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UM NORTE MAIS FORTE

UM NORTE MAIS FORTE

Nos últimos dias, o Jornal de Notícias fez um trabalho de comparação dos indicadores de desenvolvimento entre a Galiza e o Norte de Portugal. Os resultados não podem ser mais desoladores para nós. 

A Galiza vive o período mais pujante da sua história superando, inclusive, os indíces de crescimento de Espanha, enquanto nós atravessámos um longo período de crise, um ciclo de recessão e estagnação económica que dura desde 2001. 

Dois exemplos retratam fielmente esta realidade – o salário médio galego atinge os €1260 enquanto o da Região João SáNorte se fica pelos  €635, isto é, o salário médio da Galiza é o dobro do que se recebe no Norte de Portugal; quanto ao desemprego, a taxa na Galiza desceu para o nível mais baixo dos últimos 25 anos (8,5%) enquanto no Norte continua a subir (9,5% no primeiro trimestre de 2007). 

Esta é a realidade dos factos, que traduz de forma clara a definição de políticas correctas por parte da Galiza e de Espanha, ao nível da atracção do investimento, da melhoria da produtividade e de uma forte capacidade de afirmação política e cultural por contraponto à incapacidade de sucessivos governos e dos agentes políticos e económicos do Norte para definirem uma estratégia correcta que potencie os nossos índices de desenvolvimento. 

Este estudo, estes dados, tudo o que atrás foi dito coloca, indubitavelmente, na ordem do dia o debate sobre o sim ou não à Regionalização no nosso país. Porque não tenhamos dúvidas, a Galiza só atingiu estes resultados porque possui autonomia política e administrativa, possui um Governo Regional forte com meios financeiros e competências para levar a cabo políticas ambiciosas aos mais diversos níveis. 

Como há poucos dias referia o Presidente da Comissão Europeia, o ex-Primeiro-Ministro português Durão Barroso, Portugal é um país demasiado centralista. Tem razão Durão Barroso, pena é que, nem o seu governo nem nenhum outro, tenham procurado inverter este estado de coisas. 

O que os nossos governantes parecem ter dificuldade em perceber é que o problema do Norte não é uma questão regional. O problema é do país porque quando o Norte não cresce, o Portugal também não cresce. Assim sendo, a nossa prioridade deverá ser tornar o Norte mais competitivo 

Para o fazermos, deveremos ter políticas públicas bem definidas, mas teremos igualmente que ser ambiciosos e audazes. Teremos que confrontar Lisboa, discordar da capital muitas vezes mostrando que a razão nos assiste. E teremos acima de tudo que não desperdiçar oportunidades.  
 

                                          JOÃO MOURA DE SÁ 
 

Nota – Mais 15 dias se passaram e o Sr. Presidente da Câmara continua sem dizer nada sobre a polémica questão dos Paços do Concelho. Penso que os Trofenses têm o direito de  saber o que vai na cabeça dos nossos responsáveis autárquicos. 

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