Inês Borges foi uma das alunas laureadas pela autarquia da Trofa, na cerimónia de entrega dos prémios de mérito escolar. A jovem trofense entrou, este ano letivo, no curso de Medicina da Universidade do Minho, com uma média de acesso de 19,12. “Sempre sonhei ser médica e exercer a especialidade de pediatria, pelo que organizei o meu percurso escolar de acordo com isso. Gosto do contacto com as crianças, de poder ouvir e ajudar e do desafio de me adaptar a cada paciente”, confessou, em declarações ao NT.
Com 17 anos, e passagens pelo ensino privado – fez o 1.º, 2.º e 3.º anos no Colégio da Trofa, e público – frequentou a EB1 de Paradela, a EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques e Escola Secundária da Trofa – Inês não esconde que sentiu “algumas dificuldades” na gestão do tempo e das prioridades, que a fizeram ter de preterir “atividades de lazer normais na adolescência, como ir ao cinema ou jantar com amigos”, para se poder dedicar “com mais afinco” ao estudo.
A pandemia foi outro teste que teve de passar com distinção: “Obrigou-me a aprender à distância, a adaptar-me a um novo método de estudo e a trabalhar na minha capacidade de concentração”.
Relativamente ao processo de aprendizagem, a estudante partilha que a estratégia passa por “estar atenta nas aulas, ouvir os professores e tirar apontamentos”. “Posteriormente, em casa, reservar tempo para fazer resumos e refletir sobre a informação”.
A entrada na universidade resume-se a “um misto de emoções”, confessou. À facilidade de se adaptar ao ambiente académico, por ter encontrado um “grupo muito acessível, disponível e alegre”, deparou-se, em contraponto, com uma exigente nova abordagem às aulas, pela “quantidade de matéria mais pormenorizada que é ensinada num menor período de tempo”.
Além do tempo passado na universidade, Inês gosta de praticar exercício físico, ouvir música, ver televisão e cozinhar. Na família, a irmã, Patrícia, segue-lhe as pisadas e também é aluna de mérito, tendo sido, igualmente, homenageada na gala organizada pela Câmara Municipal, na terça-feira. A frequentar o 10.º ano na Escola Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, pretende seguir a área da dança.

“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”

Em Covelas, reside outro caloiro de Medicina. Ricardo Ferreira, 17 anos, saiu da Escola Básica e Secundária do Coronado e Castro diretamente para a “primeira opção”, a Universidade do Porto, com uma média de acesso de 19,27. Se optasse por outros cursos, como a maior parte das engenharias, candidatar-se-ia com uma média de 19,63.

“Desde muito pequeno que dizia que queria ser médico, não sei ao certo dizer o porquê, mas em boa verdade, sempre achei interessante compreender como é que o corpo humano funciona. Outro fator que pode ter influenciado esta escolha é facto de o meu avô ter passado uma fase complicada no hospital e acho que isso fez-me perceber que é muito nobre darmos o melhor de nós para melhorar a qualidade de vida dos outros”, declarou, em entrevista ao NT.
O sucesso para os excelentes resultados escolares teve como ingredientes a “organização” e “boas horas de sono”, para “fazer render o estudo”, principalmente na época dos exames nacionais, uma das fases que considerou “mais exigente”. Outra estratégia adotada pelo jovem é “fazer muitos exercícios para consolidar a matéria apresentada nas aulas”. E nunca descurar “a boa gestão do tempo”, porque, diz, “é fundamental descansar e divertirmo-nos”. Nesse âmbito, Ricardo opta pelos serões a ver séries e Fórmula 1 ou por boas tardes passadas com os amigos.
“Acho fundamental acreditarmos em nós próprios e no nosso trabalho e, principalmente, dar o nosso melhor para alcançar os nossos objetivos, porque se não for assim, vamos ficar com muitos ‘ses’ na cabeça”, frisou.
Sobre a adaptação à universidade, Ricardo cita o poeta: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. “Notei que a quantidade de matéria por aula é muito superior, mas a principal diferença é que na universidade, temos de preparar as aulas antes de as ter, o que no secundário era impensável. Apesar disto, senti um sentido de união muito grande, o que acaba por ser reconfortante”, confessou o jovem, que ainda não decidiu que especialidade da medicina pretende escolher.

Mais de uma centena de alunos colocados no Ensino Superior

Inês e Ricardo fazem parte dos mais de cem alunos do concelho da Trofa que entraram no ensino universitário no presente ano letivo. Segundo dados cedidos pelo Agrupamento de Escolas da Trofa, dos 126 estudantes que apresentaram candidatura, 106 foram colocados na 1.ª fase. Contabilidade e Administração, com seis alunos, foi o curso mais requisitado, seguido de Enfermagem (cinco), Engenharia e Gestão Industrial (quatro), Geografia (quatro) e Marketing (quatro). A Universidade do Minho – com 25 colocados – foi a instituição que recebeu mais “caloiros” oriundos do Agrupamento da Trofa. No Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (Instituto Politécnico do Porto – IPP) foram colocados 11 alunos e na Faculdade de Engenharia de Engenharia (Universidade do Porto) entraram dez.
No Agrupamento de Escolas do Coronado e Castro, dos 33 alunos que frequentaram as turmas do 12.º ano no ano letivo 2020/2021, 27 conseguiram colocação nas duas primeiras fases.
Matemática, Engenharia Informática, Engenharia Mecânica e Direito, com dois colocados cada, foram os cursos mais escolhidos. O Instituto Superior da Maia (ISMAI), com cinco, e a Universidade do Minho e o Instituto Superior de Engenharia do Porto (IPP), com quatro, foram as instituições com mais colocados.