A contar os tostões para tentar sobreviver, 22 trabalhadores das Máquinas Pinheiro suspenderam o contrato de trabalho no início do mês de Setembro e esta terça-feira juntaram-se à porta da fábrica, na Abelheira, em S. Martinho de Bougado, para reclamar os salários e o subsídio de férias em falta.

Para muitos dos trabalhadores da empresa trofense, Máquinas Pinheiro, este foi o primeiro emprego. Trabalham naquela empresa há uma vida e têm os salários em atraso desde Junho. Os operários garantem que até Maio sempre tiveram trabalho, no entanto “os pagamentos eram sempre feitos com atraso, desde o ano passado”.

Miguel Ribeiro faz parte da empresa há já 38 anos e lamenta a falta de pagamento dos salários, assegurando que sem o dinheiro, não voltam a trabalhar. “Temos os salários em atraso desde o mês de Junho, já pagaram algum dinheiro, mas ainda falta pagar 35 por cento e falta também o mês de Julho, Agosto e subsídio de férias. Fui chamado para trabalhar e disseram-me que quando pudessem que me pagavam e que iam tentar dar-me algum dinheiro, mas não pagam tudo, porque se me pagarem tudo eu venho trabalhar”, afirmou.

José Silva é outro dos 22 homens que se juntaram à porta da unidade fabril, esta terça-feira, para reclamar o dinheiro. A trabalhar há 43 anos nas Máquinas Pinheiro, o operário não compreende a falta de pagamentos: “Os serralheiros trabalhavam até às duas horas da manhã e se o dinheiro não aparece, tem que estar em algum lado”.

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O problema não está apenas nos salários em atraso, mas também nos seguros de trabalho que parecem não estar regularizados. “No dia 5 de Maio tive um acidente aqui nesta empresa, fui para o seguro e agora recebi uma carta do Hospital da Trofa para pagar a conta e eu não posso pagar, porque a empresa tem que ter seguro”, explicou José Silva.

A meio da manhã, alguns dos trabalhadores e um representante do Sindicato dos Metalúrgicos do Norte, entraram na empresa para serem recebidos pela administração, mas à saída poucas novidades trouxeram. Luís Pinto, representante do Sindicato lamenta a “espera dramática dos trabalhadores”, mas garantiu que “nada de novo” lhes foi dito pela administração. “Há uma tentativa de recuperar a empresa e também de encontrar mercado em Angola. Deram ainda a indicação de que iam participar numa feira. Quanto à situação dos trabalhadores e à falta de pagamento dos salários, a indicação é que não têm certezas absolutas se poderão pagar alguma coisa esta semana, a vontade é que tendo dinheiro vão pagar”, clarificou.

Quanto a um possível avanço para um processo de insolvência, Luís Pinto, também não obteve resposta “clara”, mas adiantou que a empresa “eventualmente passará por esse processo, se não for a empresa, alguém adiantará o processo”.

A empresa não permitiu a recolha de imagens, nem quis gravar declarações no interior das instalações, mas o administrador afirmou que a unidade está a ser reestruturada, admitindo a fusão com outra empresa. Quanto aos salários em atraso, o administrador garantiu que serão regularizados o mais rápido possível.

As Máquinas Pinheiro Lda é uma empresa produtora de máquinas para trabalhar madeira que nasceu em 1929. De acordo com o sitio na internet da empresa são desenvolvidas “políticas de parceria tecnológica com americanos, alemães, suíços, franceses e italianos, através de licenças para utilização de patentes, ou inovação das máquinas, em conjunto com os clientes e fornecedores. Actualmente comercializa em todo o território nacional, estendendo-se pelos cinco continentes”.