Catarina Dantas foi readmitida na empresa Municipal Trofáguas, na sequência da providencia cautelar que apresentou ao Tribunal de Trabalho de Santo Tirso. Em comunicado António Pontes, presidente do Conselho de Administração confirma o regresso ao trabalho da funcionaria com base “no superior interesse da empresa”.

Conforme o “ O Notícias da Trofa avançou na sua última edição, a administração da Trofáguas despediu a funcionária Catarina Dantas e suspendeu outros três pelo período de um mês. Mediante a carta de despedimento, Catarina Dantas interpôs uma providência cautelar de suspensão de despedimento no Tribunal de Trabalho de Santo Tirso. A mesma alegava “a inexistência de justa causa com base na presunção de despedimento abusivo.”

A Administração da Trofáguas, em informação à comunicação social, fez saber que a funcionária Catarina Dantas foi readmitida na empresa, sendo que a administração procedeu à anulação do despedimento.

Segundo o comunicado da Empresa Municipal a suspensão do despedimento teve por base o facto da Administração da Trofáguas “… ser sensível aos esforços da meritíssima juíza no sentido de encontrar um acordo satisfatório para ambas as partes.” Ainda de acordo com o documento “após várias e prolongadas conferências, e tendo sempre presente o superior interesse da empresa, e promovendo um espírito de pacificação, foi possível chegar a um entendimento cujos traços gerais se indicam: desistência recíproca das queixas-crime, desistência de qualquer tipo de indemnização no âmbito deste processo e anulação do despedimento.”

Ao NT, Catarina Dantas reiterou a informação prestada pela administração da Trofáguas, realçando o facto de sempre ter sentido “ que a razão estava do meu lado e, naturalmente, sinto-me satisfeita ao verificar que a Administração da Trofáguas anulou o meu pretenso despedimento”. É que, segundo a funcionária, “sempre dei o melhor de mim em prol dos superiores interesses da Trofáguas e consequentemente da melhoria da qualidade de vida de todos os Trofenses e acho que era muito injusto ser despedida, após todo o trabalho que eu, bem como todos os funcionários da empresa, efectuamos em prol da mesma”.

Contudo o clima de conflitualidade existente no seio da Trofáguas, entre os seus trabalhadores e a administração, não acaba aqui. Decorre actualmente uma suspensão de trabalho sem direito a vencimentos a outros três trabalhadores da empresa. Paulo Sá, Miguel Costa e Mário Costa encontram-se suspensos de exercerem qualquer actividade na empresa até ao dia 8 de Fevereiro do corrente ano. De realçar que Miguel Costa é, actualmente, membro do executivo (PSD) da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado , freguesia que tem como Presidente do Núcleo do PSD, o presidente do Conselho de Administração da Trofáguas e vereador da Câmara Municipal da Trofa, António Pontes.

Ainda no seguimento do processo interposto por Catarina Dantas ao Tribunal de Trabalho de Santo Tirso, o NT sabe que existe um outro processo que vai a julgamento no dia 26 de Fevereiro de 2007. Neste processo a funcionária solicita que lhe sejam “atribuídas as funções desempenhadas desde Janeiro de 2005” e que “lhe seja atribuída a categoria de licenciada e a competente retribuição”. Note-se que neste processo a funcionária, na acção que interpôs em tribunal, refere “que a Trofáguas lhe retirou todas as funções e que a manteve inactiva sem nada fazer”.

Ainda no âmbito de todo este processo que tem envolvido a Trofáguas, o NT, ouviu o anterior Presidente do Conselho de Administração da Trofáguas, Paulo Renato Reis, que, após o seu regresso de Dublin, onde se encontrava num grupo de trabalho internacional no âmbito do projecto Cidades Inteligentes, levado a cabo pela INTELI, referiu que “enquanto fui Presidente da Trofáguas sempre pautei o meu relacionamento com todos os funcionários de uma forma séria, credível e estável. Sempre conduzi a empresa de forma a que existisse uma excelente conduta no que respeita ao relacionamento da administração com os funcionários, bem como de todos os colaboradores com os Trofenses, em geral”.

O economista referiu, ainda, que “o que se está a passar na Trofáguas neste momento, muito sinceramente, não é nada de que não estivesse à espera, mas lamento profundamente, porque considero que os recursos humanos de uma empresa e o consequente relacionamento destes com a administração são a pedra basilar do seu desenvolvimento, que neste caso se reflecte na qualidade dos serviços prestados à população do nosso concelho”.

Questionado sobre as acusações do actual presidente que diz ter solicitado por duas vezes a colaboração de Paulo Renato, este responde que “durante o tempo em que fui presidente da Trofáguas sempre pautei a minha actuação, relativamente a todos os assuntos, com clareza, rectidão e cumprimento de todos os procedimentos legais e administrativos. No caso de subsistir alguma dúvida relativamente a qualquer das matérias, julgo que esta administração deverá promover uma auditoria geral à empresa. Julgo que teria muito interesse, a Câmara Municipal da Trofa promover uma auditoria geral a todos os seus serviços, bem como, Empresas Municipais, concluiu.”