Os Trofenses estão ao rubro!

Por duas razões essenciais e antagónicas, uma extraordinária que em muito nos enaltece, outra também extraordinária mas não enaltecedora.

 Mas vamos começar pelas boas notícias.

Somos campeões da Divisão de Honra e com grande mérito subimos à Primeira Liga pela primeira vez na nossa história.

Todo o concelho enfeitou-se de vermelho e azul, com muitas bandeiras, cachecóis e faixas que demonstram o apoio incondicional ao seu clube e o orgulho que todos sentimos.

O Clube Desportivo Trofense elevou o nome do nosso concelho por este país fora não deixando ninguém indiferente a esta conquista.

Feito histórico, resultado de muito trabalho, dedicação e espírito positivo e batalhador de todos os jogadores, equipa técnica, dirigentes, o Presidente Dr. Rui Silva, imagem de humildade e amor ao clube e à causa, sócios, simpatizantes e de todo o povo Trofense.

Com o aproximar do final do campeonato, o nervosismo aumentava mas, ao soar do apito final, milhares de pessoas deram largas à sua alegria e orgulho exacerbado e rumaram ao centro de cidade, relembrando outros tempos de conquistas.

E aqui surge o ponto de ligação com o motivo menos bom que tem feito correr muita tinta na Trofa e desagradado os Trofenses em geral, ou seja, o centro da Trofa e mais concretamente o Parque Nossa Senhora das Dores.

O motivo da tristeza dos Trofenses é simples de explicar.

O Parque da Senhora das Dores é uma referência importante e estrutural da cidade da Trofa e (infelizmente) único espaço verde de lazer do concelho.

Além disso é considerado um espaço religioso carismático e intrinsecamente ligado à fé das gentes da Trofa e à sua identidade mais longínqua.

Ora, todos certamente reconhecem que este Parque sempre foi propriedade da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, facto reconhecido inclusive por familiares dos doadores deste espaço à Junta de Freguesia e por escrituras existentes.

Só que, a Câmara Municipal da Trofa, sorrateiramente, achou por bem tomar posse deste terreno, (passando por cima da legitimidade de uma Junta de Freguesia e dos seus representantes), recorrendo ao instrumento legal por "usucapião" e tentou registar o terreno como sua propriedade.

A partir deste momento e perante esta atitude de desrespeito e de altruísmo da Câmara Municipal, a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, viu-se obrigada a recorrer aos tribunais para defender o seu património.

O processo está de facto em tribunal e aguarda-se a decisão.

Mas, entretanto a Câmara Municipal da Trofa, resolveu assinar dois protocolos para requalificar o Parque Nossa Senhora das Dores, um com a Sociedade Metro do Porto e outro com a Comissão Fabriqueira da Igreja.

Tudo muito bem, à excepção de dois "pequenos" pormenores:

1º A Câmara Municipal esta a realizar protocolos sobre um terreno que não é seu e sobre o qual existe um processo em tribunal.

2ª Ignorou completamente a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, conduzindo este processo à sua revelia.

Resumindo, a Câmara Municipal, quer requalificar uma área com um terreno, que não é seu (pois aguarda-se decisão judicial) e tudo isto sem escutar a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, como proprietária e parceira necessária de qualquer processo de requalificação e desenvolvimento.

Inacreditável!

E impõe-se a pergunta: Qual o interesse no terreno por parte da Câmara Municipal?

Após muitas hesitações, o Sr. Presidente da Câmara da Trofa, Dr. Bernardino Vasconcelos, reconheceu finalmente na última Assembleia Municipal e que muitos já desconfiavam) que o projecto desenvolvido pelo arquitecto Souto Moura previa a construção dos tão esperados Paços do Concelho, ao lado da capela Nossa Senhora das Dores!!!!

Mas os Trofenses, que já deram muitas provas da sua força e da sua determinação, não vão permitir que destruam o Parque e que se conduza todo este processo sem sermos ouvidos e respeitados.

Numa altura em que se exige dos cidadãos a participação nos processos de decisão, é necessário e urgente que a Câmara Municipal da Trofa ouça os Trofenses e não continue com esta postura de altruísmo e desrespeito por todos os que se orgulham da Trofa, a sentem como sua e que trabalham arduamente para elevar o seu nome e a sua imagem.

 

Teresa Fernandes