O Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado mantém viva, ano após ano, a tradição de cantar as janeiras de porta em porta, levando o folclore da região a todas as casas.

Desde pequeno que Manuel António Maia está “habituado” ver “cantar as Janeiras” e “adora receber o rancho”. Por isso, mais uma vez, abriu as portas de sua casa ao Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado, na noite de terça-feira, para ouvir as canções interpretadas pelo grupo. A actuação foi “maravilhosa” e este bougadense espera que a actividade “se repita sempre”: “Enquanto for vivo vou continuar a acolhher o rancho. Depois outros abrirão, porque os filhos já conhecem o hábito dos pais”. “É bom manter as tradições e acho muito bem que retratem o que se fazia antigamente. Deus queira que nunca mais acabe”, declarou.

É precisamente isso que o grupo tenta fazer. Ano após ano, o Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado entoa as canções do folclore português, que narram o nascimento de Jesus e levam mensagens de Boas Festas a todos os bougadenses.

Arminda Rodrigues já faz parte do grupo “quase desde a fundação” e acha que esta é “uma tradição muitissímo importante”. O “sacrifício” de sair de casa todas as noites, com frio e chuva, “ultrapassa-se com gosto”, garantiu. Maria do Carmo Silva é mais nova nestas andanças, começou no ano passado, mas “gosta muito” de participar, porque “a força de vontade é muita”. Para o ano, espera voltar a participar “toda contente”. Fernando Silva percorre as ruas de Santiago de Bougado há “quatro anos” e garante que a população “gosta de ouvir os cantares das janeiras”. Sobre o motivo de continuar a actividade ano após ano, a resposta surge simples e directa: “Porque gostamos. Gostamos disto e de mostrar aquilo que os nossos antepassados cantavam”.

Foi Fernando Monteiro, presidente do Rancho, que explicou ao NT/TrofaTv, na noite chuvosa de terça-feira, este costume de cantar pelas ruas. Desde os anos 50 do século XX que, em Santiago de Bougado, era costume as pessoas da classe social mais baixa pedirem junto dos mais ricos. Era-lhes dado batatas, vinho e, por vezes, carne para a ceia de consoada. Depois, os grupos organizavam-se e iam agradecer as ofertas, nos primeiros dias de Janeiro. É esta tradição que o grupo de Santiago de Bougado não quer perder “de maneira nenhuma”.

Fernando Monteiro assegura que “todas as pessoas recebem o Rancho “de braços abertos”, mas também reconhece que “o sacrifício é demasiado”. “Neste momento estão cerca de 25 pessoas a cantar e o resto dos elementos estão doentes. É terrível, mas o ciclo é este e se deixarmos passar, acaba-se a tradição”, afirmou.

Este ano, a iniciativa “está a correr bem”. Esta é também uma forma de “agradecer aos bougadenses o apoio que dão ao grupo”. “Santiago de Bougado recebeu muito bem o Rancho Etnográfico e temos mesmo de agradecer”, atestou.

Rancho promove encontro de Cantares de Janeiras

O Grupo Folclórico de Cantares e Danças “Os Camponeses de Navais” (Póvoa de Varzim), o  Rancho Folclórico de S. Salvador de Monte Córdova (Santo Tirso) e o Grupo Regional de Moreira da Maia vão juntar-se ao Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado para o 4º Encontro de Cantares de Janeiras, com o intuito de divulgar esta tradição junto do público.

Promovido pela colectividade bougadense, o encontro vai decorrer no Auditório da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, no dia 9 de Janeiro, a partir das 15.30 horas.