Na defunta estação ferroviária do Muro, o cinzento e o branco que cobrem as paredes e as portas do edifício concorrem com o azul vivo do telefone público da PT. 
Depois de décadas do século XX a ser local de frenesim e passagem de centenas de pessoas, a estação desativada há mais de dez anos, ora animada pelos poemas que eternizam o descontentamento de quem via no comboio sinónimo de prosperidade, divide atenções com aquela instalação, obtida em “segunda mão” e irmã gêmea de outras colocadas nas freguesias do concelho.
A ideia para instalar o telefone naquele local talvez seja nobre, pois dará a oportunidade a que alguém, um dia, se lembre de o usar para telefonar a quem de direito para saber a que horas passará o metro.