Dois mil e doze foi escolhido como o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações. Ao longo do ano, o NT vai dar a conhecer histórias de pessoas que mantêm um dia a dia dinâmico. Desta vez, damos a conhecer a história do “Costa fotógrafo”.

No concelho (e um pouco por todo lado) devem ser poucos os que não conhecem António Costa. O “Costa fotógrafo”, como é mais badalado, está em muitos dos acontecimentos que marcam a vida do concelho, sejam festas, romarias, inaugurações, cerimónias… É ele que eterniza todos esses momentos para a posteridade. O espólio que guarda imagina-se gigante tal é o zangarilhar constante. No mesmo dia podemos vê-lo numa comunhão solene como numa romaria ou na inauguração de uma sede associativa.

Gosta de fotografar “tudo o que seja movimento”, defendendo que, “assim como na vida, a natureza não é estática”, pois “agora está de uma maneira, mas alguns momentos depois já está totalmente diferente”. E se conseguir acompanhar os movimentos, a evolução, em pormenor, melhor ainda. “Gosto de fotografar aquilo a que chamamos de emoções. Não fico satisfeito quando sei exatamente tudo o que vou fotografar. Prefiro ir fotografando e descobrindo o que vai acontecendo no momento seguinte”, afirma, completando que é adepto do “suspense”.

Durante a semana, António Costa tenta fazer reportagens fotográficas diferentes da anterior: “Quantas vezes luto comigo próprio para escolher os melhores assuntos ou locais para fotografar, daí que, às vezes, desloco-me bastantes quilómetros para fazer as diversas reportagens. Mas, quando verifico que fiz uma reportagem a meu gosto, fico feliz”. 

Nascido a 9 de julho de 1947, no lugar de Ervosa, na freguesia de S. Martinho de Bougado, António Costa foi um aluno exemplar. Após o exame da antiga 4ª classe, como um dos melhores alunos, foi desafiado a fazer o exame de admissão à Escola Comercial (Técnico-Industrial). Foi o que fez com mais quatro colegas. “O resultado do exame foi excelente. Entretanto, como a professora da referida 4ª classe gostava que eu fosse padre, lá mexeu os cordelinhos e tentou convencer-me e ao meu pai para que fosse para o seminário. Só que havia dois grandes senãos: a oposição da minha mãe e saber quem custeava as despesas dos estudos, que eram grandes”, recorda.

Sem desistir, a professora “arranjou algumas pessoas que se comprometeram a ajudar nas despesas” e até “o pároco apoiou”. “A professora deu-me quase metade do enxoval e nessa longínquo ano de 1960 ingressei no seminário, em Braga. Estive lá seis anos e depois desse tempo todo não continuei, porque cheguei à conclusão que era mais útil cá fora”, afirma.

Em abril de 1968, António Costa ingressou no serviço militar, na escola de sargentos. Um ano depois, foi mobilizado para cumprir a comissão de serviço em Moçambique, de que guarda muitos momentos de alegria e tristeza, principalmente porque “só num dia” a sua companhia “teve vários feridos (com muita gravidade) em combate”. Foi lá que comprou a primeira máquina fotográfica, durante uma viagem de barco, a um tripulante que vendia artigos a preço mais baixo, que nas lojas comerciais. Juntamente com um relógio Seiko, adquiriu uma máquina Canonnet (da marca Canon). Custou três mil escudos. “Comprei um rolo de 36 fotografias a preto e branco e para experimentar a máquina só no primeiro dia tirei 20 fotos aos meus colegas na vila de Moçamedes”, conta. Foi a primeira experiência de Costa na fotografia.

Quando chegou à “metrópole”, as primeiras fotos que tirou foi precisamente no Rio Ave, em Bairros, Santiago de Bougado. A azenha do Portela é disso testemunha. “Depois lá fui tirando nos passeios familiares a Fátima, Monte da Assunção, Capela de São Gens, até que um dia, na comunhão solene do meu irmão mais novo, de quem sou padrinho, resolvi ser o fotógrafo oficial da família na festa”, recorda.

Após esta reportagem, ofereceu-se para fotografar o casamento da melhor amiga da esposa, já la vão 30 anos. Até hoje nunca mais parou. Perdeu-se um padre, ganhou-se um fotógrafo. O Notícias da Trofa agradece.

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