É assumido como “o maior projeto português de sempre na Agência Espacial Europeia” e está a ser liderado por um trofense.

Nuno Silva, engenheiro da empresa DEIMOS, lidera a equipa que vai desenvolver os sistemas de orientação, navegação e controlo da primeira missão mundial dedicada, exclusivamente, à remoção de lixo espacial.

“Clearspace-1” é o nome da missão, cujo lançamento está previsto para 2025. Está a ser desenvolvida no âmbito do programa ADRIOS, da ESA, e tem como objetivo tornar a órbita da Terra mais limpa, começando pela remoção da Parte Superior do VESPA, lançado em maio de 2013, com o satélite Proba V.

O projeto vai ser desenvolvido em em cinco fases, sendo que a primeira tem a duração de nove meses. No final desta primeira fase, a arquitetura do serviço será consolidada, permitindo que a conceção detalhada e o envolvimento de outros fornecedores comecem na fase seguinte.

A missão foi aprovada na última reunião ministerial da ESA, em novembro de 2019, depois de um processo competitivo iniciado pela Agência para escolher o conceito da primeira missão mundial de ‘Active Debris Removal’. O conceito vencedor foi o apresentado pela Clearspace, uma start-up Suíça, que, após concurso internacional para a seleção das várias tecnologias necessárias para o satélite, elegeu o consórcio liderado pela DEIMOS Engenharia e no qual Nuno Silva está, profundamente, envolvido.

A equipa de Nuno Silva tem como missão desenvolver o ‘piloto automático’ do satélite e realizar todos os testes para apoiar a Clearspace na montagem, integração, teste e operação da missão.

Nuno Silva é natural da Maganha, Santiago de Bougado, tem, na carreira, outros projetos relevantes, como o Exomars, instrumento que tem como missão investigar a geologia de Marte e procurar provas de que existiu ou existe vida neste planeta. Depois de atrasos, que impediram lançamentos em 2018 e em 2020, a expectativa é que, agora, o equipamento possa ser lançado em 2022. Nuno Silva esteve, intimamente, ligado ao desenvolvimento deste projeto, no início da última década, abandonou-o e voltou a integrá-lo, mais recentemente, mas com funções diferentes.

Mais recentemente, viu concretizado outro projeto, o Solar Orbiter, lançado em fevereiro, que já deu ao Mundo imagens nunca vistas do Sol.