É comum ouvir-se em conversa de café, alguns homens que do alto do seu machismo, dizem em tom de brincadeira, ou não, a célebre frase de que “mulheres ao volante, perigo constante” ou então mais comum no mundo automobilístico que “mulher a conduzir bem houve uma, a Michelle Mouton e mais nenhuma”. Pois bem, a jovem trofense Rita Azevedo, de apenas 20 anos, calou muitas dessas vozes ao sagrar-se campeã nacional absoluta em velocidade na categoria de Pós Históricos e na classe até 1300cc, deixando para trás alguns pilotos – leia-se homens – com outra experiência na velocidade.

Apesar de tenra idade, Rita cedo começou a entrar no mundo dos automóveis, muito por culpa do seu pai, o consagrado Rui Azevedo, bicampeão nacional de ralis clássicos e que agora disputa o Nacional de Clássicos em velocidade. Com apenas 10 anos iniciou a sua carreira no Karting, no Kartódromo de Baltar, onde percorreu as categorias de 60, 80 e 100cm3, para aos 14 anos dar o salto para os karts de 125cm3, onde participou no Troféu Nacional Rotax integrada numa equipa profissional do Kartódromo do Cabo do Mundo. Aos 16 deixou os karts e iniciou a sua carreira nos automóveis ao participar no Troféu de Velocidade da FEUP, onde todos os pilotos tripulam os pequenos Fiat Uno. Passou por vários circuitos e rampas com destaque para Braga, Estoril, Falperra e Penha.

Participou neste troféu durante três anos, sempre com o apoio técnico da Cartrofa e na presente época mudou de categoria. Manteve-se na velocidade, mas desta feita ao volante de um carro clássico, nomeadamente na Taça Nacional de Carros Clássicos Pós Históricos, ou seja veículos entre os anos de 1883 a 1990. Visto que o seu pai iniciou a sua já longa carreira ao volante de um Toyota Starlet, Rita optou pelo mesmo modelo, mais uma vez preparado pela Cartrofa que conseguiram retirar uns generosos 120 cavalos (CV) do pequeno motor nipónico. O desafio era enorme, porque passar dos dóceis 52 CV do Fiat Uno para os 120 CV do Starlet não ia ser tarefa fácil. A prova de estreia foi logo à chuva em condições bastante adversas, mas Rita com uma excelente adaptação ao novo carro logrou subir pódio ao conquistar um fantástico 2º lugar.

O ponto alto da época foi a participação no mítico Circuito da Boavista onde voltou a conquistar um brilhante 2º lugar à geral logo atrás de um potente BMW M3, tendo ainda vencido a sua classe (1300cc). A época terminou recentemente no Circuito de Braga, onde um 2º lugar foi suficiente para conquistar o título de campeã absoluta de Pós históricos e na Classe 1300cc, o que para o ano de estreia é simplesmente fantástico. Para o ano Rita Azevedo pretende continuar a sua carreira na mesma categoria, desde que os apoios apareçam. Pena é que num país como Portugal aonde apenas há olhos (dinheiro) para o futebol, a tarefa não é nada fácil e infelizmente temos assistido a muitos casos em que pilotos com enorme talento são obrigados a desistir das suas carreiras por falta de apoios. Esperemos sinceramente que não seja o caso.

Miguel Mascarenhas

Marco Monteiro