, verifica-se quando o número de desempregados é superior ao número de trabalhadores que o mercado pode absorver e esse excesso de trabalhadores não é temporário.
O desemprego gerado pelo uso intensivo das máquinas tem vindo a reflectir-se em sectores importantes da economia como a agricultura e a indústria. Este tipo de desemprego não é só resultado da actual crise económica mas do novo paradigma da organização do trabalho: com menos, fazer mais.

O desemprego não é só mau para os que o sofrem na pele; também é mau para aqueles que têm o seu emprego. Veja-se a actual instabilidade no emprego, na grande quantidade de trabalho precário e de falsos recibos verdes. As consequências sociais do desemprego são enormes. É indiscutível a necessidade de assegurar a coesão social controlando o desemprego.
Se existem cada vez menos postos de trabalho e se o avanço tecnológico está aí para durar, como se pode resolver o problema do desemprego? É verosímil, mesmo com um significativo crescimento económico, o que não acontece há alguns anos, criar tantos postos de trabalho, que eliminem ou reduzam significativamente o desemprego? Se não é, como resolver então esta calamidade social?
Uma solução para o desemprego actual, e futuro, será: trabalhar menos e receber menos. Ou seja: trabalhando-se menos horas, com a respectiva redução salarial é garantido o aumento de colocações de pessoas no mundo laboral. Seria possível os postos de trabalho chegarem para todos; jovens e menos jovens, homens e mulheres. Esta medida não prejudicaria a economia, muito pelo contrário e teria a vantagem de proporcionar mais tempo livre para todos. As pessoas poderiam apostar mais em si, dedicarem-se mais à família, aos amigos e à sociedade. Seríamos, provavelmente, mais felizes! 

  
José Maria Moreira da Silva
moreira.da.silva@sapo.pt
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