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No âmbito do Dia do Dador de Sangue (27 de março), o NT foi à procura daqueles que regularmente se disponibilizam em prol de outrem. Descobrimos dois dadores que integram a instituição Lions Clube da Trofa, que batalha todos os dias a favor desta luta pela vida.

 Tudo começou numa campanha de recolha de sangue. Armindo Campos nunca tinha estado ligado a movimentos deste género, mas naquele dia “houve qualquer coisa” que o “tocou” e o fez apresentar-se diante dos responsáveis da associação, para “contribuir” com uma dádiva de sangue. Estava “nervoso”, confessa, mas “ao mesmo tempo também estava calmo”, porque havia pessoas “a aconselhar como se devia ou não fazer”.

Ao contrário do colega, Jorge Machado já fazia parte da organização do Lions Clube da Trofa, mas sem participar como dador. Um dia, casualmente, começou a dar sangue. “Não houve nenhuma necessidade de ser dador”, documenta, antes, porém, de colocar um parêntesis: “Tinha o sentido de dar uma ajuda também àqueles que têm necessidade de sangue”.

Para estes homens, ser dador “é um gesto bastante nobre”, pois “há pessoas que necessitam de sangue” e a eles, como à maioria da população, “não faz diferença doar, porque não se esgota”, referem.

Muitas pessoas têm a vontade de se tornarem dadoras de sangue, porém existem algumas condições, como ser saudável, ter entre 18 e 65 anos, ter um peso acima dos 50 quilos e não ter doenças crónicas.

Dos cinco a seis litros que circulam no nosso organismo, só é doado aproximadamente 450 mililitros, que é reposto rapidamente pelo organismo.

Os dadores homens podem doar sangue a cada 60 dias, as mulheres a cada 90 dias. “Pouco mais se passa do que uma análise ao sangue”, reforça Armindo Campos quanto à facilidade do gesto.

“Quando chegamos, apresentamo-nos às pessoas que estão na receção, preenchemos um formulário em que há várias questões”, explicou Armindo Campos.
No questionário que os serviços administrativos entregam ao dador, este declara que leu e compreendeu toda a informação, bem como que respondeu às questões com verdade, consciência e responsabilidade. Caso isso não aconteça, o dador pode prejudicar a dádiva de sangue. Jorge Machado atenta para a relevância da verdade neste inquérito: “Se a uma perguntaque esteja lá, por exemplo se já foi operado, a pessoa responde que não e é sim, essa resposta trocada pode causar problemas, não ao dador, mas a quem vai receber esse sangue”.

Após o questionário, é feita uma avaliação médica da tensão arterial, frequência cardíaca e é realizado o teste para a determinação do valor de hemoglobina. Se houver alguma anomalia em qualquer um dos testes, a dádiva poderá ser suspensa temporária ou definitivamente, dependendo da situação. No entanto, caso o aval do médico seja positivo, o dador passa para a próxima etapa, dirigindo-se para a sala de colheita de sangue: “Senta-se na cadeira e em cerca de dez minutos está pronto.

Porém, desengane-se se pensa que o processo termina aqui. Não. “Existe a preocupação do próprio hospital em indicar ao dador se tem algum problema”. Sendo feita a colheita de sangue, a amostra é analisada para que se saiba se pode ou não ser doada a quem precisa. “Normalmente, em oito dias, o dador recebe uma carta em casa, que vem com o resultado da análise que é feita pelo hospital. Se estiver tudo bem, podemos continuar a dar sangue, se por algum motivo for detetado algum problema, o hospital chama essa pessoa para uma consulta”.

 

A importância de doar sangue

O sangue funciona como transportador de substâncias de extrema importância para o funcionamento do corpo. É um tecido que não pode ser substituído por outro e por isso a doação é tão importante.

Em 2012, foi registada uma quebra de 12 por cento nas dádivas de sangue a nível nacional. No início deste ano, embora as equipas de colheita tenham aumentado, a quebra permaneceu. O Instituto Português do Sangue admite que em 2013 será um desafio manter as reservas de sangue. Por isso, a nível nacional, as equipas continuam a trabalhar para que o sangue não se esgote.

“Eu acho que é importante por vários aspetos, um deles é saber que o sangue que nós doamos é um bem necessário para salvar muitas vidas, porque há muitas pessoas que dependem dele”, realçou Armindo Campos.

O sangue continua e continuará a ser necessário. Esta necessidade só pode ser complementada com a doação voluntária da população. “É muito importante, estarmos sensibilizados e atentos a este problema, visto existir escassez de sangue. Todos nós devíamos, os que fossem saudáveis, contribuir ou colaborar o melhor possível para que nunca chegue a faltar o sangue”, rematou.

José Carneiro, diretor do pelouro do Sangue, do Lions Clube da Trofa afirma que “o reconhecimento da dádiva de sangue é necessário” e como o sangue tem um tempo médio de duração para que possa ser transmitido a alguém “é preciso continuar a aumentar as dádivas de sangue para que não falte nos hospitais e para que não sejam adiadas operações que necessitam dele”.

 

As taxas moderadoras e os dadores

Um dos motivos para a diminuição de dádivas foi a retirada, por parte do Governo, da isenção das taxas moderadoras. Muitos dadores “desanimaram” após esta notícia e renunciaram à doação.

Armindo Campos pensa que os dadores deveriam ser “superiores”, porque “esta causa é bastante nobre” e a melhor recompensa que podem ter “não é a monetária, mas sim a satisfação que temos quando sabemos que estamos a ajudar alguém”.

Jorge Machado compartilha da mesma opinião, afirmando que é “uma asneira” as pessoas não doarem sangue, porque foram retiradas as taxas moderadoras: “Quem precisa do sangue é o doente e não o hospital”, concluiu.

Para além da isenção das taxas moderadoras, os dadores têm um cartão que os identifica e que serve para revelar quantas dádivas realizaram, se podiam ou não estar isentos das taxas e até para visitar doentes nos hospitais. Contudo, “as máquinas que dão a informação do cartão não estão a funcionar”, revela Jorge Machado. Sendo assim, este cartão não tem qualquer utilidade, pois não é possível fazer atualizações.

Hoje o cartão serve apenas para “identificação que é dador”. Porém, “diz-se que vão ser feitos novos cartões e máquinas para que se possam apresentar nos postos de saúde e em todos os sítios que seja necessário a pessoa apresentar-se como dador de sangue”, frisou.

 

Dar sangue é dar vida!

Membro do Lions Clube da Trofa, Armindo Campos, dador há cerca de 25 anos e Jorge Machado, há cerca de 30, têm uma enorme quantidade de dádivas realizadas. Por isso, fazem um apelo a todas as pessoas saudáveis: “A todas as pessoas saudáveis com mais de 18 anos, um dia venham experimentar dar sangue. Pode ser que amanhã venham a ser grandes dadores, porque nós precisamos deles, precisamos de toda a gente. Àquelas que têm possibilidade, apareçam e deem sangue, porque ele faz falta”.

Daniela Ferreira