Autarquia mostrou “talentos municipais” na exposição “Trofa Criativa”, na Casa da Cultura.

“Primeiro estranha-se e depois entranha-se”. Esta citação de Fernando Pessoa não podia combinar melhor com o que aconteceu com Augusto Ferreira. Um dos últimos representantes da arte santeira, lida com a atividade desde os 13 anos, altura em que a mãe – ciente das habilitações artísticas de Augusto – atirou-o “aos leões”. Hoje, apesar de esta arte estar em declínio e não ser devidamente valorizada no mercado, voltava a abraçá-la sem hesitar.

Este artista é um dos que compõem o leque de “talentos municipais” que a autarquia da Trofa fez questão de promover através da exposição “Trofa Criativa”. Inaugurada na tarde do feriado municipal, 19 de novembro, a mostra reúne na Casa da Cultura a arte santeira, o vitrinismo, a moda, a vinicultura e a escultura.

“Criativos” como Augusto Ferreira, Susana Joana Ribeiro, Márcio Sousa, Júlio Torcato e António Pedro Maia levam o nome da Trofa além-fronteiras, mostrando que o empreendedorismo municipal está com saúde e recomenda-se.

Ciente de que a arte santeira está a atravessar momentos difíceis no mercado, Augusto Ferreira tenta contrariar os obstáculos, inovando. “Acredito que vamos dar a volta, mas não temos que ficar agarrados ao nosso mercado, que é muito limitado. Podemos apostar fora dele, que é o que tenho feito”, frisou.

Noutro piso da Casa da Cultura, pode ver-se a indumentária do trofense de hoje, um fato azul marinho às riscas, idealizado pelo estilista Júlio Torcato: “O desafio foi fazer algo atual, que de alguma forma transmitisse a modernidade e a dinâmica do concelho, que também é jovem. A base foi a figura de cerâmica que retrata a Trofa e a parte mais marcante era um colete de riscas, daí o fato ser assim também”.

Vencedora do Concurso Lusófono da Trofa é brasileira

Smark era um duende da selva amazónica, que brincava de bolhas encantadas. As bolhas encantadas eram gigantes, maiores que o próprio duende e subiam muito mais alto que uma bola comum. Elas subiam tão alto que estouravam, apenas, nas pontas afiadas das estrelas”. Estas são as primeiras frases do conto vencedor de edição 2011 do Prémio Matilde Rosa Araújo, o Concurso Lusófono da Trofa. A autora brasileira, Ivone Teixeira escreveu “Índio Bolha”, que conquistou o júri.

O representante do grupo que avaliou os contos participantes, Jorge Velhote, afirmou que “o conto em si tem algumas particularidades que são cativantes”. “É curto e feito de pormenores, que cativam, partindo do princípio que é para um público ainda ouvinte. O próprio modo de linguarejar do português do Brasil também dá um toque cativante e que se calhar despertará os leitores portugueses e de outros países para outra sonoridade que o próprio português contém”.

Para Jorge Velhote, a autarquia da Trofa não deve prescindir de apostar na cultura. “O concurso transfere a Trofa para o Mundo. Qualquer vereador, empreendedor, empresário e cidadão, por mais ignorado que seja, quer ver a sua terra projetada. E o concurso projeta a Trofa para um patamar muitas vezes não conseguido pelas áreas empresariais”.

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